Por: DOC – Agência de Conteúdo
Não
tem sido fácil estacionar nos arredores da Avenida Maurício Cardoso. Em alguns
horários, quem circula pelas ruas da região tem dificuldades no deslocamento
pela grande quantidade de veículos pelas ruas. Os transtornos de locomoção e de
vagas para estacionar têm se tornado uma preocupação para moradores e
comerciantes, que contabilizam os prejuízos com a rápida expansão no número de
altos prédios verificada nas últimas duas décadas.
Com
um dos metros quadrados mais caros da cidade de Novo Hamburgo, a região da
Avenida Maurício Cardoso experimentou grande crescimento a partir de 2004,
quando mudanças no Plano Diretor alteraram as densidades para o local,
liberando as construções. O desenvolvimento rápido não foi acompanhado por
melhorias estruturais: o projeto de alargamento da Maurício Cardoso nunca saiu
do papel. Enquanto isso, as entradas dos prédios e a reserva de vagas para
carga e descarga limitaram ainda mais os pontos de estacionamento.
Moradores
da região têm questionado a fiscalização quanto ao uso dessas vagas para carga
e descarga, que está a cargo da Guarda Municipal, e mesmo a aprovação de novas
edificações. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh),
no entanto, todos os projetos passam por análise do corpo técnico da Prefeitura,
tanto nas questões que tangem o código que edificações, quanto ao Plano Diretor
que estipula índice construtivo, afastamentos e atividades. “As análises são
feitas caso a caso e podem ser sugeridas ações antes de liberar determinada
construção”, explica a diretora de Desenvolvimento Urbano da Seduh, Laís
Corteletti.
Mesmo
com os problemas vivenciados por moradores e comerciantes em ruas como Heller,
Augusto Jung, Mauricio Cardoso, Silveira Martins, Gomes Portinho, Almirante
Barroso e João Antônio da Silveira, além da parte alta do bairro Jardim Mauá, a Prefeitura não tem nenhum plano de restringir novos prédios na região.
Questionada se haveria algum planejamento específico sendo montado para o
local, a Seduh respondeu: “O que se visa é analisar a cidade como um todo. O município
estará sendo reestudado na revisão do Plano Diretor e também na implantação do
plano de mobilidade urbana”.
Novo Hamburgo x Barcelona
A diretora da Seduh faz ainda um paralelo
entre Novo Hamburgo e a cidade espanhola de Barcelona. “Conforme dados do IBGE,
a densidade de Novo Hamburgo urbano, sem a zona rural de Lomba Grande, é menos
de 4mil/km² enquanto Barcelona, uma cidade exemplo em questões urbanísticas, tem
uma densidade de 16.453,6 /km²”, afirma apontando que a densidade demográfica
da cidade não é alta.
A
própria Laís Corteletti, no entanto, reconhece a diferença entre Novo Hamburgo
e a cidade espanhola, uma vez que Barcelona é uma cidade voltada ao transporte
coletivo. “Um dos maiores problemas que os países de terceiro mundo enfrentam é
a disseminação do carro particular, visto que o transporte público é caro e peca
em qualidade. É cada vez mais comum vermos famílias com um carro por pessoa.
Todos impactos de trânsito estão relacionados a essa questão. Não há
planejamento urbano no mundo capaz de equacionar essa questão”, afirma.
A
comparação com Barcelona é particularmente esmagadora para Novo Hamburgo quando
se observa os investimentos que a cidade fez. Ainda no início da década de
1990, quando se preparava para receber os jogos Olímpicos, Barcelona realizou
grandes investimentos em infraestrutura e conta com excelentes meios de
transporte coletivo. Novo Hamburgo, por outro lado, não tem realizado investimentos
na melhora de sua estrutura viária.
No transporte coletivo a situação é ainda
pior: a prefeitura tem tentado realizar uma licitação para a melhoria do
serviço desde 2011. Seis anos depois de publicar o primeiro edital, considerado
cheio de brechas para irregularidades pelo Ministério Público de Contas, a
prefeitura, depois de dois prefeitos do PT e agora com a prefeita Fátima Daudt
do PSDB, ainda não conseguiu alterar o sistema.

























