Os familiares de Juleica Maria Duarte Francisco, 72 anos, cansaram de esperar em silêncio. Ela está internada desde 12 de maio no Hospital Municipal de Novo Hamburgo. Foi hospitalizada com um quadro de úlcera, chegando via Samu após desmaio e inconsciência por mais de cinco minutos.
Por uma sucessão de episódios de morosidade, a cada dia, a situação da sua saúde vai se agravando. Além da doença que motivou a internação, dona Juleica vai apresentando sinais de depressão.
Motivos para esse agravamento não faltam: um exame fundamental não é realizado, uma solicitação teria sido esquecida pendurada num setor do hospital e o quarto em que está internada tem partes demolidas, aumentando o cenário de descaso e a sensação de abandono. “É uma situação que está ficando insustentável”, desabafou o filho Fabiano Fetter.
A irmã da dona Juleica, Jussara, gravou um vídeo mostrando o quadro debilitado dela e desabafando. “Esperando um mísero exame, que não dão jeito fazer. Desmarcaram no último instante. Como a médica vai tratar, se não fazem exame?”, desabafou. “Olha o estado da minha irmã! É um absurdo. E vem o prefeito (Finck) falar que está tudo legal. A nova recepção ficou bonita, mas o resto está largado. É só papo do prefeito. Vamos à luta, não vai ficar assim”, continuou. “Ela entrou caminhando no hospital. E agora está com fortes dores, amarelão, usando fraldas. E a médica precisando de um exame”, completou a irmã.
Quem também está diretamente envolvido buscando soluções é o companheiro da dona Juleica, Carlos André Francisco. “Ela está anêmica, causada por excesso de bilirrubina no sangue que detona com os glóbulos vermelhos. Está aguardando um exame terceirizado de colangioressonância com contraste, que definirá de vez o que diminui drasticamente o fluxo de enzima entre fígado e pâncreas”, detalha.

Francisco destaca que esse exame foi solicitado entre 14 e 15 de maio pela médica. Contudo, conforme relatado para a reportagem, até 20 de maio não tinha sido assinada a requisição urgente do exame. “Ao ir na Coordenação Administrativa do Hospital Municipal para coletar esclarecimento, o exame foi encontrado pendurado no quadro mural deles, ainda sem assinatura da Supervisão Médica”, desabafou.
A partir de uma interlocução com o vereador Joelson de Araújo (Republicanos), no dia 22 de maio foi viabilizado um agendamento numa clínica particular de Novo Hamburgo para 28 de maio. Estava tudo certo, inclusive com ambulância agendada. Contudo, horas antes da dona Juleica ir para o exame, foi informada por uma enfermeira que houve o cancelamento. Teria ocorrido um erro de agendamento por parte da clínica particular. A paciente caiu no choro.
No dia 29 de maio, veio uma nova informação: o exame será, agora, no dia 5 de junho. Diante de todo esse impasse e suposto descaso, a família fez um registro na Ouvidoria do Hospital Municipal de Novo Hamburgo. “Até agora não se sabe nem o horário que vai ser, porque para fazer o exame tem a preparação de 12 horas. Então, será que vai ser nesta sexta mesmo ou só estão nos enrolando?”, questiona Fetter.
HOSPITAL MUNICIPAL
O Portal Martin Behrend procurou a Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo (FSNH). Foi enviado o seguinte posicionamento:
“Em relação à demora para a realização do exame solicitado, esclarecemos que o mesmo não é realizado pela instituição, sendo indispensável o encaminhamento e agendamento junto a serviço terceirizado especializado. O exame estava inicialmente programado para o dia 28 de maio, porém, na própria data agendada, a empresa responsável comunicou a impossibilidade de receber a paciente, o que demandou o reagendamento para esta semana.
Quanto às alegações de negligência, a Fundação de Saúde Pública reforça que a paciente permanece sob acompanhamento multiprofissional permanente, recebendo todos os cuidados, avaliações e tratamentos indicados conforme sua condição clínica. Não há descontinuidade na prestação da assistência e a equipe assistencial tem acompanhado o caso de forma contínua, adotando todas as medidas clínicas necessárias para garantir a segurança e a adequada assistência à paciente durante o período de espera.
No que se refere à estrutura física do hospital, reconhecemos a instituição demanda de melhorias e modernizações. A Administração tem pleno conhecimento dessas necessidades e vem atuando de forma contínua na busca de recursos financeiros para viabilizar as adequações necessárias. Paralelamente, estão sendo realizadas intervenções e reformas de forma escalonada, conforme a disponibilidade orçamentária e o planejamento institucional, com o objetivo de qualificar gradativamente os ambientes assistenciais e proporcionar melhores condições de atendimento, acolhimento e conforto aos pacientes e seus familiares.
Ressaltamos que, apesar dos desafios estruturais enfrentados, a qualidade da assistência prestada e o compromisso das equipes com a segurança e o cuidado aos usuários permanecem como prioridades permanentes da instituição.”

























