O azul é a cor que acompanha há décadas o Partido Progressista (PP). O partido tem suas origens vinculadas a uma política mais liberal e no campo de centro-direita.
No Rio Grande do Sul, uma das principais lideranças é o senador Luis Carlos Heinze, aliado de primeira linha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Contudo, o PP em Novo Hamburgo vai tendo o azul esmaecido. Quando se analisa o trabalho dos vereadores da sigla na Câmara Municipal, fica claro que aparecem tons de vermelho. E isso não é obra do acaso.
Os dois parlamentares do PP, Felipe Kuhn Braun e Gustavo Finck, foram ativos militantes e CCs em siglas da esquerda.
VOTAÇÕES
Historicamente, o PP do Rio Grande do Sul não é aliado do PT, PDT, PCdoB e PSOL. Estão há décadas em campos opostos – salvo exceções.
O PP gaúcho vota num estado mais leve, com equilíbrio das contas, ajustando e sendo a favor de reformas envolvendo o funcionalismo público, criando condições para o Estado deixar de lado o papel de um simples pagador de salários e benefícios ao funcionalismo e ter a capacidade de investir em melhorias para a população.
Em Novo Hamburgo, durante as votações dos projetos da reforma previdenciária municipal apresentada pelo governo da prefeita Fátima Daudt (MDB), os vereadores do PP optaram em se alinhar com o PT, do vereador Enio Brizola, e cederam às pressões dos sindicatos do funcionalismo.
Com argumentos de que não estavam convencidos dos números apresentados por especialistas, jogaram para a torcida. Com sindicatos liderados por servidores da esquerda, simpáticos ao PT, PCdoB e PSOL, Finck e Kuhn Braun se abraçaram à causa e fizeram desabrochar o vermelho adormecido – ou nem tanto – que eles carregam em suas caminhadas políticas.
Com a ajuda dos vereadores do PP, uma parte importante da reforma da previdência municipal não foi aprovada. O preço a ser pago pela comunidade hamburguense pode ser alto, envolvendo redução de investimentos em diferentes áreas. Mesmo com entidades empresariais e do comércio sendo a favor da reforma, os progressistas de Noia optaram pelo alinhamento com os sindicatos e o PT.
HISTÓRICO
Mas de onde vem esse lado vermelho de Finck e Kuhn Braun?
Felipe Kuhn Braun militou por anos no PDT – praticamente uma década. Trabalhou com Gilmar Sossella na Assembleia Legislativa. Essa relação com o trabalhismo e com siglas da esquerda vem de longa data dentro da sua ascensão política.
Gustavo Finck foi assessor do deputado João Derly, que esteve filiado ao PCdoB (de Manuela d´Ávila) e à Rede (de Marina Silva), partidos de viés esquerdista. Circulou ao lado de outros filiados das siglas e foi CC em razão da proximidade com Derly. A conexão comunista também vem de um bom tempo.
É pecado votar junto com o PT e os sindicatos? Não. É crime votar contra a reforma previdenciária municipal? Não. É obrigado a votar de acordo com o alinhamento histórico do partido? Não.
Mas, na prática, os fatos falam por si. Entre o equilíbrio das contas, o futuro do município e o pedido de entidades empresariais, ou a pressão dos sindicatos com simpatia pela esquerda e o alinhamento com o PT, Gustavo Finck e Felipe Kuhn Braun ficaram, em repetidas votações, com a segunda opção.
São as raízes vermelhas dos dois vereadores tingindo o outrora azul do PP.

























