A expressão popular “paciência tem limite” resume o
sentimento de um grupo de empresários de Campo Bom. Cansados de se sentirem maltratados
como clientes da RGE, eles estão estruturando a Associação de Indústrias da
Zona Industrial Sul. O objetivo é ter mais força organizacional e, se for o
caso, buscar reparações judiciais pelos prejuízos que se acumulam.
Somente em 2019, foram quatro eventos em que as empresas
localizadas na rua Walter Strassburger ficaram sem energia elétrica. No mais
longo dos episódios, foram praticamente 48 horas. “Tem empresas que trabalham em
três turnos, ou seja, deixaram de produzir todo esse tempo, com atraso nas
entregas”, destaca João Wagner Brehm, um dos empresários cansados com a
fragilidade do sistema.
Segundo estimativas, as empresas instaladas na rua Walter
Strassburger – cerca de dez – geram de 500 a 600 empregos diretos, superando mais de 2.000
postos de trabalho indiretos. A cada queda de energia, toda essa engrenagem
produtiva é afetada. “O atendimento no reparo da rede é muito demorado. A
impressão que temos é que a RGE não tem interesse em investir nessa região,
pois os episódios se repetem já há algum tempo. Vem de outros anos”, relata
Brehm.
Os empresários chegaram a ter uma reunião com o presidente
da Câmara de Vereadores, Paulo Tigre (MDB), para buscar reforço junto ao
Legislativo. “Não queremos privilégios. Buscamos apenas, como clientes, um
melhor atendimento. Somos responsáveis por gerar centenas de empregos e milhões
de reais em tributos. Não é possível ter uma rede tão vulnerável”, completa
Brehm. O assunto também chegou a Fiergs, onde essa realidade foi repassada a
dirigentes da entidade.
A reportagem do Portal Martin Behrend procurou a assessoria
da RGE. A partir do relato, a empresa enviou o seguinte esclarecimento:
“A interrupção que afetou este cliente, no dia 11/2, ocorreu
em função do forte temporal que atingiu grande parte da área de concessão da
RGE, incluindo o Vale dos Sinos. A distribuidora irá fazer uma inspeção da rede
dessa região, a fim de detectar pontos que possam receber obras de reforço e
modernização de maneira programada e, assim, diminuir os riscos de novos
desligamentos.”

























