A nova diretora da Guarda Municipal de Novo Hamburgo conhece
como poucos a história da corporação. Alba Regina Couto Maciel, 47 anos, é integrante
da primeira turma da Guarda, de 1992. E não esconde sua preferência: gosta de
estar no front, em operações e na condução de ações práticas. “Estes primeiros
dias estão sendo desafiadores, pois tem uma parte burocrática que o diretor
precisa realizar. Mas estou honrada com o convite e considero um reconhecimento”,
avalia. Alba faz questão de sublinhar que, embora as atribuições de papelada,
não será uma diretora de gabinete. “Vamos seguir com o trabalho nos bairros,
com patrulhamento do trânsito, rondas escolares e outras ações nas ruas”,
garante.
Natural de Santana do Livramento, Alba mora em Novo Hamburgo
desde a década de 1990. É casada, mãe de três filhos e uma neta. É graduanda em
Recursos Humanos pelo Centro Universitário Internacional. Ela comandará um
efetivo de 193 guardas, sendo 155 homens e 38 mulheres. É a primeira mulher que
vai liderar a Guarda em 24 anos de história e assumiu o posto na segunda
quinzena de maio.
Nesta semana, a diretora da Guarda Municipal recebeu a
reportagem do Portal Martin Behrend em seu gabinete. A seguir, estão os
principais destaques da entrevista.
Concurso e exames para 20 novos guardas municipais – O
resultado foi publicado em março deste ano. Contudo, até agora, nenhum dos 20
guardas foi chamado. ALBA: “Eu tenho maior interesse em contar com esses novos
profissionais. Até porque, temos um grupo que terá direito a se aposentar em
breve e não queremos diminuir o efetivo. A informação que recebi da Prefeitura:
não há uma definição quando os aprovados serão chamados, mas isso deve ocorrer
até o final do ano.”
Participação da Guarda Municipal com escolta em eventos – Em
março deste ano, a Guarda Municipal não participou dos protestos contra a presidente
Dilma Rousseff, que reuniram cerca de 35 mil pessoas em Novo Hamburgo. Os
organizadores acusaram a Guarda de agir de forma política por ser movimento
contra o PT; já a corporação alegou, à época, que não recebeu a solicitação em
prazo hábil. ALBA: “O ideal é o pedido chegar com antecedência, no mínimo, de
duas semanas, pois o pedido é protocolado na Prefeitura e depois vem pra
Guarda. Trabalhamos com escalas aos finais de semana e a comunidade precisa
saber que tem planejamento para isso. Agora, não temos restrições: caminhadas,
rústicas, passeatas, romaria, passeio ciclístico, enfim, procuramos atender a
todos. Mas precisa solicitar com tempo.”
Flanelinhas – Em eventos de grande porte, como no Estádio do
Vale, casas noturnas/boates ou em clubes sociais, os flanelinhas seguem agindo.
Não há uma ação preventiva. Já no Centro, a atuação de flanelinhas diminuiu
bastante. ALBA: “A Guarda precisa que alguém denuncie. Por lei, atuar como
flanelinha é exercício ilegal da profissão, mas é necessário ter denunciante
para poder ir até a delegacia ser testemunha. Dentro do possível, tentamos
coibir e a prova é que no Centro quase não se tem mais registros.”
Micro-ônibus em operações especiais – Em 2014, a Guarda
recebeu um moderno e equipado micro-ônibus no valor de R$ 780 mil para prevenção
à violência e consumo e tráfico de drogas. Foi conquista após aprovação de
projetos por meio do programa Crack, É possível Vencer, do governo federal.
Contudo, não se vê o veículo em ações policiais mais efetivas. Ele é visto parado
em frente ao Bourbon Shopping e na Rótula do Colégio Pio XII. ALBA: “Temos que
ver o que pode ser feito. Seria interessante ter nas ações da Balada Segura.
Atualmente, ele tem sido bastante utilizado em palestras nas escolas. Vou me
aprofundar no que diz o convênio para definir o alcance de atuação.”
Faixa Nobre: multas e guincho – Em agosto do ano passado,
passou a vigorar nova lei municipal, com a Guarda Municipal tendo autonomia
para multar e guinchar quem está estacionado de forma irregular na Faixa Nobre.
A repercussão foi muito negativa pela agressão que representa aos motoristas –
sem falar no custo de ter de retirar um carro no pátio do guincho. Há um
sentimento da comunidade para se multar os espertalhões que se apropriam de
vagas no Centro, mas se evite guinchar pelo transtorno que gera. Após a onda
inicial dos guinchos, a fiscalização sumiu. Faz duas semanas, a Guarda voltou a
atuar no Centro, com novos carros estacionados de forma irregular sendo
guinchados. A ação ocorreu logo após a publicação de reportagem do Portal
Martin Behrend: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/id/1624/titulo/faixa-nobre-segue-uma-varzea-governo-lauermann-conseguiu-destruir-o-pouco-que-tinha-do-estacionamento-rotativo
. ALBA: “Estamos com agentes circulando pelo Centro. A lei diz que carro
estacionado de forma irregular pode ser guinchado. Mas estamos adotando uma
nova postura: ao identificarmos a placa, o agente informa a central e buscamos,
no cadastro, algum telefone do condutor para informar da situação. Somente no
caso de não encontramos o telefone, é que se solicita o guincho. A comunidade
tem reclamado da falta de vagas por quem fica o dia inteiro estacionado. Então,
é uma maneira do estacionamento rotativo funcionar.”
Proximidade com o ex-diretor Marcos dos Santos, o Marcão –
Ele deixou a Guarda para concorrer a vereador pelo PT. Sua gestão ficou marcada,
entre outros temas, pela falta de diálogo com parte da imprensa e também por
sua condenação em 1º grau em rolo dentro da Câmara de Vereadores – ele está
recorrendo da decisão. ALBA: “Trabalho há anos com o Marcão. Somos amigos. Nestes
primeiros dias, quando tenho alguma dúvida, ligo para ele a fim de esclarecer
como funciona a parte burocrática. Agora, tenho meu estilo de trabalho e
pretendo colocá-lo em prática.”

























