A autoridade da Prefeitura de Novo Hamburgo está cada vez menos prestigiada. Em se tratando do episódio envolvendo a residência onde viveu Leopoldo Petry – na Avenida Pedro Adams Filho –, a falta de autoridade somada à ausência de vontade em proteger um patrimônio histórico do município revelam uma desoladora combinação para quem valoriza a história e prestigia os personagens destacados da
cidade.
Acompanho há alguns anos o processo de degradação da residência de Petry – o primeiro prefeito eleito de Novo Hamburgo e uma das principais lideranças no processo de emancipação do município. Os alertas foram feitos para a Prefeitura. Que não se mexeu ou busco ser mais efetiva. Uma das hipóteses
já apontei: o secretário de Cultura, Carlos Mosmann, despendeu tanto tempo,
nos últimos meses, nas suas idas para fumar na Praça 20 de Setembro, que pode ter faltado
tempo para cuidar da preservação do município. A cada tragada, um tijolo vinha abaixo
da casa de Petry.
O episódio mais recente é do final de dezembro. Questionei a Prefeitura sobre a reforma que vinha ocorrendo no prédio. Recebi o seguinte esclarecimento:
“Quanto a casa Leopoldo Petry, ela é de propriedade particular, porém, está na Lista de Intenção de Prevenção do município. A respeito da obra que está sendo feita, ela é uma reforma, que inicialmente era uma demolição, e após uma denúncia foi impedida pela Administração. Esta reforma está impedida de continuar, até que a arquiteta do projeto de reforma entregue para a Comissão de Patrimônio Histórico as alterações exigidas pela própria Comissão.”
Vocês leram bem o que a Prefeitura determinou: “Esta reforma está impedida de continuar…” Passei pelo local na terça-feira. A obra só não segue, como acelerou com mais trabalhadores.
Após passar pela obra na terça-feira, e verificar a situação, entrei em contato com a Prefeitura para solicitar novo esclarecimento. Recebi o posicionamento a seguir:
“A Prefeitura está acompanhando o ocorrido, e está agendada uma reunião da Comissão com a arquiteta responsável.”
Mas a obra não estava impedida de continuar?! Caramba.
Além disso, entrei em contato com a Imobiliária Snel, que está anunciando o imóvel para alugar. Contudo, a imobiliária não forneceu o nome do proprietário, que estaria viajando e não estaria retornando as solicitações da Snel. Eles não têm o nome da arquiteta que está à frente da reforma. A Prefeitura também não divulgou o nome da profissional envolvida neste episódio.
Ainda procurei o presidente da Associação de Arquitetos e Engenheiros Civis de Novo Hamburgo (Asaec), Maicon Schaab, para entender qual é o procedimento adotado pela entidade em casos com este perfil, mas nos contatos telefônicos e via redes sociais não obtive
retorno.
