Os defensores da inutilidade e do desperdício de tempo e de dinheiro público com as câmeras de videomonitoramento em Novo Hamburgo têm um prato cheio, praticamente um banquete, para engordar suas teses. Uma agressão ocorrida na quinta-feira da semana passada na região central do município, com várias testemunhas, não foi registrada por duas câmeras da videomonitoramento localizadas a cerca de 50 metros do local da ocorrência. Solicitei por três vezes à Guarda Municipal, via assessoria de imprensa da Prefeitura, o envio das imagens para tentar identificar o agressor e entender o que exatamente ocorreu, mas nada foi enviado.
O local da agressão foi na esquina das ruas Lucas de Oliveira e Joaquim Pedro Soares, em frente à sede da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI-NH/CB/EV). Detalhe: existe uma câmera no cruzamento da Joaquim Pedro Soares com Júlio de Castilhos e outra câmera na Joaquim Pedro Soares com Joaquim Nabuco. Nada foi registrado.
Segundo testemunhas que trabalham na ACI, era por volta de 10h30 de quinta-feira da semana passada. Uma mulher tentava cruzar a Joaquim Pedro Soares, quando um carro quase avançou sobre ela. A pedestre teria reclamado da aproximação violenta do motorista. O condutor desceu do veículo, empurrou e chutou a cidadã. Um casal vinha logo atrás, com um bebê no colo – seriam familiares da vítima – e começaram a gritar desesperados com a situação.
Após agredir a pedestre, o motorista voltou pro carro e arrancou. Antes, com tudo, teve seu carro atacado por pedra arremessada por pedestre inconformado com a cena e a agressão covarde no meio da rua. O impacto da pedra teria quebrado um dos vidros do carro do agressor. Duas câmeras localizadas a cerca de 50 metros da agressão nada viram. E se fosse um roubo? E se fosse um assassinato? Para que servem mesmo as câmeras de videomonitoramento?
Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo
Na semana passada, estive na Câmara de Vereadores acompanhando a explanação do secretário executivo do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGI-M), Mauro José da Silva. Ele foi prestar contas aos vereadores do sistema de videomonitoramento. Silva disse que o monitoramento é realizado 24 horas por dia pela Guarda Municipal e pela Brigada Militar. São, ao todo, 41 câmeras. Segundo ele, os problemas de manutenção já foram, em grande parte, resolvidos. “Hoje, temos quatro câmeras em manutenção – 10% do total, o que é bastante aceitável.”
A ideia, segundo o secretário executivo do GGI-M, é ampliar o sistema, incluindo algumas vias sugeridas pelos vereadores e outras definidas por meio do Orçamento Participativo. Além disso, a situação dos veículos filmados poderá, em breve, ser consultada nos órgãos responsáveis. No papel e nos discursos tudo organizado; a prática e a vida real, como se viu na agressão sofrida por uma pedestre, desmentem as palavras e colocam em dúvidas se vale a pena seguir investindo no atual formato de videomonitoramento.
Esta notícia está veiculada na coluna Vale Tudo da edição de 27 de março de 2015 do Jornal Canudos

























