Recado pro Sartorão: defasagem de soldados da Brigada Militar em Novo Hamburgo é de 50%!

O governador eleito José Ivo Sartori (PMDB) estará hoje em Novo Hamburgo. Ele almoça na Sociedade de Canto União Fraternal, no bairro Industrial, para agradecer os votos recebidos nas eleições e conceder entrevista coletiva. Então, antecipo minha pergunta: “Governador, Novo Hamburgo tem apenas 50% do efetivo considerado ideal pela Brigada Militar para realizar a segurança no município. Como o senhor vai mudar este quadro e garantir mais soldados para proteger a comunidade hamburguense?”

O número total de soldados no município não é divulgado por uma questão estratégica, mas ao longo de 2014 o 3º Batalhão de Polícia Militar (3º BPM) perdeu 43 soldados. Foram para outros municípios a partir de necessidades regionais ou influências políticas. Além do número já ser reduzido, de janeiro até novembro estes 43 homens deixaram de realizar o policiamento ostensivo e atividades administrativas e de inteligência no município. Queda brutal! Em relação às viaturas, o quadro tem atenuantes. Em determinados dias, sobram viaturas e falta gente – um drama que vai refletir na insegurança das ruas. A Brigada Militar se organiza, faz dezenas de operações, prende, mas pelo tamanho de Novo Hamburgo e por aqui ser um polo regional de criminalidade, sempre é insuficiente.

Em relação ao projeto de policiamento comunitário implantado pelo Governo do Estado em parceria com a Prefeitura, que já teve a instalação de 14 núcleos em Novo Hamburgo, também falta efetivo. Quando foram instalados os núcleos não vieram novos soldados. Houve remanejamento de funções nas três companhias do 3º BPM, deixando outros setores desprotegidos. Dos 14 núcleos, 11 estão com a formação completa: quatro integrantes. Contudo, em outros três faltam policiais. Em determinado núcleo só tem um soldado residindo na região indicada. É o cobertor curto: instalaram o núcleo, vieram viaturas, mas o Governo do Estado não enviou novos brigadianos.

Parte da comunidade tem se queixado de não ver o policiamento comunitário funcionando na prática. Cada soldado designado recebe um valor extra para aluguel: R$ 650,00. Só que, segundo apurei, os aluguéis estão caros em determinadas regiões de Novo Hamburgo e, com isso, há dificuldade dos soldados fixarem residência em determinados núcleos. O valor acaba sendo absorvido pelo soldado e aquele núcleo nem sempre tem a formação prevista no policiamento comunitário.

Em relação aos telefones dos núcleos que ficariam à disposição da comunidade, houve exagero por parte dos moradores. Começou a se ligar para os soldados para reclamar de qualquer situação. Com isso, está havendo uma restrição no repasse dos números de celulares dos núcleos de policiamento comunitário. O 190 continua sendo o caminho direto para registro de ocorrências – que, aliás, recebe centenas de ligações ao longo do dia e, acreditem, 50% continuam sendo trotes.

Para finalizar, uma boa notícia: a mais intensa ação do 3º BPM nas últimas semanas ocorreu no bairro Roselândia. Foi desarticulado um esquema de tráfico de drogas – sim, sempre as drogas – que envolvia menores de idade, mulheres e jovens traficantes. Gente que, no currículo, contabiliza dezenas de homicídios. Foram 20 prisões nas últimas semanas, enfraquecendo o tráfico na Roselândia. Resta saber se esse pessoal ficará preso ou fugirá dos presídios.

Sartorão, agora é contigo! Do efetivo considerado ideal pela Brigada Militar, Novo Hamburgo tem apenas 50%. A comunidade clama por mais segurança.

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