“É o nosso planejamento. E como ainda estamos como
secretária, vamos seguir o que planejamos”. Essa foi a síntese dos
esclarecimentos prestados pela secretária municipal de Educação, Cristiane
Souza Costa, que esteve nesta quarta-feira na Câmara de Vereadores de Novo
Hamburgo para levar informações sobre a mudança de gestão na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Paulo
Sérgio Gusmão, no bairro Jardim Mauá, que é atualmente administrada pela
Associação Evangélica de Ação Social em Novo Hamburgo (Aevas) e passará para o
regime normal da Secretaria Municipal de Educação (Smed).
Os pais dos alunos estão indignados com a mudança por uma
série de situações. Entre os pontos mais questionados, estão o fato de a
comunidade escolar não ter sido consultada ou convidada para interagir, a mudança repentina e no final de
ano, a falta de tempo para ocorrer uma transição e também para que as famílias pudessem definir se manteriam seus filhos na escola com essa alteração. Os pais
já protestaram em frente ao Centro Administrativo Leopoldo Petry e na própria
escola. A indignação é crescente com a falta de diálogo e a postura irredutível
da Smed.
“Não queremos a terceirização, utilizamos esse recurso por
necessidade. Não é a nossa ideia privatizar as escolas municipais e, por meio
de planejamento, iniciamos o processo de retomada”, disse Cristiane na sua fala,
explicando o motivo de não ter renovado com a Aevas. Segundo ela, são quase
1.000 professores aprovados em concursos públicos para 20 horas e 40 horas e que
precisam sem chamados. Cristiane afirmou que não faltam professores na rede de
educação municipal. “E vocês podem ter certeza que as crianças serão muito bem
atendidas.” Porém, o sucesso do processo de transição da equipe não depende
apenas dos profissionais, mas também das famílias”, ponderou a secretária.
Cristiane não foi clara porque a transição não começou no
meio do ano a fim de preparar pais e filhos para a mudança. Ela também não foi
convincente sobre a falta de diálogo. A secretária não trouxe argumentos convincentes
para explicar a escola da Paulo Sérgio Gusmão. O presidente Antonio Lucas (PDT)
sugeriu que ela deixasse essa mudança para a nova gestão, da prefeita eleita
Fatima Daudt (PSDB). Até porque o modelo da atual administração foi derrotado
nas urnas – ficou em terceiro lugar. Nada feito. Tudo era resumindo no
planejamento. Se o planejamento da Smed está equivocado ou errado, não
interessa para ela. De forma fria e autoritária, sintetizou assim a mudança. A sua linha de atuação é conhecida: o ex-secretário de Educação, Beto Carabajal, simpatiza com esse tipo de comportamento a ponto de ter sido afastado após dezenas de reclamações e protestos.
A vereadora Patrícia Beck (PPS) lamentou a falta de
comunicação que, segundo ela, está marcando a transição. A vereadora também leu
um parecer da psicóloga voluntária da escola, a qual falou sobre o possível
impacto da troca de todo o corpo docente no desenvolvimento das crianças. Por
fim, questionou os critérios que levaram à escolha da Paulo Sérgio Gusmão para
iniciar essa mudança. A secretária explicou que a escola é uma das
mais acessíveis aos professores concursados, então, um dos critérios da escolha
foi a localização. Ela apontou ainda que os informações sobre a transição já
foram repassadas à equipe da nova administração municipal.
Raul Cassel (PMDB) lembrou que, por anos, a terceirização
foi questionada – mas o trabalho da Aevas sempre foi considerado bom. Ele disse
não aceitar o critério da localização, e perguntou por que o processo começou
tão no fim do ano. De acordo com Cristiane, de fato não houve nenhuma queixa do
trabalho dos profissionais da Aevas, que contam sempre com o apoio da equipe da
secretaria. “A localização e o número de professores foram os critérios”,
repetiu. Sergio Hanich (PMDB) perguntou se essa mudança vai representar
economia para o Município. Enio Brizola (PT) sugeriu a criação de uma comissão
de pais para falar sobre o tema com a prefeitura.
Issur Koch (PP) disse ter sido sempre contra a
terceirização, mas que entende a preocupação dos pais. “Como professor
concursado em outra cidade, não posso dizer que vai ocorrer uma tragédia a
partir de janeiro.” Ele perguntou a quantidade de professores que esperam ser
chamados e qual a vigência do concurso atual. A secretária disse que o concurso
foi em 2015, sendo que 403 professores de 20 horas e 543 de 40 horas esperam
para começar seu trabalho na rede hamburguense. “Então, para cada professor
demitido, teremos professores sendo chamados, e que terão salários maiores”,
refletiu o vereador. Ele colocou a Comissão de Educação da Casa à disposição
para ajudar a intermediar o diálogo entre Prefeitura e famílias.

























