Entidades ligadas ao comércio estão preocupadas com os reflexos da bandeira preta em 11 regiões do Rio Grande do Sul.
As bandeiras foram anunciadas no mapa preliminar da 42ª rodada do Distanciamento Controlado, na sexta-feira (19). O objetivo do governo estadual é frear a circulação do vírus, já que há uma aceleração não vista até agora de internações em UTIs e leitos clínicos nos hospitais do Rio Grande do Sul.
A vigência oficial das novas bandeiras será de 23 de fevereiro (terça-feira) a 1º de março (segunda-feira).
A reportagem do Portal Martin Behrend recebeu manifestações públicas de quatro entidades: Câmara de Dirigentes Lojistas de Novo Hamburgo (CDL-NH), Sindilojas-NH, Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do RS (Fecomércio-RS) e Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI-NH/CB/EV).
Confira os posicionamentos na íntegra:
CDL-NH
O
Rio Grande do Sul atingiu um patamar de avanço em todos os indicadores
monitorados pelo modelo de Distanciamento Controlado, ainda não visto
desde o início da pandemia de coronavírus.
Há
muita incerteza sobre a gravidade e o avanço do novo coronavírus pelo
mundo. Nesse momento, as empresas têm enorme responsabilidade e estão,
desde o início da pandemia, adotando medidas importantes para ajudar no
combate à propagação do vírus com orientação, prevenção, cuidados com o
seu quadro de pessoal e muito planejamento.
Nesse
sentido, o presidente da CDL-NH, Jorge Stoffel explica que as empresas
não têm se furtado de colocar em prática as ações consideradas
necessárias para a preservação da saúde pública, mesmo que consideradas
rigorosas. Dessa forma, segundo ele, não é justo que a medida seja
aplicada novamente sobre as empresas formais, quando o problema está nas
festas clandestinas e em outros estabelecimentos que permitem
aglomeração de pessoas.
“Nossas
empresas sempre mostraram que estão realmente comprometidas com as
práticas de segurança exigidas pelas autoridades, vendendo e atendendo
sempre com muita responsabilidade, obedecendo a todos os protocolos
exigidos”, explica o presidente.
Segundo
ele, não é justo que os estabelecimentos legais, atentos a todos os
cuidados fechem suas portas novamente. “Portanto, buscamos um
equilíbrio neste momento tão difícil. Acreditamos que é possível manter o
trabalho respeitando todos os protocolos”, conclui Jorge Stoffel.
SINDILOJAS-NH
Diante do anúncio do governo do Estado de que 11 regiões, inclusive a de Novo Hamburgo, ingressa na bandeira preta do Distanciamento Controlado, o presidente do Sindilojas-NH, Remi Scheffler, se mostra preocupado com a situação do comércio varejista. Pelo decreto, lojas de produtos não essenciais estão impedidas de abrir as portas. “Mas afinal, qual a eficiência que a medida traz no controle à pandemia”, questiona. Ele lembra que mercados podem abrir e vendem produtos não essenciais, o que torna a situação ainda mais desleal, especialmente aos pequenos lojistas.
Scheffler lembra que desde a publicação do primeiro decreto, ainda em março do ano passado, o comércio tem feito sua parte. Ainda luta para recuperar o tempo todo que não pode abrir no ano passado, e recebe o que chama de “novo golpe”. Por outro lado, sustenta, irresponsáveis continuaram com aglomerações, muitos bares abriram sem critérios, a pandemia se alastrou mais uma vez, e o poder público pouco fez em termos de fiscalização. “Tentou trabalhar a consciência das pessoas, o que, parece, falta muito.”
O presidente do Sindilojas não consegue mensurar o prejuízo que o setor poderá ter com mais um período de portas fechadas. Por isso, pede que a situação seja revista. “Estamos, mais uma vez, pagando a conta da irresponsabilidade. Pensamos, sim, na vida das pessoas, mas tem gente que segue ignorando.”
FECOMÉRCIO-RS
A Fecomércio-RS manifesta
preocupação com a perspectiva de novas medidas de fechamento do comércio e de
serviços anunciadas como estratégia de combate à Covid-19 pelo governador
Eduardo Leite. Desde sua reabertura, os comerciantes vêm adotando um protocolo
rígido para conter a disseminação do vírus. É notório que aglomerações,
principalmente do público jovem, em festas de fim de ano, durante todo o
veraneio e no Carnaval em espaços públicos sejam responsáveis pelo crescimento
no número de casos, verificado no momento.
A entidade apoia a adoção de medidas
restritivas pontuais, como restrições quanto à ocupação máxima dos espaços e
fechamentos de atividades entre as 22h e as 05h, reduzindo a incidência de
festas e aglomerações.
No entanto, a Fecomércio-RS alerta que o fechamento do
comércio não apenas é uma medida equivocada com relação ao controle da
pandemia, bem como agrava a situação de crise e o desemprego, comprometendo a
renda e a qualidade de vida de milhões de gaúchos.
O presidente da Fecomércio-RS,
Luiz Carlos Bohn, se reunirá com o governador Eduardo Leite na segunda-feira,
às 08h, para avaliar e sugerir melhorias na estratégia de combate ao
coronavírus, assim como a entidade manterá contatos com parlamentares no
sentido de continuar colaborando para o enfrentamento da pandemia através de
medidas efetivas, como tem ocorrido desde março de 2020.
ACI-NH/CB/EV
Que sejam atacadas as reais causas da contaminação, e não as nossas empresas!
Reconhecemos, desde março de 2020, que nos encontramos diante de uma emergência sanitária sem precedentes e defendemos sempre que os cuidados para evitar o contágio deveriam ser levados muito a sério. Ou seja, o uso de máscara, o distanciamento e a higienização das mãos são ações indispensáveis para deixarmos para trás a ameaça da Covid-19 e, agora, a vacinação chegou para resolver definitivamente a situação. Fizemos, inclusive, diversas campanhas publicitárias neste sentido.
Aplaudimos o governo federal quando, rapidamente, criou o auxílio emergencial e o programa de apoio ao emprego e à renda, além de transferir vultosos valores a estados e municípios para que pudessem fazer frente aos gastos com o combate à pandemia e à queda da arrecadação causada pela mesma. Por outro lado, criticamos a postura deste mesmo governo quando relativizou o problema e tomou algumas decisões importantes neste combate apenas após a pressão da opinião pública. Como principal exemplo disto, temos a aquisição das vacinas, que poderia ter sido feita meses antes do que de fato ocorreu.
Quanto aos governos estadual e municipais, cremos que tomaram, via de regra, decisões que visavam à proteção à população, embora questionemos algumas delas. Como exemplo, podemos citar, em dado momento, a redução do horário de funcionamento do comércio, algo frontalmente contra o bom senso e a ciência, quando o correto seria alongar este horário exatamente para evitar a concentração de pessoas em um mesmo local e horário. E vemos como um erro crasso fechar os negócios formais com a alegação de que isto diminuiria a contaminação.
Pois vejamos: os nossos negócios voltaram a funcionar, após algum tempo, mesmo que com algumas restrições. Nossas empresas, desde o início, cumpriram e foram além dos protocolos determinados pelos governantes para liberar o funcionamento das mesmas. Julgamos isto nossa responsabilidade e não vemos como agir de forma diferente, pois arriscarmos a ter colaboradores ou clientes infectados em nossos ambientes é algo impensável, tanto do ponto de vista de saúde pública quanto para a viabilidade do negócio. E, mesmo assim, o número de casos e de mortes oscilou, algumas vezes para cima, outras para baixo. Ou seja, a contaminação ocorria, e ocorre, fora de nossas empresas.
Entendemos e apoiamos a preocupação dos governantes com o elevado número de contaminações, de mortes e, neste momento, a ameaça de colapso da capacidade de atendimento da estrutura de saúde. Mas já ficou claríssimo, ao longo deste quase um ano, que isto não ocorre devido ao funcionamento de nossos negócios.
Inclusive podemos afirmar, sem medo de errar, que, se as empresas fossem liberadas para funcionar livremente, assim como as escolas (seguindo os protocolos, é claro!), teríamos muito menos contaminações do que temos hoje. Estas ocorrem nos momentos de lazer e de ócio, em festas e aglomerações desnecessárias, e, ao manter-se a maior parte das pessoas em suas ocupações normais, estes eventos diminuiriam sensivelmente.
Assim, apelamos ao bom senso das autoridades para que, sim, preocupem-se e busquem resolver esta grave crise sanitária, mas que cerceiem aquelas pessoas e situações que contribuem, efetivamente, para isto, e não partam para a solução mais fácil, simplista e nada efetiva, que é a de fechar nossos negócios formais!
Marcelo Lauxen Kehl – Presidente da ACI-NH/CB/EV
BANDEIRA PRETS – PROTOCOLOS DO GOVERNO DO RS
– Nos serviços em geral, restaurantes (à la carte ou com prato feito) podem funcionar apenas com tele-entrega e pague e leve, e 25% da equipe de trabalhadores. Essa definição também vale para lanchonetes, lancherias e bares. Salões de cabeleireiro e barbeiro permanecem fechados, assim como serviços domésticos.
– O comércio atacadista e varejista de itens essenciais, seja na rua ou em centros comerciais e shoppings, pode funcionar de forma presencial, mas com restrições. Equipes de no máximo 25% dos trabalhadores são permitidas.
– O comércio de veículos, o comércio atacadista e varejista não essenciais, tanto de rua como em centros comerciais e shoppings, ficam fechados.
– Cursos de dança, música, idiomas e esportes também não têm permissão para funcionar presencialmente.
– No lazer, ficam proibidos de atuar parques temáticos, zoológicos, teatros, auditórios, casas de espetáculos e shows, circos, cinemas e bibliotecas. Demais tipos de eventos, seja em ambiente fechado ou aberto, não devem ocorrer.
– Academias, centros de treinamento, quadras, clubes sociais e esportivos também devem permanecer fechados.

























