O relato a seguir é de uma voluntária da Associação de Ação Social Marmitas do Bem. Numa das entregas de marmitas em comunidades carentes na divisa de São Leopoldo e Novo Hamburgo, ela teve contato com uma moradora de idade avançada.
Esta senhora, ao receber a marmita, agradeceu pela doação e comentou que, naquele dia, ela e o marido – um senhor de idade – teriam uma refeição diferente, mais saborosa. Isso porque, no dia anterior, eles tinham feito uma sopa “temperada” com o papelão picado das caixas de pizzas.
Como sempre fica um pouco dos ingredientes das pizzas nas caixas de papelão entregues pelas pizzarias, a senhora costuma usar esse “ingrediente” para levar sabor para a sopa do casal.
O relato devastador e real tocou de forma profunda a voluntária. Se de um lado escancarou a realidade da miséria vivenciada por alguns moradores, por outro lado trouxe forças para o trabalho voluntário seguir em frente.
NOVA COZINHA
Neste sábado (26), o projeto Marmitas do Bem vivenciou um momento especial: a inauguração da nova cozinha industrial do projeto. Localizada na Rua 25 de Julho, no bairro Rio Branco, o local passa a ser a sede do Marmitas do Bem, permitindo ainda mais organização e tranquilidade para o trabalho dos voluntários.
O proprietário do pavilhão colaborou com um valor generoso para a locação, enquanto uma construtora e arquitetas voluntárias atuaram para fazer intervenções como teto rebaixado, um pequeno escritório, obras civis e divisórias internas, área de estoque, entre outros detalhes internos e equipamentos.

A médica pediatra Ceres Cechella é uma das lideranças do projeto. Emocionada com o novo espaço, ela destacou a força do voluntariado. “Tudo que conseguimos são através de doações. Somos um projeto sem conotação político-religiosa. As pessoas se sentem tocadas em nos ajudar e assim vamos recebendo tudo o que precisamos para produzir as marmitas”, comenta. Dentro dessa dinâmica, o projeto recebeu a doação de uma Kombi, que vai se somar a van de um voluntário para realizar a logística das entregas.
EVOLUÇÃO
Criado em 2020 a partir dos desdobramentos da pandemia de Covid-19, o projeto vem numa evolução constante. Se no começo eram produzidas 71 marmitas a cada 15 dias, os números atuais são bem mais vistosos.
A cada sábado, são entregues, na média, 800 marmitas – com carboidrato, proteína e legumes. Além disso, são distribuídos 500 litros de leite, roupas, kits de higiene, cobertores, colchões, entre outras peças.
O destino das marmitas são comunidades carentes na divisa de São Leopoldo com Novo Hamburgo, como Vila Brás e Santos Dumont, impactando também moradores do Santo Afonso. Em muitos casos, são moradores de ocupações próximo ao dique do Rio dos Sinos. A entrega ocorre em dois pontos conhecidos dos moradores, que se organizam para evitar transtornos.
PRODUÇÃO
O preparo das marmitas começa sempre nas sextas-feiras com alguns voluntários. É preciso deixar alimentos preparados antecipadamente. Já no sábado pela manhã, o time de colaboradores cresce para finalizar as refeições, incluir os alimentos frescos, montar e fechar as marmitas. ” A média de voluntários atuando a cada semana é de 25 a 30 pessoas. É o número necessário para garantir a produção necessária. Precisamos de gente que se mobilize sem julgar, mas com vontade de fazer o bem”, destaca Ceres. Entre os voluntários estão médicos, professores, empresários, entre outros.

Antes da nova cozinha no bairro Rio Branco, o Marmitas passou por endereços cedidos por empresários em Campo Bom e Novo Hamburgo.
DOAÇÕES
As doações para o Marmitas do Bem podem ser realizadas através do Pix 53.019.216/0001-65 . Após a trágica enchente de maio de 2024, o projeto passou a ter ainda mais relevância, já que as comunidades atendidas ficaram submersas.
Para acompanhar as ações, é possível seguir o perfil no Instagram: @marmitasdobem.oficial.

























