Hotéis de Novo Hamburgo reduzem mais de 400 leitos neste ano como reflexo da economia instável

O ano não está positivo para o setor hoteleiro de Novo
Hamburgo. Houve redução em mais de 200 quartos (ou mais de 400 leitos) em
operações no município.
No primeiro semestre, quem encerrou as atividades foi o
Hotel Fenac, deixando de ofertar cerca de 100 leitos – reportagem publicada
pelo Portal em junho: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i… Neste mês, quem encerrou as atividades foi o Hotel Internacional, com 165
apartamentos (cerca de 350 leitos). No local, deverá abrir um outro
empreendimento com perfil de hotelaria para idosos.

Como Novo Hamburgo é um município conhecido pela promoção de
feiras, competições esportivas e o ambiente de negócios internacionais, o
fechamento dessas operações tem relação direta com a instabilidade na economia
brasileira. Mas até que ponto essa redução na oferta de hotéis pode prejudicar
a atração de eventos?
César Silva, presidente do Sindicato Empresarial da
Gastronomia e Hotelaria de Novo Hamburgo, Estância Velha, Campo Bom, Sapiranga,
Ivoti e Dois Irmaos (SindGastrHô), faz a avaliação desse quadro e destaca o
impacto para a movimentação da economia local. Atualmente, são cerca de dois mil leitos oferecidos em operações de diferentes portes no município.


Existe alguma explicação técnica para o encerramento dessas operações? É a
crise e a falta de eventos?
O mercado de hotelaria nacionalmente tem passado por
mudanças e adequações. A região tinha um grande volume de negócios com foco
corporativo. Após a crise, as empresas que fazem negócio com a região fizeram
adequações e diminuições de custos. Pontualmente, no caso do Green Park, há a
questão da reforma da Fenac e a adequação de mercado do operador a sua
realidade atual. No caso do Internacional, foi realizada uma negociação pelo
grupo proprietário com outro negócio de hospedagem com foco na terceira idade.
São movimentos sentidos na hotelaria nacional e necessários à adequação de
novos cenários.

Qual o impacto para Novo Hamburgo, afinal, são mais de 200
quartos (cerca de 450 leitos) que deixam de ser ofertados? Como isso pode prejudicar
os eventos culturais, empresariais e esportivos que temos no município?
É um volume importante que, provavelmente, será suprido pela
hotelaria da região e de São Leopoldo. A ocupação média da região é baixa, com
exceção dos períodos nos eventos na Fenac e Teatro Feevale. Se levarmos em
consideração que abertura do Ibis, que se deu há mais ou menos 3 anos, voltamos
ao número aproximado de leitos da época.


Existe alguma ação do poder público ou da comunidade que pode ser feita para
atrair novas operações ao município?
O sindicato participa do Conselho de Administração da Fenac. A Fenac tem
trazido eventos importantes para a região. Entendo que podemos nos tornar uma
região polo de eventos de negócios no Brasil com a revitalização da Fenac e com
a construção do Aeroporto 20 de Setembro. O aumento de eventos corporativos no
Teatro Feevale, além dos culturais, também são um caminho importante. A nossa
região tem como essência os negócios e o estímulo do poder público ao Turismo
de Negócios é fundamental. Esse estímulo deveria ser regional e permanente. O
turismo de compras também cresceu muito após a vida do I Fashion, mas é uma
operação que pode ser visitada em um dia, sem a geração de diárias.

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