Em
grave crise desde o início do alastramento da pandemia do novo
coronavírus, o setor calçadista brasileiro contabilizou a perda de 44
mil postos no primeiro semestre, conforme dados oficiais elaborados pela
Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).
Em
dezembro do ano passado, o setor empregava diretamente 269,4 mil
pessoas, número que caiu para 225,4 mil no registro de junho deste ano.
Com as demissões e desligamentos de pequenas empresas e ateliers, esse número passa de 45 mil trabalhadores demitidos nos primeiros seis meses de 2020. O curioso é que nos dois primeiros meses, quando ainda não havia a pandemia, o saldo de contratações estava positivo.
RIO GRANDE DO SUL
O Estado que mais perdeu postos no semestre foi o Rio Grande do Sul, principal polo calçadista brasileiro, que responde por 22% do total produzido e 46% das receitas geradas com exportações de calçados no Brasil.
No semestre, as fábricas gaúchas perderam 14,7 mil postos. São Paulo foi o segundo Estado que mais perdeu postos ( – 8 mil), seguido do
Ceará ( – 5,8 mil) e Bahia ( – 4,7 mil).
O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, ressalta que, no entanto, existe um quadro de arrefecimento das quedas, consecutivas desde março deste ano. Segundo ele, no pior mês da crise, em abril, foram perdidos mais de 29 mil postos na atividade, número que caiu para 16,5 mil em maio e 5,2 mil em junho. “O fato se dá pela abertura gradual do comércio físico em alguns dos principais centros de compras do País, caso de São Paulo. Ainda estamos longe de uma recuperação substancial, mas é um alento”, avalia.
Ferreira ressaltando que o quadro de “despiora” deve
seguir até o final do ano. “Uma recuperação mais substancial só será
sentida no ano que vem, isso se tudo der certo, acharmos a vacina e o
comércio estiver em pleno funcionamento”, comenta Ferreira, destacando
que a indústria de calçados responde rapidamente aos estímulos da
retomada do consumo, especialmente no âmbito doméstico, que responde por
mais de 85% das vendas do setor.
VETO PRESIDENCIAL
O dirigente calçadista, porém, alerta para um fato que pode barrar a recuperação esperada para o próximo ano.Segundo ele, a Abicalçados, com o apoio da base parlamentar, tem trabalhado para barrar o veto presidencial à continuidade da desoneração da folha de pagamentos para 2021. “Estimamos que, caso se confirme o veto, o setor perca mais 15 mil postos ao longo do próximo ano”, afirma.
O mecanismo da desoneração da folha de pagamentos permite que 17 setores econômicos intensivos em mão de obra, entre eles o calçadista, substituam o pagamento da alíquota de 20% sobre a folha de salários por 1,5% da receita bruta, excluindo as exportações.
A Abicalçados estima que com a reoneração o setor tenha um acréscimo de mais de R$ 570 milhões por ano em carga tributária.
Saldo de empregos mensal no setor (Brasil)
(MTE/Abicalçados)
Janeiro: + 6.844 postos
Fevereiro: + 8.394 postos
Março: – 8.137 postos
Abril: – 29.312 postos
Maio: – 16.530 postos
Junho: – 5.246 postos
Total de postos em junho: 225.443 (queda de 19% ante período correspondente de 2019)

























