A Avenida Vereador Adão Rodrigues de Oliveira, em Novo Hamburgo, está recebendo recapeamento asfáltico. Não em sua totalidade, mas em mais de 2,1 quilômetros nos dois sentidos. Boa notícia! Mas num simples ato de melhorar o asfalto de uma solitária via de um município fica escancarado um dos principais motivos para o Brasil não dar certo: a concentração absurda, equivocada e mercenária de tributos em Brasília. No atual modelo, apenas 14% dos recursos ficam nos municípios, 26% nos Estados e 60% em Brasília, nas mãos da União. Está errado. Há muito tempo. E pouco se faz para mudar.
A Avenida Vereador Adão Rodrigues de Oliveira precisava há anos do recapeamento asfáltico. Em novembro de 2012, o deputado federal Ronaldo Zulke anunciou a liberação de verba a partir de emenda parlamentar de sua autoria – louvável iniciativa. Pois estamos em setembro de 2014 e agora a obra está sendo finalizada. Do seu anúncio até o término da pavimentação serão quase dois anos de espera! Dois anos para recapear uma mísera avenida. Fora o tempo anterior que a via já estava desgastada. É demais! Está errado!
O investimento é de R$ 1.215.000,00, por meio de emenda parlamentar, e a contrapartida do município é de R$ 227.400,00.
E, incrível: um trecho da avenida ficará sem recapeamento!
O dinheiro dos tributos precisa ficar nos municípios. Um recapeamento asfáltico, por exemplo, entre a definição da necessidade da obra, licitação e execução, não pode passar de quatro ou cinco meses. E o município precisa ter este recurso. Foi preciso mendigar uma emenda parlamentar do deputado Zulke para após quase dois anos do anúncio da liberação do recurso ver a obra ser executada e finalizada em duas ou três semanas.
Imaginem este caminho sendo feito por mais de cinco mil municípios, buscando asfalto, escola, creches, postos de saúde, sinalização de trânsito, ambulâncias, etc! Quando tem enchentes é a mesma coisa!
Está errado. Muito errado. Não tem como o Brasil dar certo com todos indo mendigar verbas em Brasília, se humilhando, pagando propina e usando o toma-lá-dá-cá permanentemente. Algum candidato vai mudar essa realidade? Não ouvi isso até agora. O Brasil seguirá humilhantemente atrasado.

























