A operação que bloqueou parte do Centro de Novo Hamburgo por cerca de 10 horas, na manhã de sábado (7), continua repercurtindo.
O isolamento de trechos das ruas Bento Gonçalves, Lima e Silva, Davi Canabarro e Mariano de Mattos foi motivado por uma transferências de objetos e valores para a agência da Caixa quase em frente à Igreja da Ascensão.
A indignação de dezenas de comerciantes é grande, pois registraram queda expressiva nas vendas numa das datas mais importantes do ano e muitos fecharam as lojas mais cedo pois os clientes não apareceram em razão das restrições.
A própria Comunidade da Ascensão teve prejuízos com o evento “Mostra de Talentos”, já que o público e expositores não conseguiram chegar ao local. Um médico foi impedido de sair do seu edifício para realizar um procedimento médico marcado antecipadamente no Hospital Unimed VS. Entre outros tantos problemas.
Além disso, as informações desencontradas entre autoridades provocaram ainda mais irritação em parte da comunidade, que ficou sem orientação sobre como proceder nem sobre uma possível liberação do Centro. Viaturas da Brigada Militar, Guarda Municipal e também da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal se envolveram na movimentação.
O Portal Martin Behrend publicou, no sábado, uma reportagem trazendo alguns detalhes da operação na Caixa: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
CAIXA
Nesta segunda-feira (9), o Portal Martin Behrend procurou a Caixa para esclarecer os motivos da operação necessitar parar parte do comércio de Novo Hamburgo.
A Caixa, através da assessoria de imprensa, informou: “A CAIXA informa que atua conjuntamente com a Polícia Federal e demais órgãos de segurança pública e que as informações sobre o evento em questão foram repassadas exclusivamente às autoridades policiais.”
PREFEITURA DE NOVO HAMBURGO
A Prefeitura de Novo Hamburgo, que também foi pega de surpresa e teve de lidar com vários transtornos, se manifestou sobre a situação: “A Secretaria Municipal de Segurança esclarece que a Guarda Municipal foi acionada apenas para o fechamento do trânsito no local, atendendo pedido da Brigada Militar.”
BRIGADA MILITAR
Através da assessoria de imprensa, a Brigada Militar informou: “Referente à mobilização realizada no sábado dia 07/12 pelas forças de segurança em Novo Hamburgo, a Brigada Militar, através do 3°BPM, comunica que o Marketing da Caixa Econômica Federal (CEF) informa que divulgará na segunda-feira uma nota oficial.”
COMÉRCIO
A Câmara de Dirigentes Lojistas de Novo Hamburgo (CDL-NH) divulgou uma Nota de Repúdio:
“A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Novo Hamburgo manifesta profunda indignação e repúdio ao fechamento inesperado da Rua Bento Gonçalves, no sábado, dia crucial para o comércio local.
Contexto:
Vivemos um momento de alta vulnerabilidade, com crescente violência e assaltos. É fundamental que a administração e as forças de segurança priorizem o bem-estar e a normalidade, não gerando mais obstáculos.
Reivindicações:
1. Comunicação prévia para eventos que afetem o comércio.
2. Respeito aos empreendedores locais.
3. Ações efetivas para fomentar vendas e economia local.
4. Coordenação entre segurança e comércio para prevenir impactos negativos.
Histórico de Obstáculos:
Depois de anos com longas reformas no centro e a implantação da nova faixa nobre em dezembro 2023, este episódio evidencia descaso com o comércio local.
Exigências:
1. Ações concretas para prevenir futuras ocorrências.
2. Diálogo constante entre administração, segurança e comércio.
3. Respeito às datas estratégicas para o comércio.
Novo Hamburgo, 07 de Dezembro de 2024
Leonardo Lessa – Presidente da CDL Novo Hamburgo
REDE CLIP
A Rede Clip, que tem uma loja na esquina das ruas Bento Gonçalves e Lima e Silva, publicou em redes sociais uma Nota de Repúdio:
“A Rede Clip vem, por meio desta, manifestar seu profundo repúdio com a ação realizada no último sábado, dia 07/12/2024, pela Caixa Econômica Federal. Essa que resultou no fechamento do acesso à Avenida Bento Gonçalves e grande parte do centro da cidade de Novo Hamburgo, impactando gravemente os comerciantes, empreendedores e a comunidade.
Fomos surpreendidos por um bloqueio de vias que ocorreu sem qualquer aviso prévio, informação ou esclarecimento por parte do Poder Público. Essa falta de comunicação gerou confusão, prejuízos e descontentamento geral, refletindo o total desrespeito ao direito de planejamento e operação dos nossos negócios.
O impacto dessa ação foi imediato e severo. Nosso faturamento registrou uma queda de mais de 50%, comprometendo não apenas nossa empresa, mas também o atendimento aos nossos clientes.
Além disso, em determinado momento, agentes da Polícia Federal proibiram a entrada e saída de clientes e colaboradores de nossa loja, negando-nos um dos direitos mais fundamentais garantidos pela Constituição: o direito de ir e vir. Tal medida, autoritária e desproporcional, além dos transtornos significativos à nossa operação, também desrespeitou os princípios básicos de liberdade e justiça.
Há quase 20 anos, a nossa empresa contribui para o desenvolvimento econômico de Novo Hamburgo, oferecendo produtos e empregos à nossa comunidade. A falta de consideração e planejamento demonstrados nessa ação não apenas mancha essa história, mas também nos coloca em alerta pelo futuro e pela liberdade da nossa comunidade.
Exigimos respostas imediatas das autoridades competentes:
1. Quem será responsabilizado pelos prejuízos causados aos comerciantes e empreendedores da cidade?
2. Por que não houve aviso ou planejamento para minimizar os impactos dessa operação?
3. Que medidas serão tomadas para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer?
4. E a pergunta mais terrível, pode um banco parar uma cidade por interesses próprios?
Reiteramos nossa indignação e solicitamos um posicionamento público das autoridades envolvidas. A construção de uma cidade próspera depende de respeito mútuo e de ações planejadas que valorizem seus cidadãos e empreendedores.”
