25 de julho de 1824 – 25 de julho de 2024. Bicentenário da Imigração Alemã.
O Portal Martin Behrend celebra os imigrantes alemães!
A bandeira do município de Novo Hamburgo traz no seu coração a imagem de uma torre.
Está ali por sua representatividade histórica e pela sua relevância na formação do município. É algo grandioso que fez o objeto figurar no centro da bandeira municipal.
É a imagem do Monumento ao Imigrante. Ele foi construído, na década de 1920, naquele que é considerado o lote número um da imigração na região.
A torre teve sua pedra fundamental lançada em 1924 – ano do centenário da imigração alemã no Brasil. Foi inaugurado em novembro de 1927 numa grande e eufórica celebração.
O monumento, entre tantas virtudes, teve duas grandes atribuições: honrar e celebrar os 100 anos da imigração alemã no país e demonstrar a pujança de Novo Hamburgo, que era um distrito de São Leopoldo e buscava sua emancipação.
A imponência do monumento de quase 30 metros e a força que ele representava – bem maior que o Monumento ao Imigrante de São Leopoldo – ajudaram a impulsionar a independência de Novo Hamburgo.
DANIFICADO
É este símbolo de Novo Hamburgo que chega ao Bicentenário da imigração alemã sujo, com partes se soltando, pedaços caindo e a estrutura se deteriorando ao olhar das autoridades públicas, que deveriam zelar pelo monumento mais importante da cidade. As placas comemorativas que foram posicionadas ao longo do tempo estão apagadas e necessitando restauro.
Para Novo Hamburgo, o Monumento ao Imigrante é (ou deveria ser) o Laçador de Porto Alegre, a Torre Eiffel de Paris, a Estátua da Liberdade de Nova York, o Cristo Redentor do Rio de Janeiro e por aí vai.
É um descaso irreparável! A responsabilidade por essa situação tem nome e sobrenome: a prefeita de Novo Hamburgo, Fátima Daudt, e o secretário municipal da Cultura, Ralfe Cardoso.
Fátima e Ralfe tiveram quase oito anos para planejar, executar e preparar o Monumento ao Imigrante. Tinha dinheiro. A situação era conhecida. Mas o investimento não aconteceu – preferiram investir em outros eventos, artistas e emplacar outras pautas.
Teve um estudo e projeto de revitalização do monumento – é fato, teve esse estudo com melhorias e adequações. Só que, ao invés de assumir essa responsabilidade, a decisão foi captar recursos na iniciativa privada. E as coisas não evoluíram.
Confira a situação atual do Monumento ao Imigrante – tem mais problemas internos e externos, com vidros quebrados.
A justificativa para esse pouco caso só pode ser uma: desprezo, desinteresse, diminuição do legado dos imigrantes alemães e desrespeito com a própria história da cidade.
Quase oito anos! Tinha dinheiro! Tinha tempo! Foi o monumento planejado no centenário da imigração alemã! É o monumento que está na bandeira do município!
É inaceitável que ele não tenha sido cuidado para o Bicentenário. Na década de 1920, ele foi erguido em três anos. Nas década de 2010 e 2020, em oito anos, ficou sem reparos para o Bicentenário. Felizmente, ele não ruiu como aconteceu escandalosamente com a histórica Casa da Feitoria, em São Leopoldo – isso pode render outro artigo com situações parecidas que ocorrem no município vizinho.
É uma tentativa de desmoralização do legado dos imigrantes. É uma espécie de xenofobia. A ideologia e o alinhamento político que hoje prevalecem dentro da Secretaria da Cultura parecem agir para sufocar a trajetória dos imigrantes. A propósito: foi criada uma Comissão do Bicentenário com entidades e lideranças. Uma reunião, uma reunião foi realizada pela Secult em dois anos.
SCHANDE
Então, vem a primeira palavra do título deste artigo: SCHANDE. É vergonha! Grosse schande = grande vergonha!
Se observamos algumas movimentações anteriores envolvendo o Bicentenário e símbolos da cidade, não é surpresa o que está ocorrendo com o Monumento ao Imigrante:
– Como o visitante faz para conhecer o Monumento ao Imigrante se não tem uma mísera placa indicando esse ponto turístico?
– A Vale TV liderou um movimento para a construção do Monumento ao Bicentenário. A obra em tamanho reduzido de Marciano Schmitz circulou por diversos locais da cidade. Mas a Secretaria da Cultura (Secult), liderada por Ralfe Cardoso, foi colocando panos quentes, foi cozinhando e o projeto foi arquivado.
– Passo diariamente ao lado do Monumento ao Sapateiro – na rótulo do Colégio Pio XII. Luzes queimadas na rotatória, tudo escuro no local! O monumento que homenageia os trabalhadores do calçado é engolido pela escuridão.
– O que dizer do busto do ex-governador Borges de Medeiros, responsável pela assinatura no ato que criou o município de Novo Hamburgo, que foi arrancado da Praça 20 de Setembro?
– Tem outro movimento da iniciativa privada para pintar um enorme mural na Avenida Maurício Cardoso, na frente do câmpus 1 da Universidade Feevale. Fiquei sabendo que podem barrar mais essa iniciativa. Seria mais um ataque contra a história e os imigrantes alemães?
– Nesta terça-feira (16), faltam 100 dias para a data dos 200 anos. Em municípios da região terão eventos festivos. Estarei em São Leopoldo numa programação da iniciativa privada, em Dois Irmãos tem atividades da Prefeitura junto ao relógio da contagem regressiva e está rolando o 41º Festival de Kerb em Estância Velha. E em Novo Hamburgo?
Aliás, um esclarecimento sempre necessário: o monumento fica dentro da Sociedade Aliança e pode ser visitado gratuitamente pela comunidade de Novo Hamburgo em horário comercial. Eu mesmo já recebi estudantes de diferentes escolas no local, quando atuava na diretoria do clube, e também levei turistas para visitar o espaço.
É a história de Novo Hamburgo, de sua gente, sendo diminuída na contagem regressiva para o Bicentenário.
PASSADO DE FESTA
Nos 100 anos da imigração alemã, Novo Hamburgo realizou uma grande Feira Industrial e chamou a atenção do Rio Grande do Sul para sua pujança. O evento também somou pontos para a emancipação.
Nos 150 anos da imigração alemã, a Sesquibral – Festa do Sesquicentenário Brasil e Alemanha – movimentou os pavilhões da Fenac por semanas e atraiu o presidente da República. Foi lá também que começou a movimentação para a preservação de Hamburgo Velho.
E, nos 200 anos? A programação da Prefeitura é pífia, tímida. Sem símbolos, sem marcos. Estão pegando carona em iniciativas já em andamento, como Hamburgerberg Fest, Festeja Hamburgo Velho e Temporada Cultural da Fundação Scheffel. Felizmente, a iniciativa privada está fazendo a sua parte e honrando e celebrando os imigrantes.
Percebem os movimentos? Não são casos isolados. Tem ideologia, tem traços de xenofobia, tem falta de prioridade.
SECRETÁRIO MUNICIPAL
Procurei o secretário Ralfe Cardoso para saber o que iria ser feito do Monumento ao Imigrante. Seu posicionamento:
” Estamos em fase de captação de recursos para o Restauro do
Monumento ao Imigrante. Uma iniciativa em parceria com a Sociedade
Aliança, a Associação de Moradores e Empreendedores de Hamburgo Velho e a
Prefeitura. Uma obra que certamente resgatará o compromisso
comunitário em relação a Imigração Alemã simbolizado pela participação
de pessoas e entidades (como as citadas) na mobilização para captação de
recursos a partir da Lei Estadual de Incentivo a Cultura. Uma situação
que só é possível em função do trabalho inicialmente desenvolvido pela
Prefeitura e que, reforçamos, hoje conta com Aliança e AME
nessa responsabilidade coletiva.
Assim
que houver recursos suficientes captados para início da execução da
obra. Lembrando que não se trata exclusivamente do Restauro. Há previsão
de um Memorial e também de revitalização com a participação da
sociedade (mobilizada para tal) retomando o pertencimento desse símbolo
tão importante para toda cidade.”
Vou reforçar: tinha tempo, tinha dinheiro. Faltou priorizar. Faltou honrar o legado e a história.
STOLZ
Agora, nada vai impedir o STOLZ que se tem pelos imigrantes alemães. STOLZ é orgulho, orgulhoso. Esse é o sentimento que prevalece.
E isso está registrado – em alemão e em português – nas placas que foram colocadas ao longo do tempo no Monumento ao Imigrante.
Na placa comemorativa aos 100 anos da imigração alemã, consta uma citação em relação ao Monumento ao Imigrante:
“Em memória de nossos antepassados. Como exemplo para nós. Em honra da nossa pátria.”
Na placa comemorativa aos 150 anos da imigração alemã, consta:
“Imigrante! Teus sacrifícios, tuas aspirações, tua fé, são hoje o progresso e a realidade desta terra que te agradece.”
Na placa comemorativa aos 180 anos da imigração alemã, consta:
“Coração no passado, braços no presente e olhar no futuro”
OBRIGAÇÃO
Já realizei trabalhos com Ralfe Cardoso, destaquei vários eventos culturais da cidade, registrei boas iniciativas do governo Fátima Daudt. Não há prazer nesta pauta.
Mas é absolutamente inaceitável o que acontece. É obrigação jornalística relatar com a devida dimensão. Cansa ver os recursos indo para tantas outras demandas – algumas bem questionáveis – e o Monumento ao Imigrante ficando para trás.
Teríamos de ter, no Bicentenário, o Monumento ao Imigrante pintado e iluminado, corais cantando em seus andares, show de fogos e luzes, a comunidade circulando por lá. Lamentavelmente, não é a realidade.
Fátima e Ralfe, SCHANDE!
Imigrante alemão, STOLZ!
Como jornalista, seguirei fazendo o que está veiculado no Portal há vários meses: divulgando os eventos, celebrando este momento, honrando o legado dos imigrantes alemães e, ao mesmo tempo, registrando para a história aquilo que é inaceitável.
Vamos celebrar o Bicentenário! Viva os imigrantes alemães!
























