A gestão do prefeito de Novo Hamburgo, Gustavo Finck (PP), começa com uma inquietação: a indefinição de secretários municipais titulares.
As secretarias municipais da Fazenda, Obras, Esporte e Cultura vão completar mais de um mês sem secretários titulares.
As pastas estão sendo coordenadas de forma provisória pelo prefeito ou por outros secretários e integrantes do primeiro escalão.
É uma situação que contrasta com os municípios vizinhos, onde as gestões começaram completas e com os novos integrantes aproveitando os primeiros dias para se entrosar e conhecer as demandas de cada área.
INSEGURANÇA
A falta de secretários titulares está provocando surpresas em servidores públicos que procuraram o Portal Martin Behrend para relatar as primeiras semanas de trabalho. “Ficamos entre o esquecimento e a insegurança. Ninguém quer avançar o sinal, pois não se sabe quem virá para assumir. Tem procedimentos que ficam em compasso de espera”, relatou uma servidora, que pediu para não ser identificada. “O que percebemos foi a chegada de vários CCs, incluindo de aliados políticos ou que fizeram campanha para os partidos. Estes cargos foram rapidamente ocupados”, relatou.
Outro experiente servidor da Prefeitura, que também pediu para não ser identificado, externou o sentimento de desconhecimento de alguns processos da administração. “Essa falta de secretários é um complicador. Alguns assuntos carecem de uma maior rapidez na tomada de decisões. Vamos entrar em fevereiro e o calendário fica apertado”, completou. “O que foram feitos em quase três meses de transição? Como as outras cidades conseguiram montar suas equipes e Novo Hamburgo segue sem vários secretários?”, questionou o servidor.
ARQUITETO
Um arquiteto hamburguense, com escritório no Centro, também procurou a reportagem para relatar a experiência que teve nestas primeiras semanas envolvendo a aprovação de projetos e outros procedimentos. “O prefeito (Finck) tem como bandeira desburocratizar. Mas, no setor que preciso atuar, está tudo parado, tem pilhas de documentos para assinar. Estamos ligando durante o mês, e não sabem informar. A burocracia piorou neste começo de ano”, desabafou o arquiteto.
A arquiteta Rosana Oppitz, que coordena o grupo Pensando Novo Hamburgo e é uma das integrantes da Associação de Arquitetos e Engenheiros de Novo Hamburgo (Asaec-NH), confirma que o relato do colega arquiteto é realidade e é uma demanda de praticamente todos os arquitetos e engenheiros da cidade.
Profissionais do setor já estiveram reunidos com o vice-prefeito, Gerson Haas, a fim de relatar as dificuldades e buscar alternativas para ter mais celeridade e eficiência nos atendimentos. A sinalização recebida é que muitos procedimentos internos vão ser alterados para reduzir a burocracia. “Levamos ao vice-prefeito uma descrição das dificuldades e a insatisfação de empresários e investidores, assim como os processos em que arquitetos e engenheiros tramitam, em longos e demorados “vai e volta” de anos de balcão”, relatou Rosana.
COMUR E FENAC
Além da questão de secretarias, essa indefinição de titulares também impactou em outros setores. A Companhia Municipal de Urbanismo (Comur) tem dois advogados como interinos e a Fenac manteve o diretor que atuou na gestão da ex-prefeita Fátima Daudt, Márcio Jung. Ele também não foi uma escolha da atual gestão e deve ficar apenas até a Fimec.
PREFEITURA
A reportagem do Portal Martin Behrend procurou a Prefeitura para saber sobre os impactos e a demora na definição de secretários titulares. Foi enviado o seguinte esclarecimento:
“Nenhuma demanda está parada por eventual falta de um
secretário titular das respectivas pastas. Afinal, as secretarias
listadas são acumuladas por membros já nomeados pelo governo e,
consequentemente, o trabalho transcorre normalmente.
Além disso, os nomes buscados para as respectivas vagas passam por uma criteriosa avaliação.
A
gestão esclarece que soma nestes 31 dias de administração até aqui
avanços em áreas estratégicas, como a desburocratização de processos e
serviços e a reestruturação promovida pela reforma administrativa, bem
como a retomada na interlocução com os governos estadual e federal para a
retomada de investimentos no Município, além do diálogo com a Câmara de
Vereadores.”

























