Na manhã de domingo (19 de maio), a equipe de plantão do
Samu, em Novo Hamburgo, recebeu um chamado. O relógio marcava 7h14 da manhã. No outro lado da linha, a
informação era de que uma mulher estava dando à luz em rua próxima da BR-116,
no bairro Rincão.
A equipe composta pelo condutor socorrista Roger Lee, o médico Antônio
Fagan e a enfermeira Catia Zibetti se deslocou imediatamente ao local indicado.
Chegando lá, a cena era surreal: uma mulher deitada na rua, meio corpo do bebê para
fora do corpo e o cordão umbilical esticado, numa paisagem tomada por mato e
pequenos animais indesejados.
O atendimento começou com a retirada por completo do recém-nascido e higiene básica de ambos. Ele e a mãe estavam gelados. O bebê nem chorava, mal respirava. A mulher
de 29 anos é moradora de rua, dependente química e conhecida do dr. Fagan por
outro episódio: em 2013, ela também teve um filho, e abandonou a criança.
Mãe e filho foram levados pela ambulância até o Hospital
Municipal. Só que a mulher não está mais na casa de saúde, que por questões de vulnerabilidade social não teria condições de ficar com seu
filho – que pode ter Síndrome de Down, além de ter indicado HIV positivo e sífilis
positivo, segundo repassado pelo médico. “É um caso bem delicado e complexo. Mas que tem sensibilizado muita
gente”, explica Fagan.
Enquanto a criança segue na UTI Neonatal, uma onda de
solidariedade está se espalhando dentro e fora da casa de saúde. Com o
Judiciário devendo encaminhar o bebê para algum abrigo municipal – o Ministério
Público já tirou a guarda dos pais, caracterizada pela vulnerabilidade social –, a convocação é para que a
comunidade doe itens que serão necessários para o bebê e também para outras
crianças.
Em relação aos casos de crianças em vulnerabilidade familiar, as estatísticas assustam para quem não está acostumado à realidade. Somente nesse ano no Hospital Municipal, foram cinco casos – média de um por mês – de mães que não ficam com seus filhos em razão das questões de vulnerabilidade.
No caso do Hospital Municipal, estão sendo solicitadas
roupinhas para recém-nascidos e também fraldas – leia mais abaixo sobre a
campanha “Coloque Seu Carinho Neste Enxoval”.
Já para os lares que acolhem bebês
e crianças – e que deve receber, em breve, este menino –, leites especiais são
muito bem-vindos – tipo Ninho, Nan ou Aptamil (Danone), por exemplo.
CONFIRA OS LARES QUE RECEBEM DOAÇÕES DOS LEITES ESPECIAIS
Abrigo Anjo da Guarda – bairro Boa Vista. Telefone: 3036-2726
Abrigo Cecrife Querubim – bairro Primavera.Telefone: 3595-3435
Abrigo João Bosco – bairro São Jorge. Telefone: 3595-0066
Casa Lar ASA – bairro Ideal. Telefone: 3781-3482
Em relação ao menino, ele segue sem nome. A mãe, antes de
sair, teria indicado que batizassem de Davi, mas não está definido como ele
será chamado.
PRÉ-NATAL
Aproveitando o caso do menino que está recebendo atenção da
equipe do Hospital Municipal, o dr. Fagan reforça a importância da realização
do pré-natal pelas gestantes. “Isso é fundamental para a saúde da mulher e do
bebê. Temos pacientes que não fazem, ou realizam apenas uma parte. Precisamos
intensificar essas práticas”, destacou. No caso desse recém-nascido, se tivesse
sido realizado o pré-natal, algumas situações poderiam ter sido evitadas ou
neutralizadas pelos médicos antes do nascimento.
CAMPANHA DO ENXOVAL
Com o tema “Coloque Seu Carinho Neste Enxoval”, a Fundação
de Saúde Pública de Novo Hamburgo (FSNH) lançou, em abril a Campanha Enxoval do
Bebê para arrecadar roupas aos recém-nascidos no Hospital Municipal de Novo
Hamburgo. “Contamos com a parceria de muitos grupos voluntários, que sempre
estão agindo em prol do Hospital. Mas a ideia é expandir os laços, convidando
toda a comunidade a se envolver neste projeto”, afirma o diretor-presidente da
Fundação, Ráfaga Fontoura.
Vários fatores foram levados em consideração para deflagrar
esta iniciativa. “O Hospital Municipal realiza, em média, 300 partos por mês.
Não há como negar a existência da desigualdade social no País e que muitas mães
não têm condições de comprar roupas para seus bebês, precisando desse apoio na
hora do parto”, afirma o presidente.
Fontoura observa, ainda, que o foco da Campanha é para
ajudar todos os recém-nascidos, no entanto, observa que os bebês internados na
UTI Neonatal requerem maior atenção neste momento. “Cada peça de roupa faz uma grande diferença. Nosso serviço conta
com o carinho da comunidade”, diz a coordenadora da Maternidade e da Casa da
Gestante, Daniela Rech.
Para doar é fácil: basta trazer as roupinhas até a FSNH
– avenida Pedro Adams Filho, 6520, bairro Operário. Se preferir ligar para
agendar a entrega ou obter mais informações, o telefone é (51) 3272-3272.

























