A Polícia Civil de Novo Hamburgo deu uma resposta muito positiva
no combate aos covardes que criam perfis fakes (falsos) para falar mal,
debochar e atacar outras pessoas. Nesta quarta-feira (25), três responsáveis pela
criação de um perfil fake para denegrir a prefeita de Novo Hamburgo, Fátima
Daudt (PSDB), foram ouvidos pelo titular da 1ª Delegacia de Polícia, Tarcísio
Kaltbach. E confessaram: criaram o perfil Fátima Down para externar descontentamento
com o governo da tucana.
Essa investigação é uma excelente notícia. Pelo mundo, são conhecidos casos de
páginas e perfis que se aproveitam do anonimato – no Brasil, vetado pela Constituição –
para falar mal, atacar, debochar e criticar outras pessoas. E o mais triste:
tem muitos hamburguenses que prestigiam esses covardes, ou seja, estão
“patrocinando” quem se esconde atrás de perfis falsos ou anônimos. Recentemente,
o Facebook retirou do ar várias páginas de Fakes.
O perfil Fátima Down no Twitter foi criado há cerca de dois meses. A
imagem utilizada é do Centro Administrativo Leopoldo Petry e uma foto de Fátima
– desfigurada. Além disso, a sonoridade de Down é parecida com Daudt. O
objetivo é claro: atacar a prefeita. Detalhe: entre os seguidores do perfil,
tem um advogado que foi CC no governo do ex-prefeito Luis Lauermann (PT) e um militante
filiado ao PT. Contudo, os criadores do perfil falso no Twitter não estariam
necessariamente ligados a esse partido político. Foram publicadas 11 mensagens no perfil, sendo que a última seria de 27 de março.
Segundo o advogado Cácio Bortolini, que deixou recentemente a
Prefeitura e está trabalhando como advogado da cidadã Fátima Daudt, a prefeita
ficou abalada com a montagem. “Crítica política faz parte. Ela também não ficou
abalada com a associação que foi feita dela com a síndrome. O que é agressivo é
o modo pejorativo. É o uso que foi dado ao perfil. É uma agressão a ela e também
a quem tem a Síndrome de Down”, explica Bortolini.
Bastante incomodada com essa situação, Fátima registrou
Boletim de Ocorrência na Central de Polícia. A partir disso, a equipe do
delegado Tarcísio Kaltbach começou a investigar. As primeiras informações
concretas foram aparecendo. Dessa forma, o delegado solicitou ao Poder
Judiciário autorização para executar mandados de busca e apreensão.
Nesta quarta-feira, os policiais estiveram em quatro
endereços: as residências de três indicados como os responsáveis por criar e
abastecer o perfil, e também uma produtora cultural, onde estaria o computador responsável
pela criação da conta fake no Twitter. Foram recolhidos computadores, tablets e
celulares. “Conseguimos mais algumas comprovações deles serem os responsáveis
pelo perfil falso, inclusive com imagens salvas nos equipamentos apreendidos”,
detalha Kaltbach.
Os três responsáveis foram até a Central de Polícia e,
confrontados com tantas provas e indícios, admitiram: eram os criadores do
perfil para atacar Fátima Daudt se utilizando da Síndrome de Down para tentar
diminuir a imagem da prefeita. Os pais dos investigados acompanharam os
depoimentos e assinaram a oitiva – mesmo com os filhos tendo mais de 18 anos. “Vamos analisar o que foi apreendido para ver
se encontramos mais difamações ou algo semelhante. Após, poderemos devolver os
materiais, até porque existem trabalhos particulares arquivados”, comenta o
delegado.
O delegado ainda não finalizou o inquérito. Ele está se
cercando de cuidados para definir o enquadramento que será dado aos criadores
do perfil fake. Isso porque, a questão da Síndrome de Down é um agravante nesse
processo. Eles estão em liberdade, à disposição das autoridades.
Já o advogado de Fátima Daudt estuda ingressar com ação de
danos morais. Ele também tem mantido contato com advogado que milita em
entidade que trabalha com pessoas com Síndrome de Down. É possível que uma ação
de indenização também seja protocolada, já que houve um ataque e também uma
difamação a quem tem Síndrome de Down.
A cidadã Fátima Daudt também divulgou uma nota oficial através
do seu advogado, Cácio Bortolini.
“Tomamos conhecimento da ação realizada pela Polícia Civil,
com autorização judicial, na tarde desta quarta-feira, 25, onde foram
apreendidos computadores e celulares em uma empresa da área cultural, aqui em
Novo Hamburgo. A ação foi desencadeada após Boletim de Ocorrência e posterior
investigação da Polícia Civil sobre um perfil no Twitter, que tentava associar,
em tom de deboche, a imagem da Prefeita à Síndrome de Down. A prefeita, por ser
uma figura pública, está suscetível a críticas. Mas esta forma de expressão
demonstra, acima de tudo, um extremo desrespeito a todas as pessoas com
Síndrome de Down e àqueles que tanto lutam pela inclusão, igualdade e contra o
preconceito. Uma situação como essa é abominável e teve início justamente no
período em que a Prefeitura apoiava uma importante campanha de conscientização
desenvolvida pela Associação dos Familiares e Amigos do Down 21 (Afad 21).
Lamentamos profundamente este fato, confiamos no trabalho da Polícia Civil e
nos colocamos à disposição para contribuir com as investigações.”
Parabéns à coragem de Fátima Daudt em denunciar. Parabéns à Policia Civil em investigar com êxito. Que venham mais apurações. Esse crime precisa ser punido. Atacar de forma anônima é um gesto de extrema covardia. Os fracos e vacilões é que apreciam – pena que muitos ainda dano apoio. Mas na hora que os seguidores e quem compartilha também for condenado, as coisas começam a mudar. Esse crime é grave e precisa ser combatido.
PS: Como o inquérito ainda não foi finalizado, o Portal Martin Behrend não teve acessos aos nomes dos três envolvidos.

























