O vereador hamburguense Nor Boeno foi expulso do Partido dos
Trabalhadores (PT). A decisão foi do Diretório Municipal da sigla, após a
tramitação de pedido de exclusão passar pela Comissão de Ética do partido no
município.
A motivação para o pedido de expulsão de Nor foi o fato de
ele ter votado alinhado com o governo Fátima Daudt (PSDB) em projetos
considerados fundamentais pelo PT hamburguense. Nor, por exemplo, divergiu do
seu colega Enio Brizola (PT) em votações e também não seguiu a orientação da
sigla.
O destino de Nor Boeno deve ser o PTB. Ele já tem
alinhamento com o atual secretário municipal da Saúde, Naasom Luciano, que
também deixou o PT antes de ingressar no PTB. O chefe de gabinete de Nor, Adão
Selistre, ainda está filiado ao PT, mas também deverá deixar o Partido dos
Trabalhadores e acompanhar o vereador no partido em que completará seu mandato.
Nor Boeno é vereador de primeiro mandato. Ele trabalhou como
CC no governo anterior, do ex-prefeito Luis Lauermann. Em outubro de 2016, fez
1.646 votos. Ele foi somente o 20º mais votado, mas ficou entre os 14 titulares
em razão dos votos da coligação PT-PR.
Agora, na Câmara de Vereadores, o PT terá apenas um parlamentar: Enio Brizola.
Este é o segundo caso de expulsão de vereador de partido
nesta legislatura. No ano passado, Patrícia Beck foi expulsa do Cidadania (antigo PPS). Hoje ela
está filiada ao Progressistas (PP).
CONFIRA ABAIXO A DEFESA ENVIADA POR NOR BOENO À COMISSÃO DE ÉTICA DO PT
À Comissão de Ética
Partido dos Trabalhadores
Novo Hamburgo
Referente a notificação a mim endereçada, esclareço o que segue:
Como todos sabem, não sou um “petista” de primeira hora, do “PT raiz” e
não fui “forjado na luta” como alguns companheiros costumam dizer. Isso pra
mim, não me torna um petista de “segundo escalão” ou de menor valor que
qualquer outro.
Minha forma de atuar na política é prática e pragmática. Nunca escondi
isto de ninguém. A população que me elegeu, que confiou em mim como seu
representante, esperava de mim exatamente o que estou fazendo – o que na
verdade é uma continuidade, um pouco mais ampliada, do que sempre fiz. Foi isso
o que garantiu minha eleição. Trabalhar para minimizar os problemas reais do
cotidiano da comunidade: o buraco na via, a infiltração, a lâmpada queimada, o
esgoto entupido, o poste caindo, o vazamento de água, a capina e a roçada e a
busca de um atendimento público de qualidade para a população mais empobrecida.
E isso eu estou fazendo.
Essa maneira de ver e fazer a política, fez de mim uma liderança na
minha comunidade. Por isso, que fui convidado para me filiar no PT.
Quanto a ser candidato a Vereador, confesso que relutei em sê-lo. Quem
acompanhou a formação da chapa proporcional de 2016, sabe disso. Fui convencido
pelo então prefeito Luís Lauermann e pelo companheiro Jandir Almeida a me tornar
candidato. No entanto, nem eu, nem eles, acreditavam que houvesse a
possibilidade da minha eleição. Mesmo assim, trabalhei muito, me empenhei ao
máximo e, no final, fui eleito.
Quando assumi o mandato, nos primeiros meses de mandato, recebi, em meu
gabinete, a visita do então Deputado Estadual Tarcísio Zimermann, junto do
vereador Ênio Brizola. Na oportunidade, apresentamos nossa proposta para que
fizéssemos um trabalho conjunto onde, ao menos uma vez por mês, nós, os 3
parlamentares, visitássemos uma das muitas obras dos governos do Partido dos
Trabalhadores na cidade e criássemos formas e canais de divulgação e propagação
da ação. A proposta foi ouvida, até ponderada, mas não teve eco e acabou
sucumbindo.
Obviamente, que, com essa proposta, eu pegaria carona na experiência
dos mais tarimbados para dar um norte para meu mandato. Depois que percebi que
a proposta não vingaria, tive que buscar uma outra forma de conduzir meu
mandato, para que pudesse ter uma perspectiva, mesmo que pequena, de uma reeleição.
E assim fiz, centrando todos os esforços para ampliar minha forma de atuação
até então.
Já fui filiado a outros partidos e sempre os respeitei. O mesmo tenho
feito no PT. No meu entendimento, nunca fiz algo que desabonasse o Partido dos
Trabalhadores. Não entendo que minha opção e método de condução de mandato
tenha ferido o Estatuto do PT a ponto de uma censura interna. Não pelos motivos
e razões, que deram origem a determinação de voto pela direção do partido
e utilizadas para a instalação desta
Comissão de Ética, pois só para lembrar, em nossos dois governos municipais em
Novo Hamburgo, fizemos o mesmo: parcelamos as contas do IPASEM e, só pra citar
outro episódio, reformulamos o Plano de Carreira dos Funcionários Públicos
Municipais. Na época, os funcionários municipais diziam que estávamos acabando
com o Plano de Carreira deles. E nem por isso, alguém cogitou qualquer censura
interna aos companheiros prefeitos por isso. Se alguém cogitou fazer, ficou
falando sozinho. Para nos posicionarmos de forma tão diferente sobre questões
tão semelhantes, só posso imaginar que a posição do partido, neste momento, é por
uma destas três razões: incoerência, conveniência ou pessoal.
Sem querer criar mais polêmica, mas só a título de
ilustração, lembro ainda fatos que presenciei, quando fiz parte da Executiva
Municipal do Partido dos Trabalhadores, protagonizados por dirigentes e grandes
lideranças do PT que atentavam contra a ética partidária, mas que a maioria da
Direção resolveu por panos quentes e acomodar as situações.
Por isso tudo e, em respeito ao Partido dos Trabalhadores, encaminho
esta correspondência a esta Comissão. Este documento, antes de ser uma defesa,
é um desabafo. Se decepcionei alguns companheiros com meus votos em projetos na
Câmara, com minha dificuldade em usar a tribuna e fazer discursos ideológicos,
digo que a decepção é recíproca. Isso porque, entendi, já a partir dos
primeiros meses de mandato, que a acolhida que tive no meu ingresso no PT, como
um bom militante para fazer campanha para as grandes lideranças, não se
repetiria para o vereador eleito pelo partido. Percebi ainda, que a censura interna
e, até um certo desrespeito comigo, começou a existir. Um exemplo claro disso é
a direção do Partido nunca ter vindo conversar comigo. Sempre que se dirigiu a
mim, foi por telefonemas ou correspondências, as quais, na maioria das vezes,
eram censuras ou enquadramentos.
Por fim, agradeço a este partido pela acolhida, pelo o espaço para
sonhar em ser vereador e, por hoje, poder fazer pela minha comunidade mais do
que tinha imaginado um dia em poder fazer. Respeitarei qualquer que seja a
decisão que venha a ser tomada por esta Comissão. Já externo minha decisão em
me desfiliar do PT, agora, na janela de março, pois, por todo o exposto acima
fica evidente o grande abismo que nos
separa.
Atenciosamente
Vereador
Nor Boeno
























