O legado do artista plástico Ernesto Frederico Scheffel não
está restrito às suas geniais obras e composições ou à preservação do museu – o
que já seria absolutamente maravilhoso. São tantas lutas e contribuições para
conservação e valorização da história de Novo Hamburgo que fica impossível
mensurar o valor de tanta dedicação. Um gênio das artes que se doou como
ninguém para que o passado de Novo Hamburgo fosse respeitado.
Neste domingo, a comunidade hamburguense teve mais um
exemplo do quanto Scheffel lutou pela preservação. Durante o evento Ilumina
Hamburgo Velho, que atraiu centenas de pessoas ao centro histórico, o jardim em
frente à Fundação Scheffel teve seu portão de madeira aberto. Lá dentro a
comunidade se deparou com uma relíquia: um coreto de 1906, construído pela
empresa Lipp & Aichinger. A estrutura foi recuperada recentemente com a
colaboração do empresário Angelo Beninatto e está pronta para encarar mais
algumas décadas de vida.
Com 110 anos de história, o coreto foi uma encomenda de
Elisa Mentz, uma das filhas de Adão Adolfo Schmitt. Ela residia na Rua Joaquim
Nabuco – onde hoje está o edifício Box Center. Na década de 1980, Scheffel
estava no Centro, no salão do barbeiro, quando ficou sabendo que o coreto seria
destruído. Conforme consta na sua biografia: “O coreto foi cuidadosamente desmontado
e oferecido a mim em doação, pois no terreno seria construído um novo
empreendimento. Contratei o pedreiro e construtor Leffar para remontá-lo no
terreno em frente à Fundação Scheffel, adquirido por mim da empresa Shell do
Brasil que, na década de 1970, pretendia construir nesse local um posto de
gasolina.”
O local onde hoje se encontra o coreto faz parte do conjunto
que integra a Fundação Scheffel. Além de uma linda vegetação, existe um espaço
que funcionou como laguinho. “A ideia era ter um espelho d´água. Ainda vamos
fazer isso, aterrando parte desse espaço. Aqui cabe uma curiosidade: o diâmetro
do raio mede seio metros, e seis é o número que representa a beleza”, destaca o
curador do museu, Angelo Reinheimer. Com a recuperação do centenário coreto,
ele afirma que o espaço deverá ser mais utilizado. “Há uma perspectiva de
criamos uma pequena construção com cozinha e banheiros para servir como suporte
a atividades que possamos ver a realizar”, completa Reinheimer.
Ernesto Frederico Scheffel faleceu em 16 de julho de 2015. A
sua obra e o seu legado vivem. Só resta aplaudir, reconhecer e agradecer.

























