O comando da Companhia Municipal de Urbanismo (Comur) de
Novo Hamburgo vai trocar de ocupante.
O atual diretor, Joel Gross, está deixando
o cargo. No seu lugar assumirá Maurício Saul, que atua há quase três anos como
chefe de gabinete da Comusa.
A mudança ainda reflete as alianças políticas que reelegeram
a prefeita Fátima Daudt (PSDB).
Joel Gross é do PSDB, concorreu a vereador no ano passado –
fez 1.389 votos – e ficou como um dos primeiros suplentes da sigla. É homem de
confiança dos tucanos hamburguenses. E por isso mesmo ele afirma compreender a
necessidade de prestigiar um partido aliado.
Mauricio Saul é vinculado ao MDB e, desta forma, recebe um
novo desafio profissional a partir da redistribuição de cargos para aliados. “O
importante é que o trabalho continue sendo bem realizado em favor da comunidade”,
avalia Gross. Já Saul explica que assumirá sem provocar rupturas. “Vamos
manter o bom trabalho que vem sendo realizado e, em algumas questões e desafios
na companhia, atuaremos para avançar”, comenta o novo diretor-geral, que
assume a partir de segunda-feira, 15 de fevereiro. Desta forma, Comusa e Comur estarão sob liderança de nomes do MDB.
Só que a saída de Joel será de uma sala para outra. Isso
porque ele seguirá como diretor Administrativo e Financeiro da Comur. O cargo
é atualmente ocupado pelo advogado Fábio Tomasiak. Ele é concursado e cedeu a sua prioridade para seguir no cargo a fim de contemplar a permanência de Joel Gross
na Comur. “Isso é algo que jamais imaginei. Sempre nos relacionamos muito bem.
Eu estaria indo atuar em outra área. Então, o Fábio fez essa proposição. Ele
segue atuando como concursado e com seus benefícios relativos à função, e eu
sigo auxiliando nos projetos da Comur. Foi um gesto de grandeza”, detalha Gross.
GESTÃO DE RESULTADOS
A situação agonizante do caixa foi somente mais um dos
tantos péssimos legados da gestão do ex-prefeito Luis Lauermann (PT).
Durante
muitos anos foram filiados do PDT que estiveram à frente da companhia. Um dos
exemplos mais eloquentes dessa falta de gestão envolveu o ex-diretor Juarez Kaiser.
Confira duas reportagens realizadas pelo Portal que
exemplificam o descalabro na condução da companhia:
Comur tem prejuízo de R$ 1,5 milhão e segue gastando em
bombons, salgadinhos, rosas, publicidade…
TV Record revela que atual chefe da Faixa Nobre tem 900
notificações por estacionar em local proibido! https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/id/512/titulo/tv-record-revela-que-atual-chefe-da-faixa-nobre-tem-900-notificacoes-por-estacionar-em-local-proibido
NO VERMELHO
Quando Gross assumiu na Comur, em janeiro de 2017, o número que aparecia na conta
era de cerca R$ 3 milhões – negativo! Foi preciso um grande e contínuo esforço para
estancar essa sangria. “Começamos a olhar situação por situação, contrato por
contrato. Fomos descobrindo a realidade e, a partir disso, passamos a agir.
Tinha muita coisa que poderia ser ajustada. Contudo, era preciso vontade para
adotar algumas medidas nem tão simpáticas”, relata Gross. “Fomos dialogando e mostrando aos servidores a realidade em que se encontrava a Comur e o que precisava ser feito”, detalha.
Após quatro anos na direção, o panorama atual revela
que o esforço para tirar a Comur do atoleiro foi válido. A companhia finalizou
o ano contábil de 2020 com R$ 2.039.650,06 em conta – ou seja, mais de R$ 2
milhões.
Além disso, tem uma aplicação no Banrisul com uma reserva de R$ 1,6
milhão exclusivamente para investimentos e melhorias. “Estou orgulhoso. Estamos com recursos para seguir cumprindo com nossos deveres e poder
investir. Não é porque temos esses valores que vamos relaxar. Dessa forma é
possível ter mais tranquilidade, pois temos muitos compromissos a serem
honrados”, salienta Gross. “Chegamos nesse resultado sem subvenções da
Prefeitura, importante frisar”, acrescenta.
MEDIDAS ADOTADAS PARA TIRAR A COMUR DO ATOLEIRO
– Ajustes salariais. Fim de bonificações/premiações
indevidas ou exageradas. Foram mantidos direitos adquiridos. Exemplos: Quinquênios
e Funções Gratificadas (FGs).
– Contribuição para ter plano de saúde. O plano de saúde era
integral aos funcionários. Muitos tinham plano de saúde do companheiro, nem
usavam o plano da Comur, mas a companhia pagava na íntegra. Hoje, plano de
saúde tem uma participação do funcionário.
– Vale-refeição. Valores foram readequados à realidade do
mercado.
– Folha salarial. Anteriormente, não houve concorrência. O Banrisul
era o banco oficial sem precisar disputar essa aquisição. Foram feitos convites
para Banrisul, Caixa e Banco do Brasil. E o Banrisul foi o vencedor e pagou
para ter o direito da folha salarial dos mais de 600 funcionários. Pagou R$ 433
mil por cinco anos. Em 2022, tem renovação e será feita nova disputa.
– Pedreira Municipal. A empresa que lá explorava por
contrato, Vera Cruz, decidiu parar de prestar serviços após o Ministério
Público decidir pela redução de implosões no local. A empresa deixou a
atividade, parou de prestar serviços, mas o contrato estava em vigor. A Comur
foi cobrar o que era de direito dos atrasados. Com isso, veio de uma só vem um
depósito de cerca de R 1,6 milhão. Foi com esse valor, autorizado pelo Conselho
da Comur, que se abriu a aplicação com indicação de ser utilizada somente para
investimentos – não para despesas correntes.
– Plano de Demissão Voluntária (PDV). Cerca de 100
funcionários aderiram, em negociações vantajosas para os dois lados.
– Readequação de escalas das equipes. Funcionários
precisavam cruzar a cidade para ir trabalhar. Alguns, usavam treme ônibus, ou
dois ônibus para chegar ao local designado. Houve realocação de cerca de 30% dos funcionários
mais perto de suas residências, com redução de gastos do Vale Transporte.
– Revisão de aluguel/Troca de endereços. Dois exemplos:
imóveis no bairro Canudos e no bairro Vila Rosa, que eram ocupados pela Comur.
– Efetivação do pregão eletrônico, aumentando as disputas e
reduzindo os valores a serem pagos em contratos.
– Readequação dos itens e das quantidades de material de
limpeza enviados para as escolas, numa ação em parceria com a Secretaria
Municipal de Educação.
– Exigências de qualificação para ocupação de cargos estratégicos e de estagiários.
FAIXA NOBRE
Um dos desafios da direção de Maurício Saul é viabilizar a modernização da Faixa Nobre. Nos primeiros quatro anos do governo Fátima Daudt, este processo teve percalços e dificuldades de aplicação – a revitalização do Centro e a pandemia foram dois dos motivos.
Contudo, um novo sistema de estacionamento rotativo precisa ser colocado em prática o quanto antes, pois as velhas folhas de papel sinalizam atraso nesse processo.
Em 24 de janeiro de 2019, há mais de dois anos, o Portal Martin Behrend produziu a seguinte reportagem ao entrevistar Joel Gross: ” Está chegando a hora de aposentar as folhinhas de papel da Faixa Nobre e oferecer tecnologia no estacionamento rotativo – a matéria completa está no link https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
Como se vê, o tempo passou e essa demanda não evoluiu.
COMUR
A Comur tem sua sede na Estação Rodoviária Normélio Stabel.
Tem cerca de 640 colaboradores em áreas como: merendeira, limpeza e serviço de
copa nas escolas municipais; servente de obra; carpinteiro; eletricista;
pedreiro; soldador; equipe de podas; entre outros.
A Comur tem contrato de responsabilidade de manutenção e
limpeza de praças públicas. Já a limpeza e varrição de ruas , a Prefeitura tem
contrato com a Macanicapina. A Comur também administra a Estação Rodoviária e a
Faixa Nobre – estacionamento rotativo. São diversas fontes de renda, desde a venda de cartões da Faixa Nobre até contratos para prestação de serviços para a Prefeitura.
