É a suprema ironia.
Novo Hamburgo se prepara para ter uma casa para a Orquestra de Sopros. Só que a Orquestra de Sopros acabou de encerrar suas atividades por corte de recursos da gestão de Gustavo Finck (PP) e Gerson Haas (PL).
Quer mais ironia? A sede escolhida será num prédio histórico de Hamburgo Velho, a poucos metros da Fundação Scheffel e da Casa Schmitt-Presser. Com 73 anos e, por lei, definida como patrimônio histórico e cultural, a orquestra merece um endereço com muita história.
E, ainda mais irônico? A primeira etapa para a recuperação do imóvel se tornar a casa da Orquestra de Sopros já obteve recursos. Enquanto isso, a Prefeitura cortou 100% dos recursos para a orquestra seguir com seu trabalho.
É muito descaso com um patrimônio de Novo Hamburgo.
A CASA
A ideia da Orquestra de Sopros ter a sua casa foi sendo elaborada nos últimos anos. Com a contínua valorização de Hamburgo Velho, através da recuperação de casarões centenários, a chegada de operações da iniciativa privada, os eventos de rua como Hamburguerberg Fest, Festeje Hamburgo Velho, Brique na Estação e Ilumina Hamburgo Velho, entre outros, veio a ideia de instalar um patrimônio da cidade – a Orquestra de Sopros – num local que é outro patrimônio da cidade e do Brasil: Hamburgo Velho.
O local escolhido foi o antigo Salão Schmitt Streb, onde a música se destacou por alguns anos. O prédio, que também já abrigou o Centro de Especialidades (SEMSAS), foi cedido pela Prefeitura de Novo Hamburgo ao Instituto Arlindo Ruggeri (IAR), em 2022. À época, uma entrega simbólica de chaves foi realizada. O imóvel Fica na Avenida General Daltro Filho.
EDITAL DO GOVERNO ESTADUAL
Selecionado em primeiro lugar na categoria de restauro no edital promovido pela Secretaria de Estado da Cultura, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), o projeto de revitalização prevê a realização da primeira etapa da obra, que envolve um estudo técnico. A iniciativa para a garantir a inscrição no edital foi do Instituto Arlindo Ruggeri.
Com o repasse, será possível iniciar o projeto arquitetônico, estrutural, elétrico, luminotécnico, paisagístico, de acessibilidade, acústico, entre outros. Reforçando: o recurso foi aprovado para ser aplicado na recuperação do imóvel, que será a futura casa da orquestra.
É essa etapa que vai começar.
De acordo com o projeto aprovado no edital, o primeiro passo envolve uma série de visitas técnicas ao imóvel. O documento diz que, no primeiro momento, “as equipes farão o levantamento cadastral de todos os cômodos, tirando as medidas de cada um dos espaços, realizando registros fotográficos, tanto da parte externa como da parte interna”
Também devem ocorrer encontros com o Instituto Arlindo Ruggeri, visando realizar um estudo sobre quais cômodos abrigarão cada tipo de atividade do novo espaço, como estúdios, salas de ensaio, depósito, entre outros. Conforme o documento, a previsão de término para esta primeira etapa do restauro é de oito meses, entre revisões e entrega final.
Após isso, a Casa estará apta para concorrer em novas oportunidades para de fato executar os projetos para o seu restauro.
Que o projeto seja levado adiante. Por ter se classificado em primeiro lugar, mostra a seriedade da proposta e a importância que os avaliadores deram para o projeto.
Mais do isso: a Orquestra de Sopros vai voltar. De algum jeito ou de outro, vai voltar. As cerca de 20 mil assinaturas em abaixo-assinado mostram que existe um grande apoio popular. A cultura está assegurada na Constituição. Defender a Orquestra de Sopros é honrar a história, o legado e um patrimônio da cidade.

























