A Fundação Scheffel está no centro das atenções de boa parte da comunidade de Novo Hamburgo. Recentes gestos do governo do prefeito Luis Lauermann (PT) colocaram o museu em destaque no cenário estadual. Mas de forma negativa. Muito negativa. A subvenção do município demorou tanto para chegar que a energia elétrica e o telefone da instituição foram cortados. O casarão ficou mudo e às escuras. Um golpe na imagem de um dos maiores patrimônios históricos e culturais de Novo Hamburgo. É bom lembrar que o recurso da Scheffel também engloba a Casa Schmitt-Presser, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O desleixo da atual administração com a Fundação Scheffel mobilizou hamburguenses a ponto de amanhã ser realizado um evento de solidariedade e valorização do espaço. Tenho acompanhado o desenrolar dos fatos envolvendo o museu e, a seguir, registro quatro fatos relevantes desta semana.
Ato 1 – O dinheiro
Parte do valor da subvenção anual da Fundação Scheffel e da Casa Schmitt-Presser – R$ 235 mil – finalmente entrou na conta da instituição nesta semana. Com isso, as contas e os salários atrasados dos funcionários começaram a ser colocados em dia. O telefone foi religado e a energia elétrica está de volta. Contudo, como o valor da subvenção vem derretendo diante das demandas crescentes do espaço, não está descartada a redução no horário de atendimento ao público.
Ato 2 – O abraço
Um grupo de hamburgueses organizou para este sábado (18.04), às 16 horas, o evento “Abraço à Fundação Scheffel”. O objetivo é, de forma simbólica, mostrar solidariedade ao tradicional espaço e cobrar mais respeito à história do município por parte da Prefeitura. Os organizadores sugerem que sejam levados cartazes e faixas para registrar o apoio da comunidade em relação à Fundação Scheffel. O abraço deverá ocorrer na parte da frente da instituição, junto à escadaria de acesso. O evento só
será cancelado em caso de chuva forte ou temporaç.
Ato 3 – A resposta ao secretário
Responsável pelas dificuldades no repasse da subvenção à Fundação Scheffel, o secretário municipal da Cultura, Carlos Mosmann, vem sendo bastante criticado por sua gestão à frente da pasta – eu sou um dos críticos. No Facebook, ele foi provocado a se manifestar sobre a sua linha de trabalho. Em um grupo que trata de questões do município, ele publicou o texto “Sobre subvenções”. Na parte inicial, ele afirma o seguinte:
“No primeiro diálogo que tive com TODAS as entidades subvencionadas, quando assumi a responsabilidade da Secretaria de Cultura, disse que “filho criado não deve continuar eternamente comendo na mesa do pai; antes deve ajudar a criar os filhos mais novos”. Estamos errados? Podem discordar, mas esta tem sido a mensagem, clara, transparente e objetiva, reafirmada há três anos.”
Na visão do secretário, a partir da minha interpretação, a Fundação Scheffel está na vala comum das entidades do município – e todo seu patrimônio histórico, artístico e cultural do município não deveria seguir recebendo recursos da Prefeitura.
Recebi um esclarecimento do curador da Fundação Scheffel, Angelo Reinheimer, que preferiu se manifestar sobre esta declaração no papel de cidadão hamburguense:
“A metáfora aplicada pelo senhor Carlos Mossmann,
em meu entendimento, é inoportuna para não dizer infeliz. A Fundação Scheffel com seus 36 anos dedicados a preservação da história e da cultura de Novo Hamburgo, não pode ser tratada, mesmo que metaforicamente, como um filho perdulário que usufrui da casa paterna
sem contribuir com nada, dilapidando, por consequência, seu patrimônio financeiro e moral.
Ainda no campo das metáforas, percebo, sim, a Fundação Scheffel como uma mãe zelosa, que ao longo das quase quatro décadas de existência
não tem poupado esforços no resgate e na preservação de nossos mais elevados valores.
Visão compartilhada com milhares de hamburguenses
que nos últimos dias têm se manifestado de forma afetuosa, reafirmando que a nossa cidade nunca deixará esta mãe zelosa, que representa a Fundação Scheffel, ser relegada a um quarto escuro e úmido do asilo chamado indiferença.”
Ato 4 – O poema
A nutricionista Neusa Stoffel é vizinha da Fundação Scheffel. Aliás, tem um simpático estabelecimento quase ao lado do museu. De sua janela, viajando na história, ela costuma produzir poemas. E, sobre esta vergonhosa situação da Scheffel, ela escreveu “Paz…ciência”.
"Hamburgo
Velho
em
espera.
Quem o admira se desespera.
É muita promessa vencida,
Tanta grana já perdida.
Respeitar a nossa história,
Guardar bem nossa memória:
Esse é um sonho do povo,
Que aguarda o seu renovo.
Quanta reunião foi convocada,
Com a população quase intimada!
Mostraram o projeto no papel,
Mas falta o elo deste anel.
O recurso federal só pode vir
Se a administração se redimir:
Demonstrar que não é balela
E tirar o angu desta querela.
Sabemos, andou solta a capivara
Onde a ética imigrante lavrara.
Que vergonha, minha gente!
Não quero governo que mente!
No que pertence à prefeitura,
Sai obra de caricatura.
Mas como rir da situação
Que tanto ofende a população?
E recente, outra vergonha.
Nosso gênio não é pamonha!
O Frederico não merecia
Saber que tanta conta vencia.
A Galeria Scheffel, ao ser montada,
Não pretendia ser desprezada.
Ela pertence a esta cidade,
E cada obra é uma raridade.
Se ponho a boca no trombone,
Sem me iludir que funcione,
Não é por ser pessimista.
Aliás, sou até bem otimista:
Investi neste querido morro,
E daqui, cedo, não corro.
E quem por aqui dá seu suor,
Quer ir de bem prá melhor.
Como é
triste receber turista, E responder sempre à entrevista:
Por que está tão abandonado,
E há tanto prédio descuidado?
Como quem tem tal tesouro,
Não percebe que é de ouro?
É um patrimônio inigualável,
E tudo ainda restaurável.
Eu hei de assistir, adiante,
Uma revitalização elegante.
Uma reforma de qualidade,
Não qualquer barbaridade.
O bairro voltar a ser orgulhoso,
Nem que seja por teimoso.
Isso representará grande vitória
De quem se importa com a História."
Neusa Stoffel













![Reinauguração está programada para quinta-feira, 1] de outubro. Rissul/Divulgação](https://martinbehrend.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Rissul-na-Rua-Bartolomeu-de-Gusmao-em-Novo-Hamburgo-e-reinaugurada-apos-ser-revitalizada.-Credito-MKT-UnidaSul-350x250.jpeg)











