Na segunda-feira à noite, o secretário municipal de Desenvolvimento
Rural, Elton Francisco Rodrigues da Silva, esteve na Câmara de Vereadores e
revelou: em Lomba Grande, uma patrola está encostada por falta de reparos e
outra retroescavadeira está mofando desde fevereiro com o motor fundido. Mas
isso não envergonha ou preocupa a Prefeitura de Novo Hamburgo. Tanto é verdade
que, na semana passada, uma retroescavadeira do município estava atuando em
terreno particular.
O flagrante foi na esquina das ruas São Gabriel e Epitácio
Pessoa, no bairro Primavera. O local era conhecido no antigo Matinho dos
Scheid. Um caminhão também participou da movimentação carregando cargas de
areia, mas não foi possível confirmar se pertence à frota da Prefeitura ou de
uma empresa terceirizada que seguidamente presta serviços ao município.
A denúncia foi feita por moradores do Primavera. Além do uso
indevido de equipamento e servidor da Prefeitura para obra particular, tem
outra situação que entristece a comunidade do bairro: uma figueira centenária
está no terreno e corre o risco de sofrer com as intervenções no local. Já há,
inclusive, marcas de lascas nas raízes, troncos e galhos quebrados. Detalhe: a
figueira é protegida pelo Código Florestal do Rio Grande do Sul. Está lá no
artigo 33: “Fica proibido, em todo o território do Estado, o corte de: I –
espécies nativas de figueiras do gênero ficus e de corticeiras do gênero
erytrina;”. A lei, inclusive, está no site da Semam. No quarteirão ao lado deste
terreno já existe o histórico de uma figueira que definhou e, hoje, sobra capengando apenas seu esqueleto. A preocupação de moradores é que esta segunda figueira
tenha o mesmo destino e venha a morrer pouco a pouco.
Segundo apurado pela reportagem do Portal Martin Behrend, o uso
de máquinas da Prefeitura em área particular só se justifica em caso de risco
de morte ou calamidade pública e, mesmo assim, é preciso um laudo da Defesa
Civil protocolado no Ministério Público informando a movimentação. Não é o caso
da esquina em questão, que é um terreno comum e recebeu atendimento de máquina
e servidor público no horário de trabalho.
Em relação ao antigo Matinho dos Scheid, diversas árvores e
vegetações foram cortadas, deixando o local desfigurado à paisagem histórica. Vários
galhos seguem atirados no local. Também segundo apurado pela reportagem do
Portal Martin Behrend, a Secretaria do Meio Ambiente (Semam) teria fornecido
licença para corte e poda das árvores. “É um crime. Fomos criados neste local e
nunca vi tanta frieza. Foram horas e horas de motosserra. Aquele barulho ficou
cortando a nossa alma”, desabafou uma moradora que reside próxima ao local. “Vimos
que a figueira foi danificada e temos isso registrado. É inaceitável o que está
acontecendo”, completou. A poda e o corte também chamam a atenção, pois não
segue a orientação que a Semam coloca no site, sendo praticada a “poda drástica”.
Na sexta-feira da semana passada, a reportagem do Portal
Martin entrou em contato com representantes da equipe de comunicação da
Prefeitura e da Semam. Coloquei o blog à disposição para esclarecimentos da
Prefeitura. Até o fechamento da reportagem, ninguém se manifestou ou esclareceu
os motivos dessa intervenção em terreno particular com máquina e servidor da
Prefeitura. O terreno não pertence mais à família Scheid, que vendeu a área há alguns anos.
