Muitos pais de alunos da rede municipal de ensino de Lomba Grande estão indignados com o secretário de Educação, Beto Carabajal, e com mudanças propostas pela Secretaria Municipal de Educação. O descontentamento cresceu nesta semana após uma reunião realizada na Escola Municipal de Ensino Fundamental Bento Gonçalves, em Lomba Grande, para esclarecimento de uma nova proposta que deverá sair do papel.
Fui procurado por alguns pais, que enumeraram situações que consideraram falta de respeito, desorganização e autoritarismo.
– Secretário Beto Carabajal só ficou no início da reunião e não atendeu demandas de pais e de
representante do Sindicato dos Professores Municipais de Novo Hamburgo.
– Proposta chegou formatada, sem poder de interferência dos pais.
– Demandas sugeridas e apontadas pelos pais não foram registradas na ata oficial do evento.
– Servidor que estava encarregado de anotar as demandas reclamou com os pais que eram muitas demandas e que não conseguia registrar as sugestões.
– Pais e professores reclamam de supostas perseguições de quem contesta orientações da Secretaria da Educação.
Abaixo repasso um registro feito por uma mãe de alunos, Denise Donelli, em nome de um grupo de moradores de Lomba Grande:
"Hoje investi meu precioso tempo em uma ilusão. Fui convida para participar de uma assembleia promovida pela Secretaria de Educação de Novo Hamburgo para fins de discussão de um projeto de Lei que se propõe a normatizar a criação dos Conselhos Escolares da rede municipal. A Assembleia ocorreu no pátio da EMEF Bento Gonçalves, em Lomba Grande.
A abertura foi feita pelo secretário de educação. Porém, o mesmo foi embora antes mesmo de iniciarmos a leitura do projeto de lei. Enfim, permaneceram seus representantes. Faziam parte da assembleia: diretoras e professores das escolas municipais de Lomba Grande, pais e alunos.
A dinâmica do trabalho foi proposta pela equipe da Secretaria de Educação, que comunicou que, depois de lido o documento, as pessoas presentes poderiam se inscrever para fazerem proposições ou solicitar esclarecimentos. Muitas foram as proposições feitas pelos pais e professores presentes.
Ocorre que após mais de duas horas de discussão fomos informados de que não havia ata para ser lida, pois a pessoa responsável por fazê-la não tinha conseguido registrar o que estava sendo falado.
Pergunto se este é um espaço democrático de discussão. O projeto foi apresentado no formato PDF. Ou seja, não podia ser alterado. A ata não foi lida para ser avaliada pelos presentes.
Qual foi o papel dos pais nesta reunião? Por que fomos chamados?
A certeza que ficou é de que a secretaria
quer destituir o poder das Apemens. Associações estas que contribuem ativamente com as escolas, sendo através de recursos financeiros, participação, orientação e ou fiscalização. Fomos usados para fornecer uma falsa aparência de processo democrático. Nossas ideias e opiniões não foram registradas, jogamos palavras ao vento.
Que exemplo a Secretaria de Educação está dando aos nossos filhos? Que estímulo nossas professoras e professores têm para desempenhar suas funções? Hoje perdi meu tempo. Tempo que achava estar indiretamente dedicando ao meu filho. Deveria ter ficado em casa, com minha família do que participar deste teatro."
Procurei o secretário de Educação, Beto Carabajal, para trazer sua versão
dos fatos. Ele respondeu a quatro questionamentos:
1 – A Prefeitura de Novo Hamburgo, através da SMED, ao invés de apresentar o projeto de lei de criação dos Conselhos Escolares diretamente aos vereadores está discutindo-o com todas as Comunidades Escolares. Em todas as escolas o processo foi realizado em clima de respeito, esclarecimento de dúvidas e diálogo, com exceção da Escola Bento Gonçalves. Acontece que alguns poucos pais já estavam predispostos e organizados para criar tumulto e rejeitar qualquer discussão sobre a criação dos Conselhos Escolares. Mesmo assim, com muito esforço e respeito, o secretário Beto Carabajal e a equipe dirigente da SMED coordenaram a plenária para apresentar o anteprojeto de lei, a fim de ser debatido com as representações das comunidades escolares para depois ser encaminhado para votação na Câmara de Vereadores.
2 – Os Conselhos Escolares estão previstos em lei e são requisito para que as Escolas e a SMED continuem recebendo recursos do governo federal. O objetivo é ampliar os níveis de participação com representação para além dos pais e mestres (professores), incluindo os segmentos de alunos e funcionários das escolas. No projeto de lei está previsto que os Conselhos Escolares sejam as Unidades Executoras de todos os recursos oriundos do Poder Público. Não haverá dois organismos e sim um que vai ter o papel dirigente, auxiliando a direção da escola, mas que deverá convocar assembleias gerais com a comunidade escolar para definir as decisões estratégicas e avaliar o desempenho da escola. Nada impede que os atuais dirigentes das Apemens possam ser os dirigentes dos Conselhos Escolares.
3 – O secretário de Educação participou da abertura da reunião, onde contextualizou a necessidade da criação dos Conselhos Escolares e logo a seguir conversou com três pais e esclareceu as dúvidas, sendo que foram estes pais que insistiram posteriormente na reunião nos questionamentos que foram, sim, devidamente esclarecidos pela equipe diretiva da SMED para a maioria da comunidade presente. O secretário de Educação teve que se deslocar para reunião em outra escola no bairro São Jorge.
4 – As sugestões de alteração são registradas pela equipe de redatores para, depois de sistematizadas, serem devolvidas às comunidades escolares. O resultado final das assembleias resultará na elaboração final do projeto de lei que será assinado pelo prefeito Luis Lauermann e encaminhado para votação na Câmara dos Vereadores.
Divulgo
esta situação que não está bem resolvida – há nítidas
contradições entre o relato dos pais e o relato do secretário. São duas versões. Cabe registrar que esta questão de suposto assédio moral por parte da Secretaria da Educação vem sendo apontada há alguns anos pelo Sindicato dos Professores Municipais. Finalizo lembrando que não é a primeira vez que hamburguenses reclamam de gestos
autoritários
do secretário Beto Carabajal.
