No dia 23 de outubro, o Portal Martin Behrend publicou a reportagem: “Empresa dentro de banhado? Com críticas, Prefeitura de NH transfere audiência do Plano Diretor”.
A matéria revelou que o novo Plano Diretor apresentado pela Prefeitura – que ainda será votado na Câmara de Vereadores – apresentou a possibilidade de autorização para a instalação de empresas no banhado do Rio dos Sinos, junto da Avenida dos Municípios.
Com toneladas de terra naquele trecho, certamente vai sobrar menor área para as águas do Rio dos Sinos se espalharem em tempos de cheia. E isso poderá representar mais riscos de alagamentos em outras regiões.
A matéria pode ser relembrada aqui: https://martinbehrend.com.br/novo-hamburgo/empresa-dentro-de-banhado-com-criticas-prefeitura-de-nh-transfere-audiencia-do-plano-diretor .
Posteriormente, o Portal Martin Behrend publicou uma segunda reportagem sobre a realização de audiência pública do Plano Diretor, onde este tema foi novamente questionado por especialistas. Relembre aqui: https://martinbehrend.com.br/novo-hamburgo/audiencia-do-plano-diretor-de-nh-protesto-manifestos-duvidas-e-incertezas-sobre-as-mudancas-propostas .
TEMOR DE MORADORES
Essa possibilidade do banhado receber aterros e impactar em mais alagamentos nas proximidades motivou a presença de moradores do Loteamento Integração, no bairro Lomba Grande, na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo.
Diante da apreensão e dos riscos de uma possível alteração, Anderson Morbach e Jonathan Marmit, representantes da Associação de Moradores da Vila Integração, participaram da reunião da Comissão de Direitos Humanos (Codir) nesta semana. Durante o encontro, relataram a ausência de medidas efetivas para mitigar os impactos das cheias no último ano e denunciaram o que classificam como abandono da comunidade pelo poder público.
Morbach afirmou que diversos protocolos foram abertos solicitando melhorias nas estradas e nos serviços públicos da região, mas que raramente obtêm retorno. Morador da área mais baixa do loteamento, ele contou que sua residência ficou completamente submersa na enchente do ano passado e que as inundações recorrentes do Rio dos Sinos vêm provocando o esvaziamento progressivo da localidade, além da desvalorização dos imóveis. “Parece que há uma preocupação maior com bairros como Canudos e Santo Afonso. A Integração, que enfrenta problemas semelhantes, acaba invisibilizada”, lamentou. O loteamento existe há cerca de 40 anos e abriga aproximadamente 880 moradores.
Jonathan Marmit relatou que, após a construção da Avenida dos Municípios, as enchentes se tornaram mais frequentes. Ele acredita que projeto apresentado, que prevê o aterramento de uma área de esponjamento do rio para a implantação de indústrias, pode piorar a situação. “Não somos contra o desenvolvimento do município, mas ele precisa ser justo e sustentável, pensando nas pessoas”, afirmou.
Ele lembrou ainda que há projeto para a transferência da EMEB Helena Canho Sampaio da área de risco, o que, segundo ele, tende a agravar ainda mais as condições de vida das famílias. “Vão nos isolar da educação, mas nossos problemas continuarão sem solução”, declarou. Marmit também criticou a cobrança de dívidas de IPTU de moradores que tiveram suas casas atingidas pelas cheias.
A presidente da Codir, Professora Luciana Martins (PT), informou que o Movimento Roessler para Defesa Ambiental já ingressou com denúncia no Ministério Público contra a proposta. Ela ressaltou a importância de ouvir especialistas técnicos para buscar soluções efetivas aos alagamentos enfrentados pela comunidade.
O vereador Enio Brizola (PT) recordou que, ainda durante a audiência pública, se posicionou contra a proposta de edificação sobre a bacia de esponjamento do rio. Segundo ele, o tema não é novo no Legislativo e já foi debatido tanto por vereadores quanto por profissionais da área de Engenharia.
Brizola defendeu a execução de obras integradas de contenção ao longo de todo o curso do Rio dos Sinos, desde sua nascente em Caraá. O parlamentar também citou investimentos federais na melhoria do dique do bairro Santo Afonso e no programa Compra Assistida, que viabiliza moradias a famílias atingidas. “Temos 18 arroios em Novo Hamburgo, somos uma cidade assentada sobre a água. Esta é uma luta ambiental, por moradia e por educação, uma luta de todos. Precisamos de uma grande mobilização para impedir que esse projeto se concretize”, enfatizou.
Durante a reunião, o vereador Eliton Ávila (Podemos) entrou em contato com servidores da Diretoria de Esgotos Pluviais e foi informado de que o Governo do Estado está realizando estudos sobre toda a área da Bacia do Sinos. O parlamentar reforçou a necessidade de mobilização da comunidade.
Ao final, Luciana Martins apontou um descompasso entre as ações da administração municipal e as reais demandas da população, observando que intervenções realizadas, como no bairro Santo Afonso, foram viabilizadas com recursos do Governo Federal. A vereadora sugeriu que os representantes organizem assembleias com os moradores para ampliar o debate e fortalecer a mobilização comunitária.
