Na sexta-feira (19), o governo estadual apresentou o mapa preliminar da 42ª rodada do Distanciamento Controlado.
São 11 regiões em bandeira preta e 10 regiões em bandeira vermelha. Neste domingo (21), o governo estadual informou que recebeu 10 pedidos de reconsideração ao mapa. É o maior número de recursos desde a 30ª semana, em 29 de novembro, quando foram 11 solicitações.
O mapa definitivo das bandeiras será divulgado, nesta segunda-feira (22), às 16h30. A vigência das novas bandeiras será de 23 de fevereiro a 1º de março.
Mas existe uma interrogação no ar.
Ocorre que está em vigor a cogestão. Ou seja, as regiões criaram protocolos regionais, aprovados pelo governo do Estado, que podem ser menos rigorosos.
É o caso da região 7 – ou região de Novo Hamburgo. A Associação dos Municípios do Vale do Rio dos Sinos (Amvars) criou na sua cogestão a bandeira roxa, que seria intermediária entre vermelha e preta. Na bandeira roxa, por exemplo, as escolas poderiam ter aulas presenciais e o comércio não essencial poderia atender – com vários restrições.
Neste sábado (20), 14 dos 15 prefeitos da Amvars se posicionaram a favor da bandeira roxa – apenas o prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi (PT), foi contra, já que ele defende um lockdown no seu município.
PRETA OU ROXA?
Então, o que valerá a partir de terça-feira (23) no Vale do Sinos?
Se a cogestão regional for derrubada – isso já ocorreu em dezembro do ano passado -, valerá a bandeira preta do governo estadual – sem aulas presenciais e comércio não essencial fechado, entre outros impactos. Se a cogestão for mantida, poderá valer a bandeira roxa da Amvars – com aulas presenciais e comércio aberto, entre outros impactos.
A definição da manutenção da cogestão ocorrerá na manhã desta segunda-feira (22), após reunião do Gabinete de Crise com o Conselho de Crise para o Enfrentamento da Epidemia Covid-19, que é formado por secretários de Estado, chefes de outros Poderes e representantes de entidades, federações e órgãos públicos, e também do encontro com a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e associações regionais.
O atual presidente da Famurs e prefeito de Taquari, Maneco Hassen (PT), é favorável à derrubada da cogestão regional, valendo a bandeira preta do governo gaúcho. Já a Amvars, que é uma das associações que vai ser ouvida, defende a manutenção da cogestão e quer fazer valer a sua bandeira roxa.
AMVARS
Segundo o presidente da Amvars e prefeito de Campo Bom, Luciano Orsi (PDT), a opção da entidade foi por ganhar tempo e já adiantar o envio dos documentos com os novos protocolos para o Governo do Estado a fim de garantir que, mantida a cogestão, todos possam já trabalhar sob as regras vigentes. “Nossa a região vinha sob a vigência da bandeira vermelha, adotando protocolos próprios de bandeira azul, no limite da bandeira laranja. Se a cogestão for suspensa teremos um impacto grande, pois sairemos de um protocolo mais flexível para um bem mais restrito, o que é prejudicial para toda a economia. Entendemos a gravidade do atual quadro epidemiológico, mas não é fechando empresas ou limitando o acesso de funcionários que isso será resolvido. De uma maneira geral, em nossas cidades, as empresas, prestadores de serviços e comércio têm seguido os protocolos exigidos. Por isso somos favoráveis pela manutenção do funcionamento desses estabelecimentos. Agora, quanto a agir para inibir a circulação de pessoas e aglomerações em espaços públicos e até privados, somos favoráveis”, destacou.
Orsi entende que o recente decreto que proíbe o funcionamento dos estabelecimentos das 22h às 5h será um importante aliado para conter as aglomerações noturnas, que são uma realidade em todo o Estado. “Estamos no verão e a noite acaba sendo um convite às festas e aglomerações. Essa medida pode ter muito efeito, desde que cumprida. Para isso, além das equipes municipais de fiscalização, precisamos contar com a ajuda dos organismos de segurança do Estado”.
ESCOLAS
Orsi também destaca a importância de se rever o tema educação. “Não vejo sentido também em impedir a continuidade ou retomada das aulas. Aqui em Campo Bom, por exemplo, o ano letivo já havia iniciado com todos protocolos sendo seguidos à risca, como, tenho certeza, que em todas as cidades da região”, salientou.
CRUZADA
Para o presidente da Amvars, a exigência nesse momento é pela manutenção dos protocolos sanitários por parte da população. “Esse tipo de compromisso depende muito mais de cada um do que do poder público. Têm coisas que fogem às nossa alçada! Precisamos convocar as pessoas para se unirem em uma ‘cruzada cidadã” voltada a coibir abusos e aglomerações. Infelizmente tem gente que ainda não entendeu o momento que estamos enfrentando e segue agindo como se não houvesse uma pandemia. Precisamos uns dos outros para coibir esse tipo de comportamento.

























