Nesta quinta-feira (4), o Portal Martin Behrend publicou a reportagem “Após 60 dias, jornalista deixa o cargo de diretor de Comunicação da Prefeitura de Novo Hamburgo”.
A matéria destacou o pedido de exoneração do jornalista Orestes de Andrade Jr. Ele divulgou um comunicado à imprensa explicando alguns dos motivos de sua saída do Executivo hamburguense.
A reportagem ainda lembrou a instabilidade do setor de Comunicação da Prefeitura, que teve várias mudanças e exonerações ao longo do ano. Relembre a reportagem aqui: https://martinbehrend.com.br/novo-hamburgo/apos-60-dias-jornalista-deixa-a-comunicacao-da-prefeitura-de-novo-hamburgo .
A OUTRA CARTA
Na reportagem acima, está a carta/comunicado de Orestes de Andrade que foi divulgada para todos os jornalistas, radialistas, youtubers e veículos de comunicação.
Contudo, teve uma segunda carta. Ela também é assinada por Andrade e foi encaminhada diretamente ao prefeito de Novo Hamburgo, Gustavo Finck (PP). Esta carta circulou entre integrantes do governo municipal e chegou ao Portal Martin Behrend. A autoria foi confirmada pela reportagem.
A carta tem recados diretos e outros indiretos, que podem respingar em atuais ou futuras investigações do Ministério Público e outros órgãos de fiscalização e controle. Entre os recados sem nome, está o fato de Finck estar aliado ao vereador Ito Luciano e ao ex-vereador Naasom Luciano.
Ano passado, Finck debochou de Ito durante sessão na Câmara – eles eram colegas – e informou que ele perderia todas as indicações de CCs. Meses depois, Finck se curvou à família, que tem dezenas de CCs dentro do governo e está dando as cartas em muitas decisões.
Confira o texto na íntegra.
“Prezado Prefeito Gustavo Finck:
Encerrar um ciclo, às vezes, é como fechar um livro antes do último capítulo: não por falta de história, mas porque o enredo tomou um rumo que já não dialoga com a verdade do narrador.
Cheguei a Novo Hamburgo pela condução segura da secretária Andrea Schneider Pascoal, que tem uma longa trajetória dedicada ao município. A decisão da Andrea de deixar o governo — por razões que o senhor conhece bem — abriu uma janela incômoda sobre o ambiente que se formou no Executivo. Andrea é daquelas figuras raras que funcionam como bússola: sua saída não é ruído, é sintoma. E quem respeita sinais sabe quando não deve ignorá-los.
Hoje, por coerência com meus princípios e pela mudança objetiva no ambiente institucional, comunico minha saída do cargo de diretor de Comunicação assim que terminar meu afastamento legal por licença-paternidade, nesta sexta-feira, 5 de dezembro.
Nos últimos dias, tornou-se claro que a promessa de um novo modelo de gestão enfrentou desafios imediatos. Idealizar uma nova política é uma coisa, sustentá-la no cotidiano é outra. Há sinais evidentes de que práticas associadas à “velha política” voltaram a ganhar espaço. Quando decisões centrais começam a ser tomadas de forma cada vez mais isolada, o resultado natural é um distanciamento entre intenção e entrega. É um movimento que qualquer gestor experiente reconhece.
Quando questionamentos que mereciam esclarecimento ficam sem resposta, acende-se um alerta que não pode ser ignorado. Em comunicação pública, silêncio é um ruído alto — e afeta diretamente a credibilidade da gestão. Sem respostas claras, o pacto de transparência se fragiliza, e o trabalho perde sustentação.
Nestes 60 dias à frente da Comunicação, entregamos resultados sólidos, reconhecidos interna e externamente: capas de jornais, matérias especiais, editoriais e artigos de opinião nos principais veículos da região e do RS. Se não avançamos mais, não foi por falta de estratégia, mas pela dificuldade interna de alinhamento.
Nos últimos dias, ocorreram episódios que reforçaram minha decisão: a demissão abrupta e desrespeitosa de uma jornalista experiente recém-integrada à equipe, a descontinuidade no fluxo de trabalho, as versões vacilantes sobre fatos cotidianos e pressões que afetaram profissionais reconhecidos por seu rigor técnico. Tudo isso indica um ciclo em transformação rápida, cujos critérios já não são claros. Quando pessoas corretas começam a sentir o impacto de forças que não compreendem, é sinal de que o eixo institucional se deslocou.
Gestão inovadora não se faz apenas com disposição para romper padrões. Ela exige estrutura, método, governança e a inteligência coletiva e emocional do líder e da sua equipe. A centralização excessiva pode dar ritmo, mas dificilmente gera solidez. E um governo forte é aquele capaz de combinar velocidade com consistência, jamais um em detrimento do outro. O que parece gerar resultado agora pode se tornar um problema grave logo ali na frente.
Saio com serenidade. Fiz o que estava ao meu alcance e reconheço o momento em que minha contribuição deixa de encontrar as condições necessárias para prosperar. Permanecer sem efetividade seria desrespeito com a função e com a cidade.
Agradeço aos profissionais da Comunicação, que entregam muito mesmo em condições adversas, bem como aos secretários e diretores que seguem dedicados à missão de servir Novo Hamburgo com técnica e responsabilidade.
Deixo o governo, não os princípios que orientam minha atuação: transparência, coerência, lealdade, responsabilidade e ética. Torço para que a gestão reencontre seu melhor desenho institucional, aquele que valoriza pessoas (de verdade!), respeita processos legais e garante coerência técnica e política.
Toda despedida é um ato de coragem. Esta é também um gesto de respeito: à cidade, que aprendi a admirar, ao cargo, à função de jornalista e à minha própria consciência profissional.
Atenciosamente, Orestes de Andrade Jr.”

























