A prefeita Fátima Daudt (PSDB) está passando por um constrangimento irreparável.
Ex-presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI-NH/CB/EV), ela está vendo no topo da entidade que presidiu uma bandeira preta. No Centro de Novo Hamburgo tremula um pano preto. É sinal de luto. É sinal de protesto.
Uma nota foi divulgada pela entidade explicando o motivo do protesto – confira texto abaixo.
Fátima foi presidente da entidade de 2006 a 2011. Teve grande contribuição no desenvolvimento de uma entidade que se manteve independente. Tão independente a ponto de fazer críticas à sua gestão como prefeita.
Embora o texto publicado pela ACI fale que “seguiremos cobrando de nossas prefeituras, governo do estado e governo federal, as atitudes e o trabalho em prol daquele que mantém o Brasil: o contribuinte, nós todos”, a descrição das críticas e os exemplos são de comportamentos da Prefeitura de Novo Hamburgo – leitos anunciados que não se materializaram, respiradores que foram enviados sem outros equipamentos pra montar leitos de UTI, falta de negociação de leitos com hospitais privados – Novo Hamburgo têm dois.
Embora seja a ACI seja uma entidade regional e citar na nota “nossas cidades, nossas lideranças públicas”, o fardo maior recai sobre a prefeita e ex-presidente.
O motivo é que os exemplos, se não na sua totalidade, na sua maioria são da gestão da crise de saúde pública em Novo Hamburgo. Isso está transparente na nota. Além disso, a sede da ACI fica em Novo Hamburgo.
Com sedes regionais em Campo Bom e Estância Velha e associados em outras cidades da região – inclusive com hospitais lotados -, essas localidades não tiveram exemplos diretos sendo mencionados na publicação.
Vale lembrar que, na semana passada, a ACI protocolou ofício na Prefeitura de Novo Hamburgo questionando vários pontos considerados contraditórios pela entidade: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/id/8014/titulo/aci-cobra-esclarecimentos-e-posturas-contraditorias-da-prefeitura-de-novo-hamburgo .
CONFIRA A MANIFESTAÇÃO NA ÍNTEGRA
“A Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha hasteia, novamente, a bandeira preta em sua sede de Novo Hamburgo, depois de vários anos.
Nossa entidade vem apoiando todos os esforços em prol da saúde de nossa população, os enormes sacrifícios para a doação de equipamentos pelos empresários para o combate ao COVID-19, o cultivo de uma consciência pró-consumo local e inúmeras outras medidas.
Ao mesmo tempo, luta para restabelecer o equilíbrio e a retomada gradual de uma economia que sofre restrições de abertura há mais de 90 dias, dialogando com autoridades e instituições médicas, públicas e privadas, numa busca ponderada pelo retorno seguro às atividades.
Todo esse esforço, e essa contagem de dias intermináveis em que ficamos em casa deveriam, conforme argumentação das autoridades públicas, servir para achatar a curva no período de inverno. Deveriam ter servido, principalmente, para que as nossas lideranças públicas planejassem a gestão de uma crise de saúde anunciada há, pelo menos, quatro meses atrás.
O governo federal remeteu grande quantidade de recursos para suprir as carências do sistema de saúde de nossas cidades, o que possibilitaria a contratação de mais profissionais e o aparelhamento das estruturas.
Somos agora informados de que não há fornecedor, e mesmo programação de compras por parte de nossos gestores públicos. Há dinheiro, mas não há cadastro que resolva, nem negociação possível. Temos respiradores, mas não temos monitores cardíacos ou leitos. A terceirização de responsabilidades transfere as consequências disto para as vítimas de sempre: os cidadãos.
O anúncio de que teríamos 10 novos leitos de UTI em Novo Hamburgo na última sexta-feira (19/junho) foi subitamente adiado, e poderia ter nos afastado do jugo da bandeira vermelha.
Cabe considerar que talvez uma proposta de comodato ou mesmo locação com os hospitais da região pudesse ter sido suficiente para nos assegurar a manutenção da bandeira laranja.
Aqui vale uma lembrança: sabemos que esta não é uma situação qualquer, e encontrar soluções não é fácil, mas a responsabilidade por execução é dos gestores públicos, que foram eleitos exatamente para isto.
Nossa atividade econômica, já tão impactada, não pode seguir abrindo e fechando, sem previsão e sem horizontes, por isso o sistema de bandeiras instituído no RS torna-se agora insuportável aos empreendedores.
Lamentamos, hasteamos a bandeira e seguiremos cobrando de nossas prefeituras, governo do estado e governo federal, as atitudes e o trabalho em prol daquele que mantém o Brasil: o contribuinte, nós todos.
Que passe logo, e que possamos em breve arriar esta bandeira e mantê-la assim. ACI-NH/CB/EV”

























