O PDT de Novo Hamburgo vive mais um momento interno de
turbulência. Nesta terça-feira, uma reunião deverá definir a data da eleição
para presidente da sigla no município. O atual ocupante da presidência, o
ex-vereador Ricardo Ritter, o Ica, decidiu não concorrer à reeleição. Com o
partido vendo bandeiras históricas esquecidas no debate interno e muitos
pedetistas se reunindo apenas para discutir cargos em alianças políticas, três
nomes surgem como opções para comandar a sigla e agrupar os cerca de 8 mil filiados:
o ex-prefeito e ex-presidente da Câmara de Vereadores, Antonio Lucas, o
ex-vereador Gilson Thoen e o militante Marcos Hatzenberger.
O consenso neste momento é impossível. Existem visões bem
distintas de como o partido deve ser reerguer. O PDT comandou a Prefeitura com
Airton dos Santos (1997-2004) e foi da base governista nos oito anos do PT à
frente da Prefeitura (2009 a 2016). Em 20 anos, o PDT esteve por 16 dentro da
Prefeitura. Embora tenham muitas conquistas, existe um saldo de desgaste, disputas
internas e um afastamento das demandas da comunidade. Resumindo: falta um
projeto do PDT para Novo Hamburgo – fora os cargos.
Um dos episódios recentes mais marcantes foi a eleição suplementar de 2012. O PDT era vice de Tarcísio Zimmermann – com Lorena Mayer – mas na nova eleição o PDT decidiu que Lorena se uniria a Paulo Kopschina (PMDB). Quem assumiu a vaga de vice ao lado de Luis Lauermann foi Roque Serpa (PTB). Mesmo com a votação interna indicando Lorena junto do PMDB, Lucas e outros nomes ficaram ao lado do PT e ganharam cargos no governo.
A reportagem do Portal Martin Behrend conversou com os três
postulantes ao cargo de presidente do PDT de Novo Hamburgo. Confira como eles
estão se posicionando – a ordem que aparecem corresponde à ordem das
entrevistas:
Marcos Hatzenberger – Militante de longa data, ele diz que
chegou a hora do PDT se renovar. “Há muito tempo não se discutem propostas para
melhorar a cidade. As reuniões são para tratar de vários assuntos, menos de
projetos para o município”, observa. Hatzenberger não concorda com o retorno repetindo
de Gilson Thoen, que voltou à sigla no ano passado e já quer assumir o controle
do partido. “Ele tem um projeto particular e quer fazer isso acontecer. O PDT é
maior que os projetos pessoais dele”, relata. Ele lembra que nomes históricos
do partido, como o ex-prefeito Airton dos Santos, a ex-vereadora Lorena Mayer,
o ex-presidente Lino de Negri, entre outros, foram se afastando e diminuindo a
representatividade do partido. “Não vejo chances de não concorrer. Estou
determinado. É momento de recuperar nossa imagem”, finaliza, salientando que
aceitaria ter Antonio Lucas como seu vice na chapa.
Antonio Lucas – O ex-prefeito e ex-presidente da Câmara de
Vereadores respondeu “acho que sim” ao ser questionado sobre ser candidato a
presidente. “Tem muita gente me convidando. Estamos montando um grupo de apoio”,
conta. Lucas relata uma mágoa com Ricardo Ritter, parceiro de outrora e que
chegou a ser beneficiado com uma secretaria criada nos três meses em que Lucas
foi prefeito. “Como fiquei sem cargo e meu filho não se elegeu, parece que
deixei de ser importante para algumas pessoas”, avalia. Ele avalia que o PDT é
muito grande para alguém chegar de uma hora para outra e tomar conta do
partido. “Falta respeito pela minha história dentro do PDT. Se o Gilson ganhar
a eleição, eu e meus aliados deixamos a sigla num dia seguinte”, garante. Lucas
ainda cobra uma posição da sigla, pois ninguém sabe de que lado está o partido.
“Nossos vereadores indicaram cargos no governo municipal. Parece que está tudo
bem”, completa.
Gilson Thoen – Apoiado pelo atual presidente do PDT
municipal, Gilson Thoen também diz ter o apoio dos vereadores Felipe Kuhn Braun
e Vilmar Heming. Ele voltou à sigla no ano passado – estava no PSDB – e logo
foi indicado para ser o candidato a vice-prefeito na chapa com Luis Lauermann
(PT). Sua presença não teve efeito, com a chapa ficando em terceiro lugar. Ele
busca reorganizar o partido. “Tenho conversado com muitas lideranças para
auxiliarem neste processo de reorganização da sigla. Estou me doando ao partido
para comandar esse processo”, sublinha. Thoen concorda que a falta de identidade
do PDT é um problema e fez o partido perder espaço junto à comunidade. “Não quero
desagregar, pelo contrário, meu objetivo é trabalhar para que o partido saia
fortalecido”, destaca. “Temos de mostrar para Novo Hamburgo projetos que podem
melhorar a cidade. Isso precisa acontecer. E não serão com ameaças internas que
as coisas vão acontecer. Eu, por exemplo, caso perca a eleição, ficarei no
partido. Isso as pessoas precisam saber para perceber minhas intenções”,
conclui.

























