Sugestão para a Prefeitura de Novo Hamburgo: liberar os corredores de ônibus da Avenida 1º de Março e os futuros corredores que serão construídos nas avenidas Nicolau Becker e Victor Hugo Kunz para circulação de veículos de passeio, carroças e, quem sabe, triciclos. Absurdo? Não, pelo menos na visão da atual administração. Este atropelo, esta aberração e este gesto tipicamente brasileiro – o glorioso jeitinho – é o que poderá ser aplicado na Ciclovia Victor Nicolau Körbes – que fica sob os trilhos da Trensurb. E está gerando um abaixo-assinado: http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR77177
No dia 12 de novembro publiquei no blog a informação repassada pelo secretário municipal de Segurança e Mobilidade Urbana de Novo Hamburgo, Egon Kirchheim, que a ciclovia seria oficialmente dividida para ser usada por ciclistas e pedestres – http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=351. Mas como oficializar a circulação de pedestres se é uma ciclovia?! Aquele espaço é
das
bicicletas. Ciclovia não é para se exibir ou desfilar; ciclovia é um equipamento comprovadamente eficaz como alternativa aos veículos motorizados. É trabalhar mobilidade urbana na sua essência. A ciclovia é um espaço para que os ciclistas saibam que terão segurança ao circular pela cidade, sem a necessidade de brigar por espaços com carros, motos, caminhões, ônibus e pedestres. Mas por que Novo Hamburgo não respeita e investe nesta tendência mundial?
Muitos hamburguenses são
desavisados,
mal-educados ou
egoístas, concordo. Tomaram conta da ciclovia pra fazer exercícios, correr, passear com seus pets, levar bebês para tomar um ar, circular com carrinhos de compras. Isso é falta de educação e pensar no próprio umbigo, sim. Ciclovia é para bicicletas. A Prefeitura deveria investir em campanhas de conscientização até que as pessoas percebam a real função daquele espaço.
Ah, mas as calçadas são ruins e a ciclovia é melhor para caminhar. Mas tem lei para fiscalizar e punir calçadas irregulares!
A Prefeitura tem tudo em mãos: multa quem não cuida da sua calçada! Está na lei! A Prefeitura tem preguiça de cumprir a lei, é inacreditável! E
aí achou um jeitinho para mascarar sua omissão: vai dividir a ciclovia. Metade pra bicicletas, metade pra pedestres. Surreal!
Foi criado
um abaixo-assinado contra este atropelo da legislação e falta de bom senso e vontade da Prefeitura em conscientizar a população sobre o uso correto da ciclovia. O texto do abaixo-assinado é o seguinte:
"Em sessão no dia 12 de novembro de 2014, o Secretário Municipal de Segurança e Mobilidade Urbana, Sr. Egon Kirchheim, afirmou que a Ciclovia Victor Nicolau Körbes será sinalizada como espaço compartilhado entre pedestres e ciclistas. Contudo, segundo o Projeto de Lei Nº 77/2014, proposto pelo vereador Raul Cassel e aprovada em 9 de junho de 2014, o trajeto vermelho demarcado paralelo à linha do trem na Av. Nações Unidas é oficialmente definido como uma Ciclovia e recebe o nome de “Ciclovia Victor Nicolau Körbes”. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB), Anexo 1, define-a, então, como sendo uma “pista própria destinada à circulação de ciclos, separada fisicamente do tráfego comum”.
Segundo o artigo 58 do CTB, “[…] a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento […]” (grifo nosso). Desta maneira, os ciclistas são proibidos, por lei, de utilizarem a via da Av. Nações Unidas no trecho em que esta acompanha a ciclovia. Da mesma maneira, os pedestres, segundo artigo 68 da mesma lei, são obrigados a utilizar o passeio (parte da calçada destinada à circulação exclusiva de pedestres). Ainda no CTB, o artigo 254 identifica como infração pelo pedestre os atos de:
IV – utilizar-se da via em agrupamentos capazes de perturbar o trânsito, ou para a prática de qualquer folguedo, esporte, desfiles e similares, salvo em casos especiais e com a devida licença da autoridade competente;
V – andar fora da faixa própria, passarela, passagem aérea ou subterrânea;
A proposta de divisão com sinalização na ciclovia pretende separá-la igualmente em duas partes: uma para ciclistas, outra para pedestres. Contudo, a atual área destinada a ciclos possui 2m de largura, abaixo da mínima recomendada. Segundo o Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito, Volume IV – Sinalização Horizontal (p. 36), o recomendado para o trajeto bidirecional para ciclos é de 2,5m e, quando unidirecional, 1,5m. Recorrendo à literatura, é recomendado uma largura mínima de 2,4m (GONDIM, 2010, p. 56)1 para o caso ideal de quando há uma separação física de 1m do tráfego de veículos automotores. Devido à cerca que beira o Arroio Luiz Rau, a qual é um obstáculo num dos extremos da ciclovia, a largura mínima para o trajeto bidirecional com obstáculo de elemento lateral contínuo é modificada para 2,70m (Ibid, p. 94). Com a implementação da divisão, o espaço destinado aos ciclistas para tráfego bidirecional será de 1m. Lembramos que este é inferior até mesmo que o recomendado para uma ciclovia unidirecional, sendo apenas ? (dois terços) deste.
A ciclovia já possui um estreitamento (próximo à Estação FENAC), onde a largura é de 1,3m. Atualmente, segundo a experiência diária de ciclistas da nossa cidade, este trecho não suporta o tráfego bidirecional, seja de bicicletas ou até mesmo pedestres, quando um dos lados ou tem de parar ou invade a via dos veículos automotores. Deste modo empírico, se inferimos que é impraticável o trânsito bidirecional em um espaço com largura de 1,3m, concluímos que uma redução para 1m em toda a extensão do trajeto é, portanto, também impraticável.
De acordo com os pontos levantados e argumentados acima, os abaixo-assinados pedem a devida sinalização (vertical e horizontal) da Ciclovia Victor Nicolau Körbes e que esta continue legalmente restrita à circulação de ciclos, como definido por lei."

























