A sexta-feira de protestos despertou um sentimento de
solidariedade na maioria dos trabalhadores que buscavam chegar ao serviço. Com
o dia 28 de abril sendo marcado por protestos nacionais e tentativa de greve geral contra a Reforma
Trabalhista e a Reforma da Previdência – com violência, vandalismo e agressões
por parte de sindicalistas e manifestantes –, muita gente que precisava
trabalhar foi prejudicada. Em Novo Hamburgo, por exemplo, sindicalistas
trancaram a passagem dos ônibus. Quem mais sofreu? Os trabalhadores que não tem
carro e dependem do transporte público.
Enquanto sindicalistas usavam a violência para tumultuar a
sexta-feira, trabalhadores se ajudavam. Foi mais um dia de estender a mão e oferecer a carona
solidária. Pelas 7h30 da manhã, deixei minha residência em direção ao bairro
Boa Saúde. A faxineira da família não tinha como chegar ao trabalho e ela
estava angustiada como faria para honrar seu compromisso – os sindicalistas
impediram a circulação dos ônibus.
Enquanto me dirigia até sua moradia, na Rua Pedro Quaresma
da Silva, fui observando dezenas de trabalhadores mofando nas paradas de ônibus.
Acordaram cedo, se arrumaram, alguns nem tomaram café e foram para sua rotina.
Mal eles sabiam o que os sindicalistas estavam fazendo. Após encontrar a
faxineira, foi hora de trabalhador ajudar trabalhador. Encostei em três paradas
de ônibus e expliquei para três trabalhadores o que estava acontecendo. Ofereci
carona. Eles logo toparam e embarcaram.
E assim, na manhã de sexta-feira, 28 de abril, estavam ali
cinco trabalhadores reunidos num carro familiar: um jornalista, uma faxineira,
dois vendedores em comércios do Centro e uma aposentada que pretendia se
dirigir até a Prefeitura. Fomos conversando sobre a situação e houve uma
unanimidade: quer protestar, protesta; tem motivo para protestar, tem; mas não
arranque a liberdade e o direito dos outros. É isso: o teu protesto não pode
ser uma agressão na minha vida.
Fomos até o Centro, onde os caroneiros desembarcaram na Rua Magalhães
Calvet, em frente ao Walmart. Cada um seguiu o seu destino. Todos economizaram
um dinheiro da passagem. E todos chegaram pontualmente em seus compromissos. “Fica
com Deus e obrigado pela carona”, foi o que falou o vendedor de uma livraria do
Centro. Agradeci e fui também ao meu trabalho.
Não sei se verei mais essas pessoas, mas acredito que fiz a
minha parte de cidadão. De trabalhador ajudando trabalhador.

























