As palavras foram levadas pelo vento, o acordo foi rompido e a Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo tem um “novo velho” presidente. Antonio Lucas (PDT) assumirá o comando do Legislativo em 2016 – ele já havia ocupado o cargo em 2008, 2009 e 2013. O derrotado da noite foi Roger Corrêa (PCdoB), que desde 2013 vinha sonhando com a presidência no próximo ano. Contudo, houve muita, mas muita negociação antes do comunista recuar da vaga que tinha sido reservada informalmente para ele. Além do presidente Lucas, a Mesa Diretoria terá Roger como vice-presidente, Enio Brizola (PT) e Cristiano Coller (Rede) como secretários.
Em relação à disputa de ontem, a oposição lançou o nome de Gerson Peteffi (PSDB) e o grupo ficou esperando uma sucessão de reuniões dos colegas da situação, que ocorreram em diferentes espaços da Câmara de Vereadores. Foram quase duas horas de negociações, pressões, questionamentos e rebeldia. Tudo porque Naasom Luciano (PT), por um motivo até não revelado oficialmente, anunciou que não votaria em Roger Corrêa. Dessa forma, a candidatura do comunista foi colocada em risco e a oposição poderia emplacar seu candidato. A portas fechadas, a situação conseguiu a unidade para lançar o nome de Antonio Lucas. Sua chapa recebeu oito votos, enquanto a de Peteffi ficou com seis.
A eleição de Lucas tem dois fatos significativos: um bem positivo e outro bastante negativo. O lado bom da história é que o pedetista tem experiência no cargo e costuma observar o espírito democrático da casa – bem diferente do atual presidente, Vilmar Heming (PR), que vai liberar o cargo sem deixar saudades. Lucas anunciou ainda ontem: a discussão sobre o retorno da TV Câmara está assegurado. Talvez num formato diferente, mas as transmissões devem voltar.
Lucas foi um dos dez vereadores que assinou ofício contra o encerramento da TV Câmara. Se ele mantiver sua coerência e a democracia prevalecer através do desejo da maioria, as transmissões voltam em 2016. Lembrando: mais de 70% dos vereadores queriam a TV – inclusive Lucas –, mas o autoritarismo de Heming impediu essa situação.
O lado sombrio da eleição de Lucas diz respeito a sua recente condenação em 1º grau pela Justiça. A sentença – que implica, inclusive, em perda de mandato – envolve a descoberta de um esquema investigado pelo Ministério Público do período em que ele era o presidente. O vereador do PDT foi acusado e condenado por participar de um esquema em que se tentava barrar processos judiciais através da atuação de um escritório de advocacia.
Qual o recado que a Câmara dá para a população reconduzindo um presidente envolvido num esquema desse porte? Importante frisar que Lucas poderá recorrer da sentença e, por isso, segue atuando no Legislativo. Mas é inegável essa mancha da condenação justamente quando estava na presidência. O blog publicou reportagem sobre a condenação no link: http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=1129 .
Como escrevi ontem, repito hoje: que Deus proteja os hamburguenses.

























