A chegada deles foi festejada. Vieram inicialmente dez unidades, por cerca de R$ 100 mil. Ocorreu um convênio entre o Programa Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos, o Catavida, e o Banco do Brasil. Mais adiante,
foram mais dois reforços, alcançando um total de 12 veículos.
Os carrinhos motorizados para ajudar no recolhimento de resíduos sólidos no município de Novo Hamburgo foram um avanço em se tratando de higiene e bem-estar dos catadores, afinal, oferecem motor com seis cavalos de potência, alimentado a gasolina, com marchas, freio e espelhos retrovisores, além de espaço para carga de ate 500 quilos.
Só que os carrinhos motorizados sumiram das ruas de Novo Hamburgo. Onde eles estão? O que houve com estes equipamentos? A partir de sugestão de pauta de leitor, o Portal Martin Behrend buscou informações.
Os carrinhos pararam de atuar em razão de problemas de manutenção. Permaneceram parados por meses até aparecer uma solução que envolve a Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha. “Com o tempo, a tecnologia não se mostrou a melhor de todas. Estamos buscando novos modelos, ainda mais eficientes e seguros”, comenta o vereador hamburguense Enio Brizola (PT), um grande entusiasta do programa Catavida. “Os carrinhos são importantes e ajudam no trabalho dos catadores. Mas tivemos essa realidade de problemas na manutenção”, completa. Os problemas começaram ainda na gestão do ex-prefeito Luis Lauermann (PT), quando muitos carrinhos já estavam parados e deixaram de realizar suas atividades.
A Prefeitura de Novo Hamburgo também se manifestou sobre a situação dos carrinhos. Foi enviado o seguinte esclarecimento oficial através da assessoria de imprensa:
“Entregues à Coolabore em 2013, os carrinhos motorizados precisaram passar por um estudo de revisão dos seus motores para que suportem o trabalho intenso e diário desenvolvido pela cooperativa. De acordo com a Prefeitura de Novo Hamburgo, parte dos motores dessa frota foi levada à Fundação Liberato com a proposta de que seja encontrada uma solução técnica e ecologicamente viável para deixar os veículos mais potentes e, ao mesmo tempo, reduzir os valores gastos em manutenção. Lembrando que os motores são movidos a gasolina e apresentam índices altos de consumo de combustível em virtude do grande volume de carga suportado pelas carrocerias. Sempre em busca de soluções sustentáveis, a Coolabore irá se reunir após a Mostratec com a instituição de ensino que prima pela inovação tecnológica a fim de procurar a melhor maneira para resolver a questão.”
Quem acabou envolvida com a situação dos carrinhos foi a Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha. O professor e coordenador do Curso Técnico em Manutenção Automotiva da instituição, engenheiro Thiago Fernandes, respondeu a questionamentos enviados pelo Portal Martin Behrend para esclarecer qual o papel da Liberato neste processo.
Quantos carrinhos estão na Liberato? Atualmente temos apenas um carrinho, já tivemos um total de quatro. Três destes a cooperativa recolheu de volta, pois deixamos em condições de uso. Temos em nosso curso sete motores dos carrinhos da cooperativa, apenas aguardando peças para serem montados em seus respectivos carrinhos.
Que tipo de trabalho os estudantes vêm realizando? Nos carrinhos que já passaram por aqui e nos motores que aqui estão, foram realizados trabalhos de limpeza e diagnóstico geral, para o perfeito funcionamento dos mesmos.
Estes carrinhos serão devolvidos ao Catavida? Sim, conforme eles forem montados e testados serão devolvidos. Ficamos com os motores pois estes ocupam menos espaço, e conforme forem chegando as peças de reposição eles serão remontados e recolocados em seus respectivos carrinhos, saindo de nossa Fundação em perfeito estado de funcionamento.
Esta tecnologia e este modelo dos carrinhos estariam ultrapassados? Sim, devido ao preço aplicado aos combustíveis e já existirem modelos elétricos no mercado para esta finalidade.
São modelos adequados para os catadores? Com relação ao tamanho e funcionalidade, sim, são adequados. Pois facilitam o deslocamento dos catadores, mesmo com o veículo à plena carga. Porém, contribuem para a poluição do ar, sonora e oneram a função dos catadores.
Quem sugeriu este encaminhamento para a Liberato? Foi o professor dr. Pedro Giehl, da Fundação Liberato. Ele está diretamente envolvido com o pessoal da cooperativa, me procurou e indagou se o curso Automotivo poderia dar a assistência necessária aos carrinhos da Catavida. Então nos prontificamos a ajudar de maneira solidária, para que os catadores pudessem voltar a utilizar a tecnologia disponível para eles.

























