Fazer o bem pensando no melhor para a comunidade rende demissão em Novo Hamburgo. Ou, no mínimo, gera um constrangimento tal que a pessoa com o mínimo de caráter e honradez pedirá as contas e deixará o trabalho.
Este é o atual cenário no governo do prefeito Luis Lauermann (PT). É um modelo de caça às bruxas adotado por algumas lideranças a fim de intimidar CCs e outros servidores com cargos por indicação. A perversa lógica é a seguinte: faça errado, não critique e procure abafar as centenas de problemas, ou vamos afastar por querer fazer o certo. Eis os dois casos recentes.
1) Vereadora Patrícia Beck (PTB) – A vereadora estava tentando há semanas intermediar a resolução de um problema em rua do bairro São Jorge. A comunidade
cobrava a legisladora – por ser de um partido que integra a administração –, mas ela não encontrava eco dentro da Prefeitura. Até que, no final de janeiro, Patrícia decidiu acampar junto ao problema. Levou cadeira e outros equipamentos avisando que só deixaria o local quando o problema estivesse resolvido. A solução apareceu, beneficiando a comunidade, mas no dia seguinte a cúpula do governo Lauermann mostrou as garras: exonerou um servidor por ser indicação da vereadora. O CC, que nada tinha a ver com a história e que vinha desempenhando seu trabalho normalmente, pagou a conta pelo fato da vereadora se empenhar em solucionar um impasse de bairro. A propósito desta exoneração, perguntei para a Prefeitura qual foi o motivo da demissão do servidor, se ele seria substituído e o que houve. Recebi a
resumida
e quase fúnebre resposta: “Cargos em Comissão são de livre nomeação e substituição.”
Ainda sobre a vereadora Patrícia Beck, ela anunciou ontem, no retorno das sessões na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, que não integra mais a base de governo. Mas também não está na oposição. Ela será vereadora independente, votando contra e a favor a partir da natureza dos projetos e dos benefícios que podem trazer para a população.
2) Lino de Negri (ex-PDT) – Deixou a Companhia Municipal de Urbanismo (Comur). E também deixou o PDT. O motivo: não quis engolir indicações duvidosas para atuar no Comur. Lino quis preservar a companhia da atuação de funcionários com problemas no passado ou sem qualquer experiência. Pensou em colocar outros nomes a fim de melhorar o trabalho na Comur. O que aconteceu? O próprio partido puxou seu tapete. Conforme o suplente de vereador e secretário municipal de Esporte e Lazer, Ricardo Ritter, o Ica (PDT), o cargo de diretor-presidente da Comur é do PDT desde o governo do ex-prefeito Tarcísio Zimmermann. É assim: o PDT é o dono do cargo. E se algum cacique do PT ou do PDT não gostar de algum posicionamento, manda correr. Simples.
Lino de Negri acha que tudo começou em 2014, quando demitiu dois funcionários após o sumiço de R$ 55 mil da Comur. Só que os demitidos eram ligados ao prefeito Luis Lauermann. A decisão gerou insatisfação e veio uma ordem para Lino: empregue imediatamente a esposa de um dos demitidos. Lino não aceitou a imposição, até pelo constrangimento que a aprovação iria gerar. Aí o desgaste começou a ganhar força Recentemente, o PDT indicou para Comur um funcionário que foi pego cometendo uma irregularidade no horário de trabalho – vendia sapatos numa feira ao invés de estar no trabalho público. Lino vetou novamente a nomeração. Ele avaliou que estas aquisições iriam prejudicar o trabalho da Comur. Pensou num melhor serviço prestado para a comunidade. Mas para o PT e PDT isso não interessa: o negócio é empregar companheiros e bico calado. Lino foi demitido. Juarez Kaiser (PDT), que não nega um bom cargo público, assumiu no Comur.
Então, caros CCs, como vocês agirão daqui para frente: defenderão o próprio emprego ou lutarão por um futuro melhor para Novo Hamburgo? A caça às bruxas vai continuar…

























