Surpreendente: empresários dentro do governo Finck são contra privatização da Comusa

Manifestações chamaram a atenção na sessão desta segunda-feira da Câmara de Vereadores

Diretoria da Comusa foi pedir apoio aos vereadores para manter a Comusa municipalizada. Divulgação

A sessão desta segunda-feira (1º) da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo teve momentos marcantes.

Um deles foi o bate-boca entre os vereadores Deza Guerreiro (PP) e Joelson de Araújo (Republicanos).

O Portal Martin Behrend registrou esse lamentável episódio com direito a palavrão e ofensa: https://martinbehrend.com.br/politica/audio-com-palavrao-bate-boca-entre-vereadores-de-nh-suspende-e-encerra-sessao-da-camara .

COMUSA

Mas não foi somente esse triste momento que chamou a atenção. A fala de empresários que integram o governo do prefeito Gustavo Finck (PP), defendendo que a Comusa – Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo não seja privatizada, surpreendeu alguns vereadores e parte da plateia.

Ao menos três empresários de destaque no governo – o vice-prefeito Gerson Haas (PL), o diretor geral da Comusa Paulo Kopschina (PP) e o líder do governo na Câmara, Giovani Caju Pereira (PP) – alinharam um discurso em defesa de uma Comusa sem privatização.

O surpreendente é que estes três empresários têm histórico aberto de defender mais privatizações, menos burocracia estatal e mais eficiência, redução do tamanho do Estado com menos CCs e atuação em entidades que defendem a iniciativa privada. Gerson, Kopschina Caju, quem diria, agora são contra a privatização. Confira algumas falas durante a sessão:

“Eu quero a Comusa sendo mantida municipalizada. Ela é nossa. É da nossa cidade. Ela é dos nossos contribuintes. Mantenham a Comusa sendo nossa, de nossa propriedade.” – Gerson Haas

“O primeiro plano era, sim, privatizar. Falávamos em dinheiro novo, e dinheiro novo seria vender a companhia de água. Hoje, o prefeito (Finck) refuta qualquer possibilidade de fazer (a privatização). Portanto, a água vai continuar sendo nossa”. Paulo Kopschina

“Muitas vezes eu sou defensor das privatizações. Mas vendo o que a Comusa está fazendo, com um volume imenso de recursos sendo investidos, me dá muita alegria”. Giovani Caju Pereira

“Banco gerenciando água e esgoto não pode dar certo, pois o papel da iniciativa privada é gerar lucro. Hoje, qualquer superávit é utilizado para reinvestimento no próprio sistema” – Neri Chilanti – diretor técnico da autarquia

Os registros abaixo são da sessão de segunda-feira, por Tatiane Lopes/CMNH.

 

 

QUESTIONAMENTO

A vereadora Luciana Martins (PT), em sua participação, destacou a mudança de posicionamento do diretor Paulo Kopschina, que no início de sua gestão cogitou a possibilidade de concessão da autarquia. Ela questionou ainda se o reajuste tarifário de cerca de 30% aplicado aos contribuintes em 2025 – Tarifaço mais reajuste – teria sido responsável pelo superávit da empresa. Kopschina reforçou que a primeira ideia era, de fato, privatizar a companhia em razão das dificuldades financeiras enfrentadas pelo município, mas sublinho que o prefeito refuta qualquer possibilidade de privatização.

Já Chilanti explicou que a recomposição tarifária foi definida pela Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Agesan-RS) e impactou diretamente na capacidade de investimento necessária para reduzir o déficit do município no tratamento de esgoto.

Lembrando que havia a possibilidade de reajuste de 8%, defendido pela gestão anterior, mas passou o reajuste de 25%, num Tarifaço que prejudicou – e segue impactando – milhares de hamburguenses. Como se viu depois em razão da repercussão negativa, o índice indicado pela Agesan foi diluído em três vezes ao longo do anp, num sinal inquestionável que a definição do Tarifaço poderia ter sido evitada.

MOTIVO DA VISITA

A presença de integrantes da Comusa na Câmara de Vereadores teve origem numa mobilização que está ocorrendo em todo o Estado. No dia 30 de março, o governador Eduardo Leite anunciou uma proposta de parcerias público-privadas em diversos setores do Estado. A carteira de projetos inclui serviços em diferentes áreas, entre eles a concessão do saneamento em 176 municípios não atendidos pela Corsan/Aegea.

Contrários a uma possível privatização, representantes da Comusa pediram o apoio dos vereadores na luta contra a concessão dos serviços de água e esgoto de Novo Hamburgo. A participação na sessão desta segunda-feira ocorreu por meio de convite do presidente do Legislativo, vereador Juliano Souto (PL).

Autor do requerimento, Souto ressaltou que a mobilização vai muito além de uma questão política. “Estamos falando de algo que chega todos os dias à casa de cada cidadão. Da água que abastece nossas famílias, nossas escolas, nossos hospitais e nossas empresas. A Comusa não é apenas uma autarquia municipal; é um patrimônio construído ao longo de décadas pela própria comunidade de Novo Hamburgo. Ela nasceu da mobilização da sociedade civil, de lideranças locais e de pessoas que compreenderam que água e saneamento são serviços essenciais e que precisam estar próximos da população e das necessidades do município”, enfatizou

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