Em tempos de indignação com gastos públicos, falta de
dinheiro para investimentos e melhorias, e protestos pela alta de combustíveis, a maioria dos vereadores de Novo Hamburgo deu mais um exemplo de como não está muito
preocupada com as reclamações da comunidade.
No dia que estourou a greve dos caminhoneiros em todo Brasil
– 21 de maio –, a Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo aprovou o aumento do
salário dos vereadores. Alguns parlamentares buscam eufemismos para justificar suas posições – como reposição ou recuperação salarial. Mas é aumento na veia: 2% no salário de cada vereador,
que já recebe mais de R$ 10 mil por mês.
Não bastasse cada parlamentar ter três ou quatro
colaboradores trabalhando no seu gabinete, a dedicação ao trabalho não ser integral – alguns vereadores
dedicam boa parte do tempo a outra atividade –, a Câmara ter dezenas de servidores, os vereadores ainda seguem
aumentando os próprios salários.
Houve uma tentativa de impedir esse aumento previsto no
Projeto de Lei 38/2018, que atingiu servidores da Prefeitura, autarquias
municipais e da Câmara de Novo Hamburgo.
A vereadora Patricia Beck (PPS) apresentou emenda retirando
prefeita, vice-prefeito, secretários e vereadores do rol de cargos abrangidos
pelo PL. Segundo ela, as supressões ajustariam a matéria ao que de fato é de
interesse da população, evitando ônus aos cofres públicos durante o que
considera um período de crise financeira, quando “o nosso município não
consegue garantir direitos fundamentais constitucionais de forma eficiente e
satisfatória à população hamburguense.”
Patricia criticou ainda o fato de os reajustes para
servidores e agentes políticos terem sido aglutinados em uma mesma matéria,
contrariando prática adotada nos últimos anos de individualizar as propostas.
“Acho muito complicado esse reajuste, no momento em que o município nos traz
dificuldades financeiras. É isso que ouvimos para todas as demandas da
população nas quais buscamos o Executivo. Por mais que seja reposição
inflacionária, é um aumento nos subsídios de prefeita, vice-prefeito,
secretários e vereadores. Dois por cento pode ser pouco, mas é muito perto dos
R$ 17 concedidos ao salário-mínimo”, destacou.
Enio Brizola (PT) e Professor Issur Koch (PP) foram os
outros parlamentares que endossaram a proposta da vereadora. O petista
ressaltou que seria incoerente posicionar-se contrário à emenda quando, na
legislatura anterior, trabalhou na criação de uma proposta conjunta com o
Executivo que excluía até mesmo a revisão remuneratória dos cargos
comissionados.
Issur, por sua vez, aproveitou para defender a aprovação do
reajuste para os servidores, embora entenda que o percentual adotado não
contemple as perdas de poder aquisitivo do funcionalismo. “O que venho
questionar são os índices inflacionários, que dizem que estamos beirando 2%,
quando todos os brasileiros sabemos que os preços têm aumentado em outra
proporção. Voto para que seja assegurado ao menos este índice baixo para os
servidores, mas, na minha opinião, o trabalhador perdeu muito mais do que 2%”,
salientou.
A emenda retirando prefeita, vice-prefeito, secretários e
vereadores do reajuste teve três votos: Patrícia Beck (PPS), Issur Koch (PP) e
Enio Brizola (PT).
Votaram contra a emenda, ou seja, para receber o reajuste: Cristiano
Coller (Rede), Fernando Lourenço (SD), Gabriel Chassot (Rede), Gerson Peteffi
(MDB), Nor Boeno (PT), Raul Cassel (MDB), Sergio Hanich (MDB), Vladi Lourenço (PP)
e Vilmar Heming (PDT). O vereador Felipe Kuhn Braun (PDT) presidia a sessão. Na primeira votação, o vereador Jorge Luz (MDB) estava em licença conforme requerimento nº 597/2018.
Com a emenda rejeitada pela maioria dos vereadores – que garantiram o
aumento dos próprios salários –, o projeto de lei acabou aprovado por
unanimidade, já que atingia também servidores públicos de diversas categorias.
Assim sendo, a comunidade vai seguir esperando algumas obras e investimentos, porque será preciso destinar mais dinheiro para aumentar os ganhos dos vereadores de Novo Hamburgo – mesmo que muitos dedicam boa parte do tempo a outras atividades.

























