O cenário político está agitado em São Leopoldo, na semana que antecede o Natal.
Políticos com circulação e influência na linha de frente do governo municipal estão envolvidos em dois casos policiais.
CÂMARA DE VEREADORES
Na manhã desta quinta-feira (22), a Polícia Civil cumpriu ordens judiciais de busca e apreensão, bem como a comunicação dos afastamentos das funções públicas de um vereador de São Leopoldo, e da companheira dele, que atualmente exerce cargo em entidade paraestatal.
As ações foram deflagradas dentro da Operação Consiglieri, a qual comprovou a prática reiterada de delitos de concussão contra o erário municipal de São Leopoldo, por associação criminosa estável, cujo líder é o vereador investigado.
As investigações tiveram início depois que denúncias sobre o caso chegaram à Polícia Civil. Conforme o apurado, o vereador exigiria valores de servidores ocupantes de cargos comissionados, sob pena de exoneração e futura perseguição política para quem se recusasse a realizar pagamentos mensais – ato conhecido como “rachadinha”, prática antiga e corrupta, relacionada ao poder de indicação de cargos na Administração Pública.
Essa é a primeira legislatura do vereador que, anteriormente, teria exercido cargo de secretário municipal. Segundo apurado pela reportagem, seria o vereador Rafa Souza (PDT). Ele também é o presidente do PDT de São Leopoldo.

Ainda conforme investigações, o vereador e a companheira dele recebiam mensalmente, em dinheiro, ou via transferências PIX, valores extorquidos que variavam de R$ 600,00 a R$ 2.500,00, a depender do cargo exercido pelo servidor em cargo em comissão e cuja indicação política teria sido do investigado. A investigação ainda constatou a evolução patrimonial abrupta do investigado a partir do ingresso dele nos cargos políticos.
Junto do investigado ainda integrariam a associação criminosa indivíduos ocupando a Secretaria de Administração da Prefeitura de São Leopoldo, junto ao Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae), e o chefe de gabinete do vereador.
Durante a investigação, apurou-se também denúncias sobre exigências de valores para liberação de alvarás junto à secretaria da Prefeitura, quando, supostamente, o mesmo vereador e comparsa teriam exigido R$ 8.000,00 para liberação de alvará de funcionamento para empreendimentos comerciais.
Durante as investigações, o vereador teria tentado intimidar testemunhas, dizendo-se “poderoso”, com “amigos policiais e delegados” e que perseguiria politicamente quem colaborasse com a instrução.
A Polícia Civil também investigou um indivíduo que há 30 anos exerce cargos comissionados e funções de confiança na Administração Municipal e que é considerado por muitos como o “padrinho” político do vereador. A reportagem ainda está tentando contato com o vereador.
AFASTAMENTO
Nesta quarta-feira (21), a Prefeitura de São Leopoldo divulgou Nota Oficial após tomar conhecimento de denúncias envolvendo servidor público – CC -, que concorreu a vereador pelo PT nas eleições de 2020. Confira a nota:
“A Prefeitura de São Leopoldo informa que após ciência dos fatos exonerou, na manhã desta quarta-feira, 21 de dezembro, o servidor apontado como autor de conduta pessoal criminosa totalmente reprovável e oposta ao posicionamento ético e às políticas públicas adotadas por este Governo. Entendemos que tal ato deva ser imediatamente apurado pelas autoridades competentes.
Informamos, ainda, que todos os órgãos da gestão que atuam nestes tipos de demandas sociais foram acionados para que forneçam os atendimentos e encaminhamentos adequados às possíveis vítimas.”
Segundo informações apuradas pela reportagem, a partir de testemunho de vítimas, o ex-servidor é acusado de estuprar e abusar das filhas. Os nomes não são divulgados para preservar a identidade das vítimas conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente.
ATUALIZAÇÃO
Nesta sexta-feira (23), o vereador divulgou comunicado em redes sociais.


























