Quatro deputados costuram aliança de olho na eleição municipal em Novo Hamburgo

Faltam 15 meses para as eleições municipais de outubro de 2024. O primeiro turno deverá ser em 6 de outubro de 2024. É muito tempo.

Os eleitores não estão preocupados com essa disputa.

Já para lideranças políticas, essa distância tem outra velocidade. Alguns alinhamentos partidários começam cedo. Não é certeza que essas costuras estarão firmes e amarradas até o período de oficialização das chapas.

A história mostra que deserções e mudanças de lado em cima da hora fazem parte do roteiro. De qualquer forma, os bastidores estão agitados.

QUATRO DEPUTADOS

Em Novo Hamburgo, existe um movimento envolvendo quatro deputados com forte representatividade na cidade. O deputado federal Lucas Redecker (PSDB), o deputado estadual Issur Koch (PP), o deputado estadual Rodrigo Zucco/Delegado Zucco (Republicanos) e o deputado estadual Juliano Franczak/Gaúcho da Geral (PSD) estão em conversas para construir uma aliança a fim de chegar ao poder em Novo Hamburgo.

A representatividade é forte: Redecker foi o segundo deputado federal mais votado no município em 2022; Zucco foi o deputado estadual mais votado no município em 2022; Issur foi o segundo deputado estadual mais votado no município em 2022; e o Gaúcho da Geral tem visibilidade na cidade.

Embora existam nítidos desalinhamentos ideológicos e de pensamentos partidários, os quatro parlamentarem estão se reunindo para tentar buscar um consenso a fim de lançar uma coligação para o pleito de outubro do próximo ano. No mais recente encontro, eles expressaram a preocupação com o futuro da cidade. A reunião abordou a importância de discutir a construção de programas que visem ao desenvolvimento e crescimento de Novo Hamburgo.

A representatividade dos nomes é, inquestionavelmente, um ponto forte do grupo. São lideranças conhecidas da imensa maioria dos eleitores.

Entre eles, vigora outro ponto em comum: as críticas ao modelo de atuação da prefeita Fátima Daudt (MDB), considerado sem habilidade para o diálogo. Para os deputados, a centralização de decisões e o isolamento político construído pela prefeita são uma realidade. Há uma avaliação que Fátima afasta políticos – e recursos públicos – do município pelo seu estilo de governar.

Um outro detalhe: até o momento, não há sinais que os deputados pretendam abandonar o mandato na metade. Ou seja, tem boas chances de o candidato a prefeito de uma eventual chapa ser um vereador destes partidos ou alguma liderança de outro segmento da sociedade.

Só que existem outros pontos que certamente precisarão ser trabalhados pelos deputados e seus seguidores:

– Lucas Redecker ainda está no PSDB. Ele é o padrinho político de Fátima Daudt – hoje, no MDB. O PSDB tem o vice-prefeito e diretor-geral da Comusa, Márcio Lüders, vereadores e vários aliados dentro do governo. Como será desqualificar o governo Fátima sem atacar o próprio PSDB?

– No mês passado, o Portal Martin Behrend registrou a ruptura entre Fátima Daudt e Lucas Redecker: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .

– Com a ruptura de Fátima e Lucas, o governador Eduardo Leite (PSDB) e o vice-governador Gabriel Souza (MDB) ficarão em lado “opostos” na cidade: dividirão as atenções ou terão de ficar neutros?

– O PSD, do deputado estadual Gaúcho da Geral, integrou a chapa vencedora da reeleição de Fátima Daudt. É mais um que vai atacar a própria sigla?

– Issur Koch e Zucco são questionadores de alianças com vários partidos em razão dos CCs e pela necessidade de acomodação de caciques partidários. Como vão lidar com esse posicionamento se, tão cedo, estão costurando uma aliança que vai ter muita gente ao redor em busca de cargos?

– Essa situação acima mencionada já tem um desgaste. O deputado Zucco, crítico da aliança partidária realizada pela prefeita na eleição passada, é um dos deputados com mais CCs na Assembleia Legislativa – https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .

– Essa situação de CCs pode ser um ponto fraco do grupo. O deputado Zucco chamou para seu gabinete um rodado político com fama de estar apegado ao poder, independente de quem estiver lá: o ex-vereador Leonardo Hoff. Já tendo sido CC em governo do PT, hoje ele está com Zucco: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .

– O alinhamento do PP com o PT, na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, é outro ponto delicado. Em várias votações, PP e PT votaram alinhados, mesmo em pautas que o PP, historicamente, está em lado oposto ao PT. Esse “avermelhamento” do PP na cidade causa desgaste entre empresários, que perceberam não poder confiar no posicionamento da sigla: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .

OUTRAS FRENTES

Além da aliança dos quatro deputados, o cenário eleitoral em Novo Hamburgo tem outras frentes.

– O MDB, da prefeita Fátima Daudt, vai buscar se manter no poder. A ex-prefeita de Dois Irmãos, Tânia Teresinha da Silva – atuando no governo Fátima -, e o ex-prefeito de Campo Bom, Giovani Feltes, atualmente secretário estadual da Agricultura, são ventilados como nomes com carisma e capacidade de atrair a confiança de eleitores. Em outubro de 2022, Feltes foi o quinto mais votado para deputado federal na cidade, e Tânia foi a sétima mais lembrada para deputado estadual no município. Essa eventual importação de candidatos é mais um sinal de como o MDB não se preparou para a renovação de lideranças na cidade

– O PT deve lançar candidato, até porque o partido vai trabalhar muito a imagem do presidente Lula. Nas especulações, o ex-vereador Fufa Azevedo é o nome que desponta com mais intensidade. Contudo, o partido não descarta tirar da aposentadoria o ex-prefeito e ex-deputado estadual Tarcísio Zimmermann.

– O PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro e presidido nacionalmente por Valdemar Costa Neto – preso por corrupção no Mensalão -, lançou como pré-candidato o empresário e ex-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Novo Hamburgo (CDL-NH), Jorge Stoffel. O PL não tem intenção de se somar ao grupo dos quatro deputados, principalmente por não se alinhar com o PSDB.

– O PDT não deve lançar candidato a prefeito, mas tem dois vereadores com representatividade em bairros populares: Fernando Lourenço, o Fernandinho, e Darlan Oliveira. Só que os dois estão com um histórico recente de noticiário policial. Quem fará aliança com estes nomes?

Faltam 15 meses para as eleições municipais de outubro de 2024. É muito tempo. É fato que tem gente que mudará de sigla até o próximo ano. Ou seja, nada é definitivo.

Agora, é bom deixar registrado alguns movimentos até para saber, lá na frente, como serão finalizadas as costuras políticas e quais critérios ideológicos e de interesses vão prevalecer.

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