Quem circula pela Avenida Nicolau Becker, em Novo Hamburgo, e olha com um pouco mais de atenção para o Arroio Nicolau Becker – um afluente do Arroio
Luiz Rau – fica tomado pela curiosidade.
Erosão, parte da estrutura de taludes arrancada, trechos do leito assoreados por pedras, areia, detritos e vegetação, calçada desmoronando, lixo acumulado e árvores suspensas pintam um quadro de interrogações. Essa situação representa algum risco para motoristas e pedestres que circulam pelo local, principalmente no trecho da Rua Joaquim Pedro Soares até a rótula do Colégio Pio XII?O blog Martin Behrend foi procurar respostas. O contato foi com o geógrafo especialista em Gestão Ambiental e Inteligência
Geográfica, Thiago Safadi. Responsável pela EGA Consultoria, em Novo Hamburgo, ele analisou a situação apresentada e fez uma avaliação com algumas preocupações. “A construção de um ambiente concretado, como as cidades, impede que a água infiltre no solo e reabasteça o lençol freático, sendo, portanto, necessário resolver o problema de escoamento superficial. Com isso faz-se necessário adequar o ambiente às
necessidades de ocupação territorial, sendo a canalização dos rios uma alternativa ao processo, uma vez que aumenta a velocidade de escoamento dos rios e assim, permite que, supostamente, se elimine os problemas de enchentes”, explica Safadi. “No entanto, essas ações ignoram as características naturais do ambiente e do regime hídrico.
Como não há obstáculos ao seu deslocamento, as águas dos rios canalizados correm em velocidades mais elevadas, contribuindo para que em regiões de confluência com outros canais esse volume aumente exponencialmente e, assim, o rio transborde. Portanto, evita-se as inundações em algumas áreas e as potencializa em outras”, complementa.
A seguir, Thiago Safadi responde quatro questionamentos feitos pelo blog.
Existe algum risco de as margens do Arroio Nicolau Becker cederem, levando parte da calçada e de parte da pista da Avenida Nicolau Becker? Sim! Existe o risco das margens do arroio
cederem. Observe que as raízes das árvores estão expostas e que parte do muro de contenção foi retirado em diferentes pontos. A medida que novas chuvas contribuírem para o aumento da vazão do rio o processo de escoamento dessa água irá contribuir para a erosão dessas áreas. “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.”
Qual a importância dos taludes para a estrutura do arroio e, com esse material sendo arrancado em diferentes pontos, quais problemas poderão surgir em médio e longo prazo?
Os taludes de concreto são estruturas construídas para direcionar o fluxo de escoamento da água para um lugar de interesse, permitindo o calçamento e o arruamento da sua margem. A ausência dessas estruturas levará a médio e longo prazo a um desgaste natural da margem do rio, potencializando o risco de erosão das calçadas e do arruamento.
Dentro do atual contexto do arroio, quais medidas preventivas seriam adequadas – envolvendo canalização, arborização, calçamento?
O direcionamento de uma equipe técnica para avaliação e monitoramento do sistema seria a primeira ação. Após o diagnóstico, ações de engenharia e reconstrução dos taludes devem ser realizadas. Na incapacidade de resposta imediata, acredito que a colocação de grandes pedras, para reduzir a força do contato da água com o solo e com isso a ação da erosão, deva ser realizado. Programas de arborização são sempre bem-vindo nessas áreas. Observe nas fotos que as raízes são estruturas entrelaçadas que se desenvolvem no solo, criando uma rede que mantém o solo agregado e protegido. Por isso, o desmatamento irregular de encostas gera muitos deslizamentos. As raízes funcionam como verdadeiras redes de contenção.
A arborização do arroio é
elogiada, seja pela beleza
e pela importância de vegetação num ambiente tomado pelo asfalto. Qual sua avaliação sobre a presença destas árvores às margens do arroio e existe algum risco para pedestres e motoristas?
A arborização urbana é responsável por uma série de benefícios, sendo: a cênica, a melhora na qualidade do ar, a redução de barulhos, a manutenção da biodiversidade e a manutenção do regime hídrico local. Minha ideia é que a canalização do rio deva acabar, permitindo que ele volte a meandrar e com isso reduzir a sua velocidade de escoamento; paralelo, seria necessário reduzir o número de faixas para o carro e a margem do rio ser ampliada. Ganharíamos mais áreas de caminhada, um rio mais saudável e uma natureza mais equilibrada.
Para isso ocorrer
precisaríamos, em primeiro lugar, resolver o problema do esgoto.

























