Após a tragédia de Brumadinho, com centenas de mortos e desaparecidos, autoridades de todo Brasil estão se mobilizando para apurar como estão estruturas iguais ou parecidas. No Vale do Sinos, o alerta também foi ligado.
O prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi (PT), coordenou
juntamente com o secretário geral de governo, Marcel Frison, a reunião do
Grupo de Trabalho (GT) que atua na atenção ao Sistema de Proteção Contra
Cheias de São Leopoldo, conhecido como diques.
Formado por diversas
secretarias e órgãos de governo o GT realizou a reunião de trabalho na
sexta-feira (8). O objetivo é intensificar um conjunto de
ações do município e também cobrar a responsabilidade do Governo Federal
na manutenção da área que envolve diretamente a vida de 80 mil pessoas.
Participaram
da reunião integrantes das secretarias municipais Geral de Governo
(SGG); de Habitação (Semhab); de Meio Ambiente (Semmam); de Obras e
Viação (Semov); do Orçamento Participativo (Semop); do Serviço Municipal
de Água e Esgotos (Semae); da Guarda Civil Municipal (GCM), e da Defesa
Civil.
Vanazzi classificou a situação dos diques como
dramática e chamou a atenção para a falta de continuidade de serviços
de manutenção no conjunto formado pelos diques, canais internos
coletores, reservatórios de amortecimento, casa de bombas e comportas.
“Desde 2017 que estou alertando para a fragilidade do Sistema de
Proteção Contra Cheias. Além de ser um sistema antigo, a manutenção
principalmente dos diques não foi continuada. As últimas grandes
intervenções ocorreram entre 2007 e 2012. A gestão anterior teve verbas
aprovadas para ações de manutenção no valor de R$ 6 milhões e não
executaram o serviço optando por devolver a quantia. Quando assumimos a Prefeitura colocamos todas as casas de bomba em operação e realizamos o
desassoreamento das valas dos diques como forma de atenuar a situação.
Porém a responsabilidade de manter o sistema seguro é do Governo
Federal”, apontou o prefeito.
Vanazzi também pontuou
algumas ações que a Prefeitura vai iniciar para melhorar as condições
dos diques. “Sabemos superficialmente as necessidades mais imediatas,
mas mesmo assim quero que seja produzido um diagnóstico detalhado de
todo o sistema. Há a necessidade de um planejamento integrado,
principalmente nas questões que envolvem o desenvolvimento urbano,
fiscalização das obras, ocupação de fundos de vale e áreas de
preservação ambiental. Outro aspecto relevante refere-se à ocupação
interna das áreas protegidas, cujo sistema de canais e bacias de
amortecimento existentes, vem sendo aterrados, para fins de construção
de edificações. Identifica-se a necessidade de frear o aumento da
densidade de ocupação nestas áreas, haja vista necessidade da presença
dos canais e reservatórios de amortecimento existentes”, esclareceu o
prefeito.
AÇÕES JÁ REALIZADAS PELA PREFEITURA
A
Prefeitura entrou com um processo, em 2017, para que a União custeie,
mensalmente, todas as despesas de manutenção e o processo ainda tramita
na Justiça, sem conclusões. O município também exige o ressarcimento
pelos serviços executados quando não havia convênio vigente. De acordo
com o Semae, o custo para realizar a manutenção é de R$ 3,5 milhões
anuais.
O secretário Marcel Frison destacou a importância da
atenção com relação ao tema, e informou que o Município nomeou o geólogo
Antônio Carlos Genske, como Diretor de Contenção de Cheias do Rio dos
Sinos. “Ele estará à frente da elaboração do diagnóstico, pois acompanha
de perto a situação dos diques há mais de trinta anos”, falou Frison.
O
geólogo falou do trabalho e da importância da manutenção. “Fazer a
manutenção compreende o corte da vegetação para que a corrente de água
em caso de cheia a corrente não tenha obstáculos. Também é preciso
corrigir erosões e fazer o ensaibramento do coroamento dos diques. Esse
serviço deve ser constantemente e envolve também a dragagem do leito do
rio. É aí que entra a parte do governo”, apontou Geske.
HISTÓRICO
As enchentes sempre foram um assunto presente na realidade da cidade, uma vez que o núcleo urbano de São Leopoldo se desenvolveu a partir das áreas baixas em torno do Rio dos Sinos.
No final da década de 1960, a Faculdade de Ciências Econômicas de São Leopoldo (embrião da Unisinos), buscando soluções para o desenvolvimento do Vale dos Sinos, coordenou um grande estudo propondo projetos e alternativas para mitigar os problemas da região. Esse trabalho contou com grande apoio do Governo da Alemanha, que financiou uma comitiva de técnicos alemães que permaneceram quase um ano percorrendo os municípios do vale.
Dentre tantas outras medidas não implementadas, esse grupo de trabalho propôs um abrangente sistema de proteção às cheias. Contando com considerável aporte de dinheiro do governo alemão, em 1974 São Leopoldo dá início a construção do seu sistema de diques. O centro foi a primeira área a ser protegida pelos muros. Demais bairros periféricos tiveram que aguardar vários anos para a ampliação do sistema.

























