O ano de 2018 reserva
eleição no Brasil no mês de outubro. A população vai eleger presidente e vice-presidente da
República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais.
Serão seis indicações por eleitor. E entre tantos candidatos, lá estarão vários vereadores de dezenas de municípios brasileiros colocando em campo uma velha e condenável prática da política: vão
se aproveitar do mandato público como vereador para se promover e, se eleitos,
abandonarem o cargo para o qual foram indicados.
É impressionante como os primeiros a desqualificar e
desvalorizar a classe política são os próprios políticos. Esse processo começa
nas Câmaras de Vereadores. Ao invés de honrarem seus mandatos, os vereadores
usam a vitrine como trampolim para buscarem novos cargos na política. E como
ficam os eleitores que confiaram o voto nestes vereadores, caso eles conquistem
um novo cargo? Dane-se, não é mesmo.
Afinal, se um vereador vira deputado estadual, por exemplo,
ele vai priorizar demandas estaduais, e não mais as coisas do município. E no
lugar do vereador vai assumir um suplente, com menos votação, menor expressão e
uma visão política e ideológica que pode ser bem diferente do atual ocupante do
cargo.
É proibido vereador se candidatar a outro cargo? Não! É
ilegal vereador se candidatar a outro cargo? Não! Mas este artigo não trata de
ilegalidade. Trata de moralidade, responsabilidade, compromisso, respeito ao
eleitor, valorização da política. Se o cidadão foi eleito vereador por sua
comunidade, ora, que se cumpra o mandato e depois pense em outros cargos
políticos. Até porque, ele estará usando um espaço público – a Câmara de Vereadores – como plataforma para aparecer e divulgar seu trabalho.
Esse assunto deveria ser de responsabilidade dos partidos.
As siglas é que deveriam indicar novos nomes, mantendo os vereadores e buscando
espaços para outros filiados. Mas o que esperar de partidos no Brasil? São mais de
30, que mudam de nomes para tentar esconder podridões e conchavos do passado.
Abandonar o mandato na metade, traindo a confiança dos eleitores,
é apenas mais uma velha e condenável prática da política. Alguns nomes mudam,
mas as práticas seguem as mesmas, desvalorizando a política, traindo o eleitor,
diminuindo a força do voto. Ah, mas na campanha todos prometem lutar pela sua
comunidade e por cada voto recebido!
PS: Essa mesma prática é seguida por deputados estaduais e
deputados federais, que são eleitos pela comunidade, mas acabam assumindo
outros cargos. Vide os casos recentes de Giovani Feltes (PMDB) e Lucas Redecker (PSDB),
que foram eleitos deputados, mas assumiram secretarias no governo de José Ivo Sartori
(PMDB). Nos seus lugares, assumiram suplentes de outras regiões e perfis.

























