Fevereiro de 1951: o fim do Cinema Guarani e um projeto ousado que nunca se tornou realidade

A manchete do jornal O 5 de Abril de 16 de fevereiro de 1951 mexeu nas emoções de muitos hamburguenses

“Em demolição o Cinema Gauraní”

O tradicional espaço cultural e de cinema do Centro de Novo Hamburgo deixava de existir para um ousado e arrojado investimento: um edifício moderno, com apartamentos, hotel, comércios, restaurante e salas de escritório.

Era o pomposo projeto da Sociedade Amigos de Novo Hamburgo (S.A.N.H.). Seria o primeiro arranha-céu do município. Seria…

O Guarani – ou Guarany – ficava na esquina da avenida Pedro Adams Filho com a rua Lima e Silva – em frente à atual loja Rainha das Noivas, onde existe um prédio residencial com lojas no térreo.

Acompanhe trecho da reportagem de fevereiro de 1951 detalhando a demolição do cinema – foi mantida a grafia original:

“Para que pudessem prosseguir normalmente e em obediência aos ditames técnicos os trabalhos de construção do novo edifício da S.A.N.H., tornou-se necessária a demolição do tradicional Cinema Guarani.

Os ´habitués´ da conhecida casa de diversões do edifício para onde durante longos anos, em assidua frequencia, se dirigiam para apreciar seus filmes prediletos, foram surpreendidos, dias atraz, pelo aviso, de que o mesmo está em demolição e que em virtude disso não haverá mais funções.

Si de um lado sentiram a falta de algo, que já fazia parte integrante de suas predileções, de outro lado, a convicção de quem em breve um ambiente mais atualizado, encravado, em alteroso e moderno prédio, viria oferecer-lher conforto e prazer maiores, os fez conformar-se com a nova situação, indo á procura de outras diversões.

Com efeito, mesmo diante da brilhante perspectiva de ver em breve ressurgir mais esplêndido e mais confortavel o ´seu´ cinema, houve quem dificilmente se conformasse com a fatalidade dessa privação abrupta.”

S.A.N.H.

A Sociedade Amigos de Novo Hamburgo Ltda (S.A.N.H) foi registrada no livro A nº 1 do Registro de Sociedade Civis, a fls. 23 e sob nº 41 de ordem, em 4 de abril de 1950.

Para viabilizar o projeto, foram disponibilizadas inicialmente 200 cotas de 30 mil cruzeiros cada. Após, subiu para 2010 cotas. Os nomes dos cotistas eram divulgados no jornal O 5 de Abril.

Confira a descrição de como seria o edifício:

Frente da Avenida Pedro Adams Filho (12 andares):

– Pavimento terreo – Magnífico e amplo “hall” de entrada do Cinema e pontos de comércio;

– Amplas sobre-lojas;

– 2º, 3º e 4º pavimentos: apartamentos e dependências sociais;

– 5º, 6º, 7º e 8º pavimentos: confortáveis apartamentos para locação;

– 9º, 10º, 11º e 12º pavimentos: moderno Hotel com 44 quartos e dependências para o “café da manhã”;

– Terrace: moradia para Zelador e casa de máquinas.

– Dois elevadores com fôrça própria automática

Frente para a rua Lima e Silva (4 andares)

– Sub-solo: canchas de bolão com “copa”;

– Terreo: entrada principal do Edifício, com amplo “hall” e portaria; entrada de serviço na extremindade Leste do Bloco; pontos de comércio inclusive nas laterais de duas “galerias” de saída do cinema, que se situa na parte “interna” dos “blocos”; amplas sobre-lojas;

– 2º pavimento: escritórios comerciais e profissionais;

– 3º pavimento: Restaurante dotado de todos os requisitos técnicos e higiênicos, servindo de refeitorio do Hotel e de copa social;

– 4º pavimento: Magnífica sede social, com amplo salão de danças e demais dependências confortavelmente projetadas;

CINEMA GUARANY

O jornal O 5 de Abril é o primeiro do município de Novo Hamburgo. A primeira edição é de 6 de maio de 1927 – um mês após a emancipação de São Leopoldo.

Logo nas primeiras edições, a programação do Cinema Guarany passou a fazer parte do noticiário.

Abaixo estão um registro da programação do cinema no jornal O 5 de Abril em edições de de maio de 1927 e de junho de 1927.

Em 1930, o jornal O 5 de Abril publicou anúncio envolvendo a inauguração do cinema sonoro no Guarany.

Em 2015, o Portal Martin Behrend divulgou uma matéria relembrando esta inauguração.

Relembre este momento histórico na vida cultural de Novo Hamburgo: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .

PRIMEIROS PRÉDIOS


Com o projeto da S.A.N.H não se tornando realidade, o primeiro arranha-céu de Novo Hamburgo se tornou o Edifício Minuano.

Os dois primeiros arranha-céus a serem concluídos em Novo Hamburgo foram o Minuano, na rua General Neto (Calçadão, em frente ao Espaço Cultural Albano Hartz) e Charrua (rua Joaquim Nabuco, em cima da livraria Flama). Ambos permanecem erguidos.

Confira abaixo duas reportagens do jornal O 5 de Abril destacando a construção destes dois prédios:


MINUANO – https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/id/114/titulo/como-surgiu-o-primeiro-edificio-de-novo-hamburgo

CHARRUA – https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/id/1066/titulo/edificio-charrua-na-rua-joaquim-nabuco-o-segundo-arranha-ceu-a-ser-erguido-em-novo-hamburgo

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