Não é novidade que a perda de olfato e paladar por semanas, ou, meses, está confirmada como uma das sequelas mais conhecidas da Covid-19.
Mas, para muitas pessoas, o que tem chamado a atenção no período posterior ao contágio é outro: a queda de cabelo.
Não é um nem dois casos que chegaram ao conhecimento do Portal Martin Behrend.
Os relatos que queda de cabelo em pessoas que tiveram Covid-19 vão aumentando.
A reportagem recebeu registros de duas leitoras que, por muitos dias, começaram a ter muita queda de cabelo, fazendo pequenos volumes quase do tamanho de bolinhas de pingue-pongue.
Num dos casos, a cabeleireira de confiança da leitora afirmou que mais clientes estão registrando essa mesma situação.
LEVANTAMENTO
Essa queixa também foi comum em um
levantamento realizado pela Escola de Medicina da Universidade Indiana e
pela Survivor Corps, com 1.500 pacientes.
Em um estudo americano
recente do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a professora
de Medicina Natalie Lambert também identificou a perda dos fios como um
dos sintomas persistentes do coronavírus.
A reportagem do Portal Martin Behrend recebeu informações repassadas pela médica tricologista Marina Elisa Rombaldi Mezzomo, de Caxias do Sul. Na Stërah Medicina Estética e Capilar, desde março de 2020, a queixa mais frequente é o aumento
da queda de cabelo.
Esse mal tem afetado cerca de um terço dos
diagnosticadas com o vírus e, o curioso é que não ocorre apenas nos
casos mais graves, mas também nos leves e assintomáticos. Muitas vezes o
problema aparece em decorrência de fatores emocionais, nos quais a
pandemia aciona os gatilhos da ansiedade e do estresse.
CONDIÇÕES
A
relação entre o coronavírus e a perda capilar tem sido foco de diversos
estudos ao redor do mundo. Até o momento, esse sintoma tem sido
atribuído a uma condição conhecida como eflúvio telógeno, na qual
os fios param de crescer e começam a cair após um evento traumático.
Esse fato costuma ser mais comum em mulheres, especialmente no período
do pós-parto, no entanto, a pandemia expandiu essa condição para muitos
homens.
O eflúvio telógeno
pode ocorrer por até três meses com a perda de 500 fios por dia e
causar uma queda considerável em curto prazo, mas, não leva a calvície
definitiva.
Geralmente o quadro se resolve de forma natural, contudo, há
maneiras de encurtá-lo, como lavar o cabelo com mais frequência, pois
higienizando os fios conseguimos acelerar a queda que já estava fadada a
acontecer, agilizando o processo de recuperação capilar.
Além
disso, tratamentos focados em estabilizar, melhorar a oxigenação e
aumentar o aporte sanguíneo do couro cabeludo, facilitando a chegada de
nutrientes nos folículos, são indicados para equilibrar o ciclo capilar.
Em entrevista à BBC News Brasil, Andrew Messenger, professor honorário de dermatologia da Universidade de Sheffield e presidente do Instituto de Tricologia do Reino Unido, destacou que os cientistas têm diversas dúvidas sobre as causas dessa situação. “No momento, não temos uma imagem clara do que está acontecendo. Se o coronavírus serve de gatilho para quem já tem predisposição genética de desenvolver alopecia areata, que é uma doença capilar associada a uma reação autoimune, ou se isso está ligado a algum fator desconhecido ou ao estresse em torno da covid-19 no caso de pessoas sem essa predisposição genética”, afirmou à BBC News Brasil.
TRICOLOGIA
A Tricologia é uma subárea dentro da Dermatologia, ou seja, também corresponde a uma especialidade médica. Surgida no início do século XX, na Inglaterra, a Tricologia une ciência e estética para atender pessoas com problemas capilares. O médico tricologista se responsabiliza por cuidar da saúde capilar de homens e mulheres, incluindo problemas como queda, enfraquecimento e fortalecimento capilar.

























