A Câmara de Vereadores de Campo Bom reuniu, na tarde desta
segunda-feira, dezenas de lideranças políticas e empresariais do Vale do Sinos.
Por iniciativa dos deputados estaduais Tarcísio Zimmermann (PT) e Eduardo
Loureiro (PDT), foi realizada “Audiência Pública para debater o Plano de Obras
e Investimentos previstos pela Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) e as demandas
dos municípios para a rodovia ERS-239”. Surgiram muitas cobranças, mas, na
prática, o representante da EGR trouxe poucas confirmações. Lembrando: é uma rodovia
com cobrança de pedágio e arrecada milhões de reais dos usuários.
O representante da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), engenheiro
civil Diego Treichel, deu um banho de água gelada nos presentes, reafirmando
uma decisão da atual direção: investir em iluminação e construir passarelas não
é dever da empresa – cinco municípios reivindicam passarelas. Segundo ele,
estas atribuições e investimentos, mesmo impactando no fluxo da rodovia e
garantindo a segurança dos motoristas que pagam para circular na 239, não são
responsabilidade da EGR. “Esse assunto não pode ser finalizado aqui. O debate
precisa avançar. Existe um pedágio para que os recursos sejam investidos na
rodovia, incluindo iluminação e passarelas”, rebateu Tarcísio.
Em relação aos investimentos nos acessos à Universidade
Feevale, que foram anunciados pela primeira vez em 2011, Diego Treichel
confirmou que, até julho, deverá ser autorizada a licitação para encaminhar
obras como alargamento de rua lateral, fechamento de retornos em frente à
instituição e utilização do Viaduto Eduardo Colissi – do bairro São José – como
retorno principal a fim de diminuir os conflitos para quem está deixando ou chegando
à universidade. Ingressam no estacionamento da instituição, diariamente, 8,7 mil
automóveis – a Feevale tem 19.462 alunos, além de professores e funcionários.
Sobre a questão de iluminação pública no trecho da Feevale, são
cerca de 30 postes de iluminação às escuras do viaduto sobre BR-116,
de acesso a Estância Velha, e o viaduto Eduardo Colissi – de acesso ao bairro
São José, em Novo Hamburgo. A EGR diz que é obrigação da Prefeitura investir. O
vereador de Novo Hamburgo Enio Brizola (PT), que foi secretário municipal de
Obras, disse que a fiação e o sistema da iluminação estão comprometidos, e que
foi sugerido a EGR se utilizar de sistema alternativo com sustentabilidade. O
secretário de Desenvolvimento Urbano de Novo Hamburgo, Moisés Medeiros, discorda
da posição da EGR e não entende como a empresa se recusa a investir na
iluminação. Logo, vai continuar tudo
escuro.
Treichel destacou que a EGR também está fazendo o fechamento
de alguns retornos a fim de verificar como se comporta o trânsito. Citou o caso
da mudança na saída do OK Center, em frente à empresa Artecola. “Infelizmente,
os motoristas não estão respeitando a sinalização e a situação ficou mais
perigosa no local”, avaliou. Ele acrescenta que próximo ao Centro Hípico Porto
Palmeira, em Campo Bom, e em frente a Calçados Beira-Rio, em Sapiranga, estão
sendo analisados fechamentos das caixas de retenção.
O engenheiro informou que existem duas intervenções
que estão em estudo para serem colocadas em prática: no acesso a Nova Hartz e no
entroncamento da 239 com a ERS-115, para facilitar o retorno de quem vem da
Região das Hortênsias e precisa acessar a ERS-020. Também salientou
investimentos que devem ter início ainda neste ano no trecho de Rolante e
Riozinho.
O representante da Empresa Gaúcha de Rodovias foi questionado sobre a situação da
isenção do pedágio para moradores em Campo Bom, já que no pedágio da ERS-240,
por exemplo, existe isenção para quem reside em Portão. O engenheiro, contudo,
disse que não compete a sua área de atuação definir. “Campo Bom está sendo
penalizado. Não restará outra solução a não ser acionarmos a Justiça para
cobrarmos o direito da nossa população. Falta gestão de qualidade na EGR”,
desabafou o vereador Alexandre Hoffmeister (PP) – sendo que tem integrantes do
seu partido na EGR. O vereador campo-bonense Paulo Tigre (PMDB) sugeriu que, se
a empresa não tem intenções de investir, que se reduza a tarifa. “Vamos cobrar
50 centavos”, exemplificou Tigre.
Ao final do encontro, Tarcísio
Zimmermann informou que a Comissão de Assuntos Municipais deverá convocar, em
60 dias, uma reunião de trabalho envolvendo municípios e EGR para avançar nas
demandas apresentadas na audiência pública. Além de Tarcísio, marcaram presença
os prefeitos de Novo Hamburgo, Luis Lauermann (PT), e de Sapiranga, Corinha
Molling (PP); o vice-prefeito de Campo Bom, Marcos Riegel; o vice-presidente da
Regional Campo Bom da ACI de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha, César
Ramos; vereadores e secretários municipais de Novo Hamburgo, Campo Bom, Sapiranga,
Parobé, Riozinho, Rolante, Nova Hartz e Dois Irmãos; dirigentes da Universidade Feevale, além de representantes de diversas
entidades e partidos políticos.
























