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Home Brasil

Tarifaço do Trump pode tirar empregos de até 20 mil brasileiros no setor calçadista

Abicalçados projeta fechamento de milhares de postos de trabalho com redução de pedidos

Martin Behrend Por Martin Behrend
06/08/2025 - 21:05
em Brasil
Os Estados Unidos respondem por mais de 20% do valor total gerado pelas exportações do setor. Abicalçados/Divulgação

Os Estados Unidos respondem por mais de 20% do valor total gerado pelas exportações do setor. Abicalçados/Divulgação

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Nesta quarta-feira, 6 de agosto de 2025, começou a valer o Tarifaço promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A medida, assinada na semana passada, afeta cerca de 40% das mercadorias enviadas aos Estados Unidos. Cerca de 700 produtos do Brasil ficaram de fora da lista do Tarifaço.

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DESEMPREGO

Na semana passada, numa primeira avaliação dos impactos, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) estimou o fechamento de oito mil postos de trabalho nas indústrias do setor. Nesta quarta-feira, a Abicalçados divulgou nova avaliação e estimativa maior de desemprego. É importante reforçar: os Estados Unidos lideram a lista de compradores de calçados brasileiros.

Conforme levantamento realizado pela Abicalçados, quase 80% das empresas exportadoras consultadas relataram impactos em decorrência da tarifa adicional. Segundo o presidente-executivo da associação, Haroldo Ferreira, o fato do impacto direto na exportação corrobora a necessidade de medidas de caráter emergencial para a preservação dos empregos e das empresas calçadistas nacionais. “Entre os impactos já relatados há atrasos ou paralisação em negociações, queda do faturamento em decorrência da medida e cancelamento de pedidos, parte, inclusive, já produzidos ou em produção”, alerta.

Entre os impactos esperados, para os próximos meses, caso não haja uma solução para o impasse, está a perda de cerca de oito mil postos diretos no setor. Somando os postos indiretos, via cadeia produtiva, do fornecedor de materiais ao varejo, esse impacto pode chegar aos 20 mil empregos. “Estimamos, nos próximos 12 meses, uma queda de 9% nas exportações, como reflexo direto dos embarques para os Estados Unidos”, lamenta Ferreira.

Um dado curioso: o calçado produzido na China terá tarifa mais acessível que a praticada no Brasil. Os Estados Unidos, que tentam frear o crescimento chinês, acabam incentivando negócios deste setor.

ANO DE RECUPERAÇÃO

Historicamente o principal destino internacional do calçado brasileiro, os Estados Unidos respondem por mais de 20% do valor total gerado pelas exportações do setor. Apesar do cenário internacional adverso, a Abicalçados reporta que o setor vinha, ao longo do ano, recuperando as exportações de calçados aos Estados Unidos.

No primeiro semestre de 2025, o Brasil exportou 5,8 milhões de pares de calçados àquele país, 13,5% mais do que no mesmo intervalo de 2024. Com a sobretaxa de 50% o ciclo será interrompido, com efeitos econômicos e sociais importantes para o Brasil.

RIO GRANDE DO SUL

O vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, recebeu na segunda-feira (4) representantes do setor calçadista gaúcho para discutir os impactos da tarifa de até 50% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. O encontro teve como objetivo avaliar alternativas que possam mitigar os prejuízos para a indústria coureiro-calçadista, uma das mais tradicionais e estratégicas do Estado.

Participaram da reunião o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo, a secretária da Fazenda, Pricilla Santana, parlamentares e representantes de entidades empresariais como a Abicalçados e o Sicergs, que reforçaram a urgência de medidas emergenciais diante do cenário que consideram um verdadeiro “embargo comercial” à exportação dos calçados gaúchos — especialmente os produzidos nos Vales do Sinos e Paranhana.

O deputado estadual Issur Koch chamou atenção para a grave dimensão social da crise. “A indústria calçadista emprega um perfil de pessoas, geralmente com idade mais avançada, e em muitos casos com baixa escolaridade, que poderão ter dificuldades de recolocação em outros setores da economia. Estamos falando de milhares de famílias que vivem do setor e precisam de uma atenção especial neste momento”, afirmou o parlamentar, que integra a Frente Parlamentar em Defesa do Setor Coureiro-Calçadista na Assembleia Legislativa ao lado do deputado Joel Wilhelm.

De acordo com o vice-governador, o Estado iniciará uma série de reuniões com os setores mais afetados, com foco na preservação de empregos. “Começamos com o setor coureiro-calçadista e vamos prosseguir ouvindo os demais segmentos da indústria. Cada polo tem suas angústias e demandas. Nosso foco é proteger o emprego e garantir que a indústria siga ativa”, destacou Gabriel.

O secretário Ernani Polo reforçou que o setor calçadista é um dos pilares da economia gaúcha. “Somos o segundo maior produtor de calçados do país e o maior na produção de couro. Cerca de 30% da nossa produção vai para os EUA. Vamos trabalhar intensamente para manter esse setor forte e com acesso a novos mercados”, afirmou.

O diretor-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, e o presidente do Sindicato da Indústria de Calçados do Estado do Rio Grande do Sul (Sicergs), Renato Klein, falaram na reunião sobre a necessidade de retomada de medidas do governo federal para incentivar o setor, pelo menos, nos próximos 90 dias.

Entre as demandas apresentadas pelo setor, destacam-se:

– Liberação dos créditos acumulados de ICMS;

– Linhas de financiamento em dólar com juros internacionais;

– Ampliação do Reintegra;

– Reedição do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEM), criado durante a pandemia.


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