Ligações obscuras de Finck: qual o custo para a comunidade com a gestão municipal beneficiando empresas ou aliados?

Desde o começo do governo, empresários e pessoas da comunidade vêm apontando situações que podem caracterizar ausência de impessoalidade e desvio de finalidade

Prefeito Gustavo Finck é questionado pela falta de critérios e transparência em diferentes relacionamentos e posturas. Ramon Belmonte/PMNH

Gustavo Finck (PP) está completando cerca de 35% do seu primeiro mandato na Prefeitura.

Além de uma série de promessas de campanha não cumpridas (aumento de IPTU, distritos industriais, fora Ito Luciano, buraqueira nas ruas, Tarifaço da Comusa, entre outros), existem outros aspectos que ajudam a derreter a credibilidade do chefe do Executivo hamburguense.

Desde os primeiros meses de governo, o Portal Martin Behrend vem recebendo questionamentos e apontamentos de posturas suspeitas ou obscuras de Finck. Como estava começando um trabalho, poderia ser algum comportamento inicial a ser corrigido com o passar do tempo.

Contudo, os meses avançaram e empresários e lideranças da cidade seguiram fazendo críticas sobre benefícios ou privilégios concedidos por Finck.

Diante de tantas dúvidas e incertezas, o Portal Martin Behrend lista abaixo situações em que a postura de Finck gera suspeitas de desvio de finalidade ou que podem afrontar o artigo 37 da Constituição Federal, que assim determina: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.”

A seguir, a reportagem menciona situações que chamaram a atenção de empresários e pessoas da comunidade por destoar de uma postura equilibrada, transparente e neutra em favor dos hamburguenses.

 

1) “Eu recebi sim apoio de empresários e até de prefeitos da região, mas isso não é relação de empreiteiras ou de empresas. São empresários que querem ver o melhor para a cidade e têm me apoiado. Sabem que não tenho outra fonte de renda, só salário como político”, afirmou Finck em entrevista concedida à jornalista Joceline Silveira, do Jornal NH, em abril de 2025. Quem são os empresários bons samaritanos que ajudam o prefeito? É sem qualquer interesse, apenas por amor ou simpatia?

 

2) Apartamento de luxo e carros de alto valor. O prefeito e sua família moravam com os sogros de Finck no bairro Liberdade, tendo um carro alugado. Após ser eleito prefeito, a família se mudou para apartamento milionário na Avenida Maurício Cardoso, lindamente reformado, com dois carros de alto valor. De onde vieram estes recursos de forma tão rápida, já que os vencimentos do prefeito subiram apenas cerca de R$ 10 mil mensais – comparando o antigo salário de vereador com o de prefeito? De quem é o apartamento luxuoso onde ele passou a morar?

 

3) Qual o contexto da fala da advogada Andreia Schneider Pascoal, quando pediu exoneração do cargo de secretária municipal, em novembro de 2025: “Minha atuação na comunidade, ao longo de muitos anos, sempre esteve vinculada à defesa da ética, da transparência, do interesse público e do fortalecimento das instituições – princípios que também norteiam minha visão de gestão… Entendo que o atual contexto da gestão não mais se alinha, em sua integralidade, às convicções e premissas que me levaram a aceitar o desafio. Por coerência com a minha história e com o compromisso que assumi comigo mesma ao ingressar no Governo, considero mais adequado afastar-me neste momento.”

 

4) O que houve na misteriosa passagem do empreiteiro Marcelo Vargas pela Prefeitura, em fevereiro de 2025, que ficou menos de uma semana como CC?

 

5) Por que a empresa de patinetes JET foi rapidamente contemplada com a liberação para a prestação de serviços na cidade? Por que a empresa JET está há mais de um ano atuando sem contribuir com o Fundo Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte Público (FUMUTP)? Por que ela teve essa vantagem e outras empresas instaladas há décadas não tem? Por que o município está abrindo mão dessa receita?

 

6) Por que o prefeito trocou abruptamente servidores da Prefeitura para liberar a área onde está instalada a Havan, sem contrapartidas ao município, que poderia receber melhorias estimadas em mais de R$ 10 milhões, abrindo mão desse investimento? Por que abrir mão de melhorias milionárias no entorno da Havan?

 

7) Por que o prefeito trabalhou para desapropriar uma área perto da antiga Aços Plangg? Se a cidade estava com supostos problemas financeiros, qual o interesse do prefeito em desapropriar este grande terreno? Seria repassado para uma empresa? De onde viria o dinheiro?

 

8) Na Festa do Colono de 2025, em Lomba Grande, com a Lei Finck, a Prefeitura não repassou recursos ao evento. Mas o prefeito e o Executivo atuaram diretamente para viabilizar cerca de R$ 60 mil. Algumas empresas reclamaram que não foram procuradas, favorecendo outras concorrentes que tiveram o privilégio de serem “lembradas”. “Não somos impedidos de ajudar na captação, e é isso que estamos fazendo”, destacou à época a secretária municipal Daiana Monzon. A Prefeitura pode determinar quem será lembrado para patrocinar um evento? Com quais interesses? Qual o critério?

 

9) De onde vieram os recursos para instalar luzes de neon no 9º andar do Centro Administrativo Leopoldo Petry? Quem escolheu a empresa responsável pelo investimento? Quem está pagando pelo consumo extra de energia elétrica?

 

10) Onde está a licitação da Rua Coberta, que mudou o lugar de instalação uma semana após ser anunciada? Já foram captados os R$ 6 milhões? Como foi escolhido o engenheiro que fez o projeto, no valor de R$ 99 mil? Se a cidade estava em suposta calamidade, de onde veio esse dinheiro? Como foi indicado o engenheiro? Por que outros engenheiros não foram convidados?

 

11) Por que a Prefeitura indicou uma empresa do Paraná para ser a responsável pela estrutura do Natal na cidade, em 2025? Como teve licitação deserta, por que esta empresa foi a escolhida entre tantas do Brasil? E por que o prefeito atuava diretamente para que a CDL – responsável pela gestão do orçamento de quase R$ 3 milhões – atendesse as demandas da empresa? Por que seguem estruturas do Natal abandonadas no Centro, sendo que foram pagas com dinheiro público?

 

12) A programação para as comemorações dos 100 anos de Novo Hamburgo também serão “surpresas” de novas contratações sem licitação, emergenciais ou em parcerias obscuras?

 

13) Por que o prefeito ajudou a empresa Metalúrgica Renus Metais e Plásticos, que está em Recuperação Judicial? A informação da ajuda consta no Instagram da Renus e em processo na Justiça, em que a empresa diz que o prefeito atuou diretamente num episódio. Consta no processo: “… ocorre com o apoio direto do Prefeito Municipal, que tem assegurado à empresa o acesso à estrutura administrativa necessária para esse momento de reestruturação”. O prefeito recebeu integrantes da empresa em seu gabinete. Por que outras empresas não são ajudadas pelo prefeito?

 

14) A Prefeitura está divulgando, nos seus canais oficiais, espaços e moradores de Novo Hamburgo. É uma divulgação gratuita destas pessoas e seus trabalhos e/ou trajetórias. Segundo apontado à reportagem, as primeiras indicações são de pessoas próximas ao prefeito e aliados. Qual o critério para a Prefeitura usar sua estrutura? Quem define? Quais critérios? Quem critica o governo ou não é amigo de poderosos será lembrado? Ou apenas “bruxos” do prefeito e de aliados terão esse privilégio de terem divulgação com a máquina pública?

 

15) Por que estão ocorrendo tantas contratações de serviços sem licitação, sob argumentação de contrato emergencial? Como exemplo a solução da segurança  das UPAS e Hospital Municipal, após no rumoroso caso da prisão e agressão do  médico plantonista, pela guarda municipal. Falta planejamento, organização? Ou quais as intenções dessa estratégia de evitar a licitação, que muitas vezes custa mais caro ao contribuinte?

 

São tantos questionamentos feitos pela comunidade, mas os critérios e as intenção não estão claras. O fato é que o prefeito Finck atua sem a transparência necessária, pois alguns recebem ajuda, outros não; alguns recebem divulgação, outros não; algumas empresas têm privilégios, outras não. Qual o custo disso para a comunidade? A resposta vai sendo construída com o passar do tempo.

 

PREFEITURA

Durante mais de duas semanas, o Portal Martin Behrend ofereceu espaço para esclarecimentos do prefeito Gustavo Finck. Inicialmente, por e-mail. Depois, se colocando à disposição para uma entrevista pessoal em razão de ser uma reportagem com muitos detalhes a serem questionados – foram três tentativas.

Desde o começo do governo Finck, o Portal Martin Behrend oferece espaço para esclarecimentos à comunidade. Já foram feitos convites para entrevistas, inclusive no Videocast do Portal Martin Behrend – mais de uma vez.

O Portal Martin Behrend, observando critérios do Jornalismo profissional, segue oferecendo espaço para entrevistas e esclarecimentos do prefeito de Novo Hamburgo.

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