Preparando nossa mente para entender que a vida tem uma dinâmica irrepetível. Explico.
Segunda-feira se inicia. A mesma rotina de tarefas e compromissos. As mesmas pessoas, o mesmo local de trabalho ou em casa. Nada mudou. Decidimos, com as mesmas lógicas de sempre, a resolução de novos problemas. Chega a ser entediante: uma eterna repetição que só nos faz perceber o mesmo.
O dia nasce, o dia segue, termina e renasce novamente. Mais um ano com 12 meses, mais promessas construídas e os mesmos cenários de todos os anos.
Mas, paradoxalmente, uma variante mudou: o tempo parece ter uma nova velocidade. Todos estão acelerados e com mais atividades.
Que velocidade é esta?
A velocidade das novas tecnologias, dos vídeos rápidos, das notícias superficiais e da multiplicação de fontes de informações, com ou sem credibilidade, a todo o tempo. Estamos acelerando nossa atividade cerebral a níveis nunca vistos.
As telas e a tecnologia estão se tornando vilãs de si mesmas. A necessidade frenética de atualizações diárias, minuto a minuto, em várias frentes e assuntos, nos fazem uma espécie de polímatas, alguém cujo conhecimento abrange um número significativo de diferentes áreas de estudo, sem direção.
A busca por saber de tudo rapidamente nos impede de mergulhar na profundidade de algo. Avançamos e não avançamos ao mesmo tempo. É a sensação de uma eterna caminhada sem fim. Haja saúde física e mental.
O Impacto cerebral da aceleração
A ciência cognitiva moderna oferece uma explicação neurobiológica para essa sensação de avanço sem destino. O neurocientista Earl Miller, do MIT, explica que o cérebro humano, na verdade, não é multitarefa: ele apenas alterna rapidamente entre tarefas (task-switching).
Esse processo consome uma quantidade significativa de energia cognitiva e, segundo estudos, está associado ao fenômeno conhecido como Sobrecarga Cognitiva e Cronofobia Digital, onde a alternância constante de foco e a avalanche de informações reduzem a capacidade de formar memórias sólidas e alteram nossa percepção do tempo, fazendo-o parecer acelerado e fragmentado. Assim, a busca frenética por absorver “tudo o tempo todo” sobrecarrega o córtex pré-frontal – a área do cérebro responsável pelo foco e raciocínio lógico –, aprisionando-nos em um ciclo vicioso de recompensa por dopamina e exaustão mental, o oposto da clareza que buscamos.
Pessoas e tempos singulares
Nenhuma inteligência artificial do mundo, até o momento, é polímata. Imagine o ser humano. Este tema sempre chama a atenção em função de Leonardo Da Vinci e Aristóteles.
Eles eram considerados polímatas em um mundo com muito menos informação e tecnologia. É quase impossível ser polímata no mundo atual, que muda a cada inovação. Além disso, eram gênios em suas épocas.
A maioria das ciências já comprovou: todos os seres humanos são diferentes. Seja em seus corpos, suas mentes, seus mindsets e sua cultura. Mesmo gêmeos em um lar têm características diferentes, apesar da mesma origem. Somos todos singulares, únicos.
Aí vem uma pergunta reflexiva para avaliarmos se o tempo é singular e único, também. O dia 5 de janeiro de 2025 está sendo igual ao 5 de janeiro de 2026, dia da leitura deste artigo?
Certamente, não.
Então, por que tratamos o tempo como algo que se repete como uma rotina?
Será que não é nossa rotina e falta de atenção que nos fazem perder as diferenças e oportunidades entre o tempo atual e passado?
O Ineditismo Advindo da Clareza
Quando temos a clareza de que cada pessoa é diferente e o tempo não se repete, começamos a ter a compreensão de como cada novo segundo é inédito: irrepetível.
O entendimento das dinâmicas das relações e do precioso tempo que temos diariamente em nossas mãos nos proporciona uma conexão profunda com o momento presente.
Esta ligação permite perceber que o futuro ainda não existe, de fato. Ele é construído com as atitudes de hoje. São os efeitos das escolhas deste momento.
Em suma: seus sonhos somente se realizarão se forem construídos com ações agora.
Em tempos de milhões de informações por segundo, é uma grande evolução ter a clareza em escolher o que realmente é útil à sua caminhada e ao seu propósito.
Por isso, conectar-se ao presente amplia nossa percepção e sensibilidade, a fim de que possamos refletir e discernir com nitidez.
Uma prática muito útil: na sua próxima decisão, questione-se: é o passado, presente ou futuro que me influenciam neste momento?
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Artigo publicado no portal Martinbehrend.com.br

























