Durante anos, ela fez companhia aos moradores do entorno da
rua José de Alencar, no bairro Rio Branco, em Novo Hamburgo. Ficava num terreno
em frente à Igreja Adventista. Era local de pouso obrigatório para dezenas de
pássaros, que preenchiam o silêncio com um canto harmonizado. Na primavera, se
revestia do amarelo das flores. Era frondosa. Era.
Uma árvore com muitos anos de história, que durante anos fez
companhia ao esqueleto de uma construção que nunca se concretizou, não existe
mais. O corte gerou indignação de alguns vizinhos do terreno. “O tronco dessa
árvore era inclinado desde que essa árvore cresceu, décadas atrás. Agora
coincidentemente com a limpeza das estruturas de concreto da área, a árvore
tornou-se um risco”, questionou um leitor. “Haverá uma contrapartida de plantio
de 15 árvores o mais próximo desse terreno possível. Ouvindo alguns comentários
de pessoas, para se ter uma autorização de remoção na cidade, basta ter dinheiro,
pois o motivo se arranja”, desabafou o morador.
A reportagem do Portal Martin Behrend entrou em contato com
a Prefeitura de Novo Hamburgo. Foi enviado esclarecimento da Diretoria de
Proteção Ambiental (DPA) com respostas aos questionamentos feitos sobre árvore no bairro Rio
Branco, por meio da Gerência de Arborização Urbana e Unidades de Conservação,
vinculada à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam):
Qual a fundamentação do laudo que permite a remoção de uma árvore desse porte?
DPA – Após a visita técnica ao local, constatou-se a inclinação do tronco da
canafístula. Identificou-se que a inclinação não era natural da árvore e, sim,
por algum problema estrutural do solo/raízes.
Por que só agora alguém viu risco de queda?
DPA – A Semam foi demandada mediante o protocolo número 487531/2017, datado de
24 de outubro deste ano. E, no dia 26 daquele mês, foi autorizada a remoção
mediante alvará de manejo.
Por que tamanha rapidez nessa liberação para remoção?
DPA – A Diretoria de Proteção Ambiental atende os protocolos relacionados à
Arborização Urbana em 24 horas, para que as árvores que oferecem risco de queda
sejam avaliadas. Quanto mais rápido detectarmos o problema, menores serão as
chances de ocorrência de acidentes. É importante reiterar: todas as vistorias
de arborização, devidamente protocoladas, são realizadas em até 24 horas.
Não havia outra solução possível?
DPA – Como o tronco é que estava inclinado, uma poda de equilíbrio não seria
eficiente. No caso, infelizmente, não havia como manter a árvore sem correr o
risco de causar danos ao seu entorno.
Quem fiscaliza as contrapartidas e aonde serão plantadas essas novas árvores?
DPA – A fiscalização da compensação ambiental exigida pela Autorização de
Manejo de Vegetação é de responsabilidade da DPA. A recomendação é de que as
mudas sejam plantadas no mesmo terreno onde houve a supressão ou, caso não seja
possível, nos espaços mais próximos àquela área. No caso específico, por se tratar de um exemplar frondoso, foi exigida uma
compensação de plantio de 15 mudas de árvores nativas do Rio Grande do Sul,
sendo todas de, no mínimo, 1,5 metro.
VEJA A SEGUIR REGISTROS DO CORTE DA ÁRVORE

























